Equipes negociam uma alternativa de crédito para reduzir o impacto de uma eventual restrição ao mercado de apostas no Brasil.
Diante da possibilidade de o presidente Lula restringir parte das atividades das casas de apostas, clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a buscar alternativas para reduzir um possível impacto financeiro. O Governo Federal estuda uma Medida Provisória voltada ao setor, e dirigentes demonstram preocupação com eventuais perdas de receitas de patrocínio.
Os clubes negociam com o Governo Federal a criação de um mecanismo de auxílio financeiro. A CBF participa das conversas como articuladora, mas não como financiadora da iniciativa.
Linha de crédito do BNDES aparece como principal alternativa
O formato do eventual auxílio ainda está em discussão. A proposta que ganhou força prevê a criação de uma linha de crédito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Pelo modelo em debate, os clubes teriam acesso a empréstimos com condições mais favoráveis do que as encontradas normalmente no mercado bancário. Em contrapartida, os recursos teriam destinação específica para o pagamento de dívidas.
A negociação ainda não definiu o valor total que poderia entrar na linha de crédito nem os critérios que os clubes precisariam cumprir para acessar os recursos.
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Corinthians e Internacional lideram conversas
Corinthians e Internacional aparecem entre os clubes que mais atuam nas tratativas. Os dois atravessam dificuldades financeiras e já vinham buscando alternativas para reorganizar suas contas.
As discussões também usam o novo ambiente de controle financeiro do futebol brasileiro como argumento para justificar a concessão de crédito. A ideia defendida pelos envolvidos é que regras mais rígidas de governança e fiscalização diminuiriam o risco de repetir modelos de socorro público adotados no passado.
Clubes temem perda de receitas com as bets
Um dos principais argumentos apresentados nas conversas envolve o peso das empresas de apostas nos contratos comerciais do futebol brasileiro.
Os clubes afirmam que uma restrição mais ampla ao setor pode comprometer investimentos em patrocínios e afetar diretamente receitas já previstas para os próximos anos.
Há também o temor de que a medida inviabilize a operação de boa parte das empresas do setor, hoje entre os principais parceiros comerciais dos clubes.
A estimativa é de que as casas de apostas movimentem cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios nas camisas das equipes da Série A.
Debate ainda deve avançar
Ministério do Esporte, CBF e representantes dos clubes demonstraram interesse em aprofundar as discussões sobre um modelo de crédito. Até agora, porém, não há definição sobre valores, condições, garantias ou prazo para implementação.
A expectativa entre os envolvidos é de que as negociações avancem após as eleições, quando o tema deve ganhar uma discussão mais concreta.
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