A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus!




Foto: Fluminense FC

Buenas, tricolada!

Tenho observado nas redes sociais e no convívio com tricolores, assim como eu, inconformados com a mesmice, com a ineficácia, com o amadorismo e com a incompetência que a Flusócio e Abad vêm impondo à gloriosa história do FFC, um maior desconforto com os próprios acontecimentos, com a improvável manutenção dos nossos destaques (alguns até já rumaram pro infinito e além), com o elenco, que manteve-se no mesmo patamar, sem novidades alvissareiras e sem a busca pela inventividade premente de um outro meia, para fazer sombra ao gringo Sornoza, e com os reforços já contratados que vêm sendo discutidos mais à miúde, pois não representam unanimidade!

Numa boa, lembro-me como se fosse hoje, há uma hora apenas, das chegadas de Robinho e Richard, o primeiro sendo considerado o novo Wellington Nem (os mais ousados falaram no outro Robinho, das áureas épocas de Peixe), e o segundo, tido como um contrapeso, que somente engordaria as já polpudas contas bancárias de Abad e trupe; de Jádson e Gilberto, dois ex-atletas de Bota e Vasco, fracassados, sem mercado, que muito provavelmente não dignificariam o gigantismo do Flu, que já contou com craques e gênios em suas linhas; de Luan Perez e Nathan Ribeiro, quando li e presenciei uma galera defenestrando a diretoria (ela não merece o mínimo respeito, mesmo, a propósito, mas a justiça tem que ser soberana), perdia tempo em trazer jogador da rebaixada Ponte Preta, que cedia gratuitamente o nosso melhor zagueiro – Reginaldo, e um outro, que só havia atuado no Oriente Médio, portanto, sua contratação radiografava a pequenez encruada nas paredes de Álvaro Chaves por estes perdedores há quase 8 anos; de João Carlos, que seria mais uma “boquinha” da família Braga no Laranjal; em suma, em mais oportunidades, estávamos eu e todos os que se dispunham ao debate, a deglutirmos àquelas críticas dos entendedores de futebol, que costumam exumar alguns cadáveres antes mesmo de suas mortes clínicas!

Em contrapartida, vi também um alvoroço dos torcedores pela contratação do Guillermo De Amores, com invasão de conta no Instagram e no “Feice”, e do Luciano, assim como uma desaprovação total pela chegada do Digão! Vamos aos fatos e aos números: em primeira instância, já tem tricolor apedrejando vitral francês e pixando tijolinho de sede, acusando Abad e pares de incompetência por terem trazido um goleirinho frágil e bichado lá de um timeco do futebol uruguaio! Putz! Falta de foco da porra! Inacreditável a bipolaridade de alguns tricolores! É aquilo: o tal do Fernando Collor foi eleito com mais de 70% dos votos válidos, em 1989… Eu particularmente não consigo encontrar sequer um de seus eleitores, atualmente! Ninguém assume filho feio, né não?

Em segundo lugar, a aquisição do Digão foi de razoável para boa, meu povo! É um zagueiro irregular? Óbvio! Jamais será de ponta, assim como Gum, e os próprios Nathan e Luan, por exemplo, estes dois últimos, atualmente transformados em maridos falecidos de um monte viúvas tricolores, que até outro dia, na ocasião de suas chegadas, pediam divórcio. Prosseguindo, no meu entendimento, o ex e atual zagueirão, da arrancada no Brasileirão de 2009, pode agregar experiência e alguma solidez, no lugar do Renato Chaves. Mesmo não sendo prerrogativa para trajar a armadura tradicional das três cores, o cara é tricolor desde os cromossomos, se predispôs a voltar para casa ainda que conhecesse o caos dos invariáveis salários atrasados, ainda que a ebulição política naquele perímetro ganhe novos contornos a cada instante, ainda que a mídia detone a instituição Fluminense Football Club sem dolo e remorso, enfim, ele topou amar o Flu novamente! Está mais rodado, mais maduro, e pode contribuir, de alguma forma… Não trata-se do zagueiro dos meus sonhos, mas é o que tem pro jantar – ainda sou mais ele do que Nogueira, Frazan (por enquanto, pois é muito jovem), Renato Chaves e o especulado Titi!

Em terceiro, o atacante Luciano foi boa contratação, de fato, mas se fizer uns 4 jogos ruins, quem duvida das marretadas dos interventores morais que residem nas arquibancadas verde, branca e grená? Essa impaciência da nossa torcida é histórica, e não cabe como desculpas somente porque vivenciamos um período negro da nossa existência, com essa tal de FluSócio… Lembro-me do ódio ao nosso técnico Cláudio Garcia, em 1983, quando ele ousou barrar o ponta esquerda Paulinho, joia da base, um azougue, e um dos destaques da recente conquista do Mundial sub-20, à época, no ano anterior, em prol de um tal de Tato, desconhecido jogador que chegara no “lixo colorado”, de Porto Alegre, juntamente com o Jandir. Neguzim esperava o nosso ex-camisa 11 cometer um mínimo equivoco pra gitar: “Paulinho, Paulinho…”; e rotular o nosso “incompetente” treinador de burro! Pois é, aprendemos a amar o excepcional Tato, não é mesmo?

É constante nas nossas vidas: a tricolada é autofágica ao extremo, muito mais do que quaisquer torcidas rivais! Como a nossa própria carne é saborosa, bem combinada – e valorizada por um sentimento inverso -, com a saladinha que a acompanha – a grama do vizinho -, que é sempre mais verde (always greener)! O pior é que não aprendemos, caramba! TN10 pisou no Flu como sombra de Carlos Alberto; o eterno carrasco Assis, pousou no Santos Dumont como contrapeso do Washington; mais recentemente e guardando todas as proporções do universo, o Richard chegou repleto de desconfianças, como troco do Robinho… O tal do futebol via de regra nos estapeia, todavia, não nos cabe conformismos, e sim empáfias: buscamos novas verdades, renovadas normas e moderações, e distintas luzes de ribaltas, normalmente para que possamos bater em nossos peitos e bradar aos sete ventos: – viram, não disse?!

Bem provável também que o pobre Marcelo Oliveira torne-se mais uma bode expiatório, se tropeçar em 4 ou 5 partidas consecutivas. Esta é a sina tricolor de uns cinco anos para cá: divergências internas e externas, guerrilhas políticas, descasos, incongruências nas arquibancadas, e luta pelo poder ainda mais acirrada do que corrida à Presidência da República Federativa dos Bananas, também conhecida como Brasil! Os reflexos destas mazelas observamos nas redes sociais, nas resenhas dos bares e nas saídas dos estádios: torcedores cada vez mais confusos entre o amor ao clube e o intrínseco ódio a Pedro Abad!

Para encerrar, vários leitores, ao se depararem com textos como o presente, rotulam os seus autores de torcedores-gestão, de conformados com a propalada pequenez imposta por Abad e parceiros, e acostumados com o status de coadjuvante a que nos inseriram, no cenário mundial do desporto… creem que nós, os ponderadores e equilibrados, esquecemo-nos de que o FFC trata-se de uma entidade mais do que centenária do futebol tupiniquim, que anda mergulhada em tacanhice, brevidade e miséria por desmandos dos seus inapropriados gestores. Contudo, estas não representam as fiéis interpretações dos fatos. Oras, os tais mandatários já esclareceram inúmeras vezes que NÃO CONTRATARÃO CRAQUES, relatam, a cada entrevista, ou no próprio site oficial do clube, que o período é de contenção, que as sondagens e chegadas de atletas serão controladas e casadas à disponibilidade de verbas, que os investimentos serão modestos, de fato, e que é hora de apertar o cinto… Pô, de que adianta somente vir às mídias e “malhar um Judas” diuturno por inserção? Eu igualmente não tolero e me amarguro com as possibilidades, mas as notícias sobre as buscas por Titi, Henan, Digão, Luciano Naninho, Júnior Dutra e João Carlos fazem parte do nosso script desde que Pedro Abad substituiu Peter Siemsem, viés tão inconformante quanto o das épocas das Segundonas e da Terceirona, quando tínhamos no elenco nomes como Sérgio Alves, Paulinho McLaren, Marcos Brito, Roberto Brum, Hélio, França, Marcelinho Paulista, Alexandre Lopes, Gélson Baresi, Aílton Cruz, Odair, Jean Carlos, Túlio (com 112 anos), Télvio etc!

Eu sou MUITO A FAVOR do impeachment dessa “tchurma” lá dos gabinetes, apesar de não crer na sua viabilidade, mas, enquanto o mundo não acabar, enquanto o Armagedon estiver somente rondando o simpático e aprazível bairro das Laranjeiras, temos que continuar respirando como se nada viesse ocorrendo! Somos Fluminense, e não torcemos para os seus Presidentes, nem mesmo para aqueles que nos encheram de glórias, como Horta e Schwartz!

Galera, o Fluminense é maior que esses caras, não canso de dizer, e o apoio ao clube e ao time deve independer das broncas que acumulamos destes desnorteados seres da FluSócio, que invadiram Álvaro Chaves, trancaram os portões e engoliram as suas chaves, sem o mínimo intuito de digeri-las e evacuá-las!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon



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