Algumas observações para além do jogo Fluminense x Chapecoense




Savarino comandou o Fluminense na vitória sobre a Chapecoense
Savarino - FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.

Em coluna ácida, Lindinor Larangeira critica a postura da diretoria tricolor, aponta falta de ambição do time em campo e avalia o peso da liderança de Hulk no elenco.

(Por Lindinor Larangeira)

Passei a semana ouvindo uma frase tão repetida quanto estúpida: “a torcida abandonou o time”. Não. A verdade é exatamente o oposto: o time foi abandonado pela diretoria.

Depois da fidalga “gentileza” com o rival, a cúpula tricolor foi incapaz de ter o mesmo empenho para pedir o adiamento da partida contra a Chapecoense, mesmo diante de um problema logístico que resultou em um dia a menos de treinamento. Pequenez como método.

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Enquanto esse bando de frouxos seguir no comando do Fluminense, o clube continuará refém de pensamentos e atitudes pequenas. É gente sem estatura para dirigir uma instituição gigante e centenária. E ainda temos que ouvir áulicos repetindo o mantra conveniente: “a culpa é da torcida”.

Vocês deveriam, isso sim, agradecer aos 13.885 abnegados que foram ao Maracanã numa noite de domingo. Em tempos de desorganização interna, eles ainda são o último elo de dignidade.

Um time inimigo do gol

O primeiro tempo foi um clássico jogo de ataque contra defesa. O Fluminense encurralou a Chapecoense, esbarrou em uma atuação absurda do goleiro Anderson — que, se fizer isso sempre, merece ser contratado ao menos para ser reserva do Fábio —, mas, sobretudo, voltou a expor seu maior problema: a absoluta incapacidade de matar o jogo.

Faltou capricho, faltou qualidade e sobrou desperdício. Daria para ter resolvido a partida ainda no primeiro tempo.

Como não há mais acesso aos treinos, resta a dúvida: finalização é, de fato, treinada no CT Carlos Castilho? Acredito que sim, mas claramente a carga é insuficiente. Os atacantes seguem desperdiçando chances em série, rodada após rodada.

Canobbio e Serna: não está dando certo

A fase da dupla de pontas do Fluminense é ruim. Serna fez mais uma partida muito fraca e acabou corretamente substituído por Soteldo, que lembrou, ainda que por instantes, aquele atacante agudo dos tempos de Santos e Grêmio.

Já Canobbio, mais uma vez, foi pura transpiração, quase nenhuma inspiração. Ambos são jogadores de confiança do treinador e peças importantes no 4-3-3 de Zubeldía. O problema é simples: quando a dupla não funciona, a engrenagem não gira.

No momento, não dá para insistir nos dois. A alternativa mais óbvia é buscar outro desenho tático. A mais simples: o colombiano no banco.

Acomodação ou soberba?

O Fluminense fez uma partida ruim? Na minha avaliação, não. Se tivesse sido eficiente e marcado dois ou três gols no primeiro tempo, a análise seria completamente diferente.

O problema vai além da falta de contundência. O time aparenta, em muitos momentos, falta de ambição. Uma das maiores irritações da torcida é a postura recorrente depois de abrir o placar: a equipe senta em cima do resultado, ao invés de buscar o segundo, o terceiro, e matar o jogo.

Essa inapetência já custou caro — como contra o Independiente Rivadavia — e quase custou dois pontos preciosos novamente.

Xerém resolve de novo

O golaço coletivo — com toque de calcanhar de Soteldo, passe milimétrico de Alisson e finalização perfeita de JK — fez justiça ao time que, mesmo em seus momentos de “preguiça”, jamais deixou de buscar a vitória.

Se o elenco é curto, agravado pelas inúmeras contusões, o treinador precisa recorrer mais à base. Xerém segue sendo solução, não discurso.

John Kennedy decidiu mais uma vez
John Kennedy – FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.

Hulk: sim ou não?

Respondo à pergunta com outra: este elenco tem alguém com o perfil de liderança de um Felipe Melo? Se você respondeu que sim, diga quem é — e provavelmente será contrário à vinda de Hulk. Se respondeu que não, como eu, entenderá que a chegada do veterano pode fazer sentido.

Futebol não é ciência exata. Pode dar certo ou não. Mas, dependendo dos valores e do tempo de contrato, Hulk pode agregar experiência, malandragem, liderança e, por que não, futebol.

Agora é virar a chave, subir o morro e ter muita atitude na altitude de La Paz.

Notas rápidas:

  • Martinelli – Deve voltar só depois da Copa. Péssima notícia.

  • Riquelme – Poderia ser testado como meia.

  • Júlio Fidélis – Merecia receber mais oportunidades.

  • Davi Shuindt – Cadê esse garoto?

  • SAF – Não, obrigado. A única que deu certo até agora une um torcedor fanático e bilionário. A mais badalada construiu, até aqui, a maior enganação do futebol brasileiro, com a chancela do Grupo City.

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Sobre Vinicius Toledo 1393 Artigos
Criador do Explosão Tricolor e atuando na cobertura jornalística do Fluminense desde 2014 com milhares de matérias e colunas publicadas sobre futebol, gestão e política. Formação acadêmica de Administração e especialização em Finanças e Marketing. Saudações Tricolores!