Em sua coluna no Explosão Tricolor, Lindinor Larangeira analisa a vitória por 2 a 0 sobre o Platense, destacando a dualidade da equipe: um primeiro tempo letal e um segundo tempo de “marasmo”.
Por Lindinor Larangeira
Um primeiro tempo de bom futebol, intensidade e gols. Uma segunda etapa de marasmo, pouca ambição e um futebol sofrível. Foi com esse roteiro de contrastes que o Fluminense venceu o time argentino do Platense por 2 a 0, na noite desta terça-feira, no Maracanã, encaminhando a classificação às semifinais da Conmebol Libertadores.
No início, os hermanos tentaram surpreender com uma marcação alta, mas a linha defensiva tricolor superou a armadilha argentina. Com isso, o time manteve o controle do jogo e a posse de bola, embora tenha demorado a transformar esse domínio em gols.
Aos 21 minutos, porém, o talento individual resolveu. Em um lance de puro oportunismo, como um verdadeiro volante, Paulo Henrique Ganso desarmou o adversário e tocou para Hulk. O “Super-herói” fez um passe açucarado para Nonato, que concluiu um contra-ataque de almanaque: Flu 1 a 0.
Dez minutos depois, aos 31, foi a vez de Ganso ditar a música para Hulk: “Faz e me abraça”. Mais do que isso, Hulk “engraxou as chuteiras” de PHG10 em mais uma jogada de cinema da dupla. Fluzão 2 a 0.
Segundo tempo: sonolência e alerta
Na fase final da partida, quando a torcida esperava o terceiro, quem sabe o quarto gol — resultados que praticamente definiriam a classificação para o Rio da Prata —, o Fluminense, inexplicavelmente, tirou o pé do acelerador. Fica a dúvida se por cansaço ou por uma estratégia equivocada de dar a bola e atrair o adversário.
Se foi cansaço, o técnico Marcão poderia ter mexido mais cedo no time. Se foi estratégia, embora a vantagem de dois gols seja confortável, foi uma opção perigosa. Afinal, com mais um gol, a vida dos argentinos no jogo de volta seria quase impossível. O Fluminense poderia e deveria ter ousado mais. Não fosse a cobertura providencial e o posterior lance acrobático do zagueiro Millán, que evitou um gol certo do Platense, o Tricolor poderia ir para a Argentina com uma vantagem mínima e perigosa. O resultado foi bom, mas, dadas as circunstâncias, poderia ter sido muito melhor…

Notas sobre o jogo e o elenco
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Fábio: Saiu com o uniforme limpinho, o que resume a falta de perigo real do rival. Somente uma defesa fácil em um chute da intermediária.
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Zaga: Thiago Silva não é chamado de “Monstro” por acaso, e Millán provou hoje, mais uma vez, ser o seu melhor parceiro de zaga, com atuações seguras e decisivas.
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Laterais: Mais uma partida sólida de Renê e Guga.
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Meio-campo: Nonato cresceu muito após o gol e fez ótima partida. Martinelli, atualmente, é simplesmente o melhor segundo volante em atividade no futebol brasileiro. Ganso é um dos poucos camisas 10 clássicos que restaram em nossos campos.
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Ataque: Serna é taticamente vital e funciona como a principal válvula de escape do time. Hulk tem melhorado a cada jogo e se entrosado perfeitamente com Ganso. Sobre Soteldo, confesso que ainda não entendo a sua titularidade absoluta.
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Sobre Marcão: Não entendi as críticas ao treinador. O time vem evoluindo visivelmente, e neste jogo, a única observação pertinente é a demora nas substituições. No mais, a consistência e os resultados falam por si. São seis jogos de invencibilidade, lembrando que nos dois empates recentes o Fluminense foi, para ser educado, descaradamente roubado por arbitragens “tendenciosas”.
Fim de semana e o jogo de volta
Para o fim de semana, a tendência é um time misto para preservar os titulares e dar rodagem a Acosta e Savarino. A ideia é poupar Thiago Silva, Martinelli, Renê e Ganso. Hulk, por força contratual com o Atlético-MG, já será desfalque certo.
Sobre o Platense, fica a certeza: é um adversário tecnicamente limitado, mas extremamente aguerrido. Aposta tudo na ligação direta, na marcação alta e, principalmente, no jogo aéreo. Não possuem o toque de bola refinado tradicional do futebol argentino.
É, no papel, uma equipe menos qualificada do que o Independiente Rivadavia, mas times argentinos costumam se superar quando jogam copas. Portanto, todo cuidado é pouco na Argentina. Além disso, é preciso ficar atento ao extracampo. Nas competições da suspeitíssima Conmebol, “fatos estranhos” são uma constante. Vide aquele pênalti, pra lá de maroto, que nos surrupiou uma vitória legítima no tempo normal contra o Rivadavia.
Isso, porém, é papo para a nossa diretoria resolver. E o perigo mora exatamente aí.
Façam o seu fora de campo, senhores! ST!
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