Em sua coluna no Explosão Tricolor, Vinicius Toledo analisa a vitória do Fluminense por 2 a 0 sobre o Platense, destacando a eficiência cirúrgica e a frustração com o segundo tempo.
Por Vinicius Toledo
E o Fluminense, hein? Papou o Platense no Maracanã por 2 a 0. Foi uma boa vitória, sem dúvida, construída com inteligência e eficiência no primeiro tempo. Mas, cá entre nós, poderia ter sido melhor e deixado a eliminatória praticamente selada.
A parada das quartas de final está resolvida? Claro que não. Ainda teremos o jogo de volta, na próxima semana, em Buenos Aires. Por mais que a vantagem seja excelente — permitindo até uma derrota por um gol de diferença —, todo cuidado é pouco em uma competição como a Conmebol Libertadores.
É bem verdade que o time argentino não é tecnicamente brilhante, mas possui uma característica perigosa: uma marcação muito forte e encaixada. Surpreendentemente, os hermanos marcaram alto desde o apito inicial e, consequentemente, dificultaram a vida do Tricolor na saída de bola. Não foi à toa que o Fluminense finalizou apenas quatro vezes em noventa minutos, um número baixo para o volume que se esperava. Em contrapartida, o Platense finalizou 13 vezes, mas, curiosamente, apenas uma foi em direção ao gol de Fábio. Isso mostra que o domínio territorial deles foi improdutivo.
A genialidade de Ganso e Hulk
A vitória foi construída no primeiro tempo graças a dois excelentes contra-ataques, onde a genialidade individual fez a diferença. No primeiro gol, uma ligação precisa de Hulk para Nonato, mas com um detalhe importante: a jogada começou graças a um desarme providencial de Paulo Henrique Ganso no meio-campo.
Já no segundo tento, vimos um passe absurdo — daqueles que só o maestro possui — de Ganso para o camisa 10, que finalizou com categoria. Essa dupla “gastou a bola”, com uma capacidade técnica acima da média. Foi uma pena que o restante do time não conseguiu acompanhar esse nível de lucidez para aproveitar melhor os espaços.

O segundo tempo frustrante
Não tem como negar que a etapa final foi frustrante. Não houve um torcedor tricolor no planeta que, vendo o cenário do jogo, não imaginasse que faríamos, no mínimo, mais um gol para garantir a famosa “tranquilidade” para o jogo de volta em Buenos Aires.
O Fluminense adotou a estratégia de chamar o Platense para o seu campo com a nítida intenção de explorar os contra-ataques em velocidade. Porém, o plano não funcionou. O time argentino não deu os espaços esperados e ainda saiu para o jogo, mas sem levar grande perigo real. Li comentários nas redes sociais dizendo que os argentinos “amassaram”, porém, deixo uma pergunta provocativa no ar: “Quantas defesas difíceis o Fábio precisou fazer durante todo o jogo?” Exato. Destaque individual para o zagueiro Julián Millán, que salvou um lance de grande perigo com um corte providencial. O colombiano tem tudo para se firmar de vez entre os titulares.
Eu entendo perfeitamente a frustração de parte da torcida. No fundo, eu também saí do Maracanã com esse mesmo sentimento de “queria mais”, porém, temos que ter a consciência de que isso é Libertadores. O Platense possui limitações técnicas? Sim, mas os caras possuem uma disposição tática e uma entrega na marcação absurdas. Essa intensidade, aliada a um bom condicionamento físico, tornou o jogo mais duro do que se previa, mas não evitou que a superioridade técnica individual de Ganso e Hulk decidisse a parada a nosso favor.
Agora é aguardar e focar no jogo da volta. Estarei em Buenos Aires, ao lado de nossa torcida, para acompanhar essa batalha com a esperança e a certeza de que conquistaremos a classificação para a semifinal da América. Fé!
Forte abraço e ST!
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