(por Vinicius Toledo)
O que estamos testemunhando no futebol brasileiro nos últimos dias não é apenas um escândalo esportivo, é uma verdadeira vergonha nacional.
Nesta sexta-feira, a Caixa Econômica Federal e o Corinthians emitiram uma nota conjunta confirmando que avançaram nas negociações para a quitação da dívida de nada menos que R$ 630 milhões referentes à construção do estádio do clube paulista. O mecanismo? A entrega de naming rights e outros produtos comerciais ao banco público.
Como se não bastasse a manobra para aliviar o cofre de um clube privado com recursos de uma instituição estatal, as partes ainda assinaram um termo de confidencialidade. Ou seja: o povo brasileiro vai pagar essa conta gigantesca sem ter o direito de saber rigorosamente nada sobre os termos do negócio. É o fim da picada!
Um tapa na cara do torcedor e do contribuinte
Enquanto a maioria esmagadora dos clubes brasileiros precisa se desdobrar para manter as contas em dia, cumprir compromissos financeiros e lidar com gestões responsáveis sob o risco de punições severas, o Corinthians parece jogar sob regras próprias.
Recentemente, o clube paulista simplesmente suspendeu o pagamento das parcelas da dívida com a própria Caixa. Não satisfeito, ainda recebeu de volta do banco público R$ 13,5 milhões de uma conta reserva — dinheiro que foi prontamente utilizado para pagar salários atrasados do seu elenco masculino.
Agora, a solução “mágica” encontrada é transformar um passivo de mais de meio bilhão de reais em um contrato comercial com um banco estatal, blindado pelo segredo.
Confidencialidade com dinheiro público?
É inacreditável aceitar que um banco público, mantido pelos impostos e recursos de toda a população brasileira — seja você tricolor, rubro-negro, palmeirense ou nem goste de futebol —, utilize o termo “confidencialidade” para esconder os detalhes de uma operação desse porte.
Trata-se de um precedente perigosíssimo para a integridade e para o equilíbrio financeiro do futebol nacional. Se a moda pega, a responsabilidade fiscal e o fair play financeiro viram piada de mau gosto.
O futebol brasileiro precisa urgentemente de transparência, moralidade e igualdade de condições. Aceitar calado uma farra financeira dessa magnitude financiada pelo Estado é assinar o atestado de que, por aqui, o poste continua a mijar no cachorro.
Vergonha é apelido!
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