Em novo artigo, Lindinor Larangeira critica a ineficiência ofensiva do Fluminense, cobra a diretoria e aponta que manter Zubeldía compromete a temporada.
(Por Lindinor Larangeira)
Com o terceiro empate seguido no Brasileirão, o Fluminense Football Club já pode pedir música no “Fantástico”? Brincadeiras à parte, o time fez até uma boa partida contra o Bahia. Principalmente, no segundo tempo, que foi quase um jogo de ataque contra defesa.
No cômputo geral, foram 22 finalizações, 9 na direção do gol.
Além da boa performance do goleiro rival, Ronaldo, outra constatação é a de um dos problemas crônicos do time na temporada: a enorme ineficiência ofensiva. Os inacreditáveis gols perdidos por Hulk e Canobbio demonstram a incapacidade que a equipe tem de transformar volume de jogo em vantagem no placar.
No final, o merecido coro em homenagem a um treinador absolutamente perdido. Mas seria Zubeldía o único responsável?

Diretoria omissa e amadora
É muito fácil jogar tudo na conta do treinador. Afinal, é preciso dar uma satisfação rápida para a torcida. Mas o grande vilão dessa história, que a continuar assim não terá um final feliz, é a atual diretoria do clube.
O elenco montado pelos dirigentes tricolores continua com muitos desequilíbrios e carências. Na janela de meio de ano, vieram Hulk e retornou Thiago Silva. Bernal, o único primeiro-volante de ofício do grupo, se foi. Nessa posição, ficou o péssimo Otávio. Uma das muitas contratações inexplicáveis da gestão Mário Bittencourt.
Do elenco, falarei mais adiante, mas ainda sobre a diretoria, a postura frouxa e omissa do presidente Mattheus Montenegro. O papel de vice “decorativo” de Ricardo Tenório. Além da ausência de profissionalismo, direcionamento e cobranças no futebol, de dirigentes muito bem remunerados, como Mário Bittencourt e Paulo Angioni, tudo isso transforma o clube detentor da Taça Olímpica em verdadeiro descalabro.

Diretoria não supriu lacunas do elenco
Alguém arrisca dizer quais são os titulares incontestáveis do Fluminense? Em minha opinião, somente Fábio, Thiago Silva e Martinelli. Lucho Acosta atravessa uma fase ruim, apresentando um futebol bem abaixo do que pode. John Kennedy, mesmo irregular, ainda é a melhor opção para a camisa 9. Canobbio, pelo comprometimento tático se mantém titular.
Analisando o elenco, só temos um goleiro confiável. Problemas nas laterais. Mesmo assim, os contratos de Samuel Xavier e do medíocre Renê foram renovados até o final de 2027. Na zaga, apenas TS3 inspira confiança, e aquele que parece ser o melhor companheiro dele na defesa, Millán, ficará um bom tempo de fora.
No meio-campo temos dois ótimos volantes, Martinelli e Hércules, que com o bom Nonato, suprem bem a “segunda-volância”. O grupo necessita de um camisa 5 de ofício. Ou será que alguém, além dos dirigentes que o contrataram, confia em Otávio?
No ataque, o melhor definidor segue sendo JK. Hulk continua em adaptação, e tomara que agregue no elenco, como Felipe Melo somou. E, antes de contratar mais um atacante de beirada, o garoto Riquelme deveria ganhar mais oportunidades.
Manter Zubeldía é abdicar da temporada
Por fim, a insistência com Zubeldía no comando técnico do time pode levar o Fluminense, novamente, ao mero papel de coadjuvante. Com ele, o ano pode acabar no mês de agosto com possíveis eliminações nas copas.
Sábado é o primeiro desafio. Que João de Deus nos proteja.
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