A transferência do meia-atacante para um rival nacional, após promessas de lealdade e o desejo de atuar na Europa, expõe uma contradição ética que apaga sua trajetória histórica nas Laranjeiras.
POR LEANDRO ALVES
O título deste texto é autoexplicativo. Diante de sua transferência para o Palmeiras, e considerando todo o contexto envolvido, Jhon Arias, em minha visão, deixa de ocupar o posto de ídolo do Fluminense.
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Aprendi, desde cedo, que a palavra de um homem possui o mesmo valor que uma assinatura em contrato. Infelizmente, o episódio protagonizado por Arias demonstra que esse princípio parece ter ficado no passado. No futebol contemporâneo, promessas raramente sobrevivem aos interesses de mercado.
Promessas vazias
Ninguém solicitou que Arias prometesse um retorno ao Fluminense. A iniciativa partiu exclusivamente dele. O atleta empenhou a sua palavra, garantindo que voltaria à instituição que transformou a sua vida. Discursou sobre gratidão e afirmou que o aspecto financeiro não era sua prioridade. Contudo, os fatos recentes revelam uma postura contraditória. Vale recordar suas declarações:
“Hoje é um dia difícil para mim, então, eu só quero deixar publicamente meu agradecimento ao clube que mudou minha vida. O clube que é minha casa no Brasil.”
“Eu vou voltar ao Fluminense e posso falar isso tranquilamente. Para mim, um grande ensinamento que meu avô me deixou, que meu pai, que descanse em paz, minha mãe e meu pai sempre me disseram, é que você deve ser leal ao que sente. Não há nada no mundo, nenhum dinheiro que compre sua essência, o que você representa, os valores que você carrega.”
“Eu nunca vou conseguir pagar tudo o que vocês fizeram por mim nesses quatro anos. Então, como o presidente falou, e eu falo abertamente aqui, não me alongo muito porque eu vou voltar. Algum dia, eu vou voltar aqui, ao Fluminense. Com certeza. E o dia que isso acontecer vai ser especial.”
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A “Europa” que virou São Paulo
É fundamental analisar outros pontos dessa “desconstrução” da idolatria de Arias. Além das promessas não cumpridas, o meia-atacante pressionou a diretoria para ser negociado sob o argumento de que realizaria o sonho de atuar na Europa. Apenas seis meses depois, o jogador retorna ao Brasil para defender um rival nacional.
Outro detalhe que tem sido ignorado por parte da torcida é que o colombiano, antes da venda ao Wolverhampton, recusou uma proposta de renovação do Fluminense que incluía uma significativa valorização salarial. Ele teria um dos maiores vencimentos do país, mas optou pela saída. Agora, a imprensa classifica a oferta do Palmeiras como “irrecusável”, esquecendo-se de que a proposta tricolor também era de alto nível.
Não há espaço para neutralidade nesta análise: Jhon Arias desdenhou da idolatria que construiu no Fluminense. Ao faltar com a palavra, ele abdicou de seu lugar de destaque na história do clube. A partir de agora, passa a ser apenas mais um jogador que teve uma boa passagem pelas Laranjeiras, mas cuja conexão com a torcida foi rompida pela falta de coerência.
A responsabilidade de Mário Bittencourt
Por fim, não posso isentar de críticas o ex-presidente Mário Bittencourt. Ao permitir a saída de Arias pouco tempo após a renovação, o dirigente agiu com amadorismo, priorizando o desejo pessoal do atleta em detrimento dos interesses institucionais do Fluminense.
A verdade é que o colombiano só está vestindo a camisa do Palmeiras porque a gestão permitiu a sua saída em 2025. O cenário torna-se ainda mais desanimador ao constatarmos que o ex-mandatário segue exercendo influência direta nas decisões do clube como diretor-geral.
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