A (ir)responsabilidade sobre o coronavírus




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor



E tá tudo parado por causa do coronavírus! Provavelmente o dérbi campineiro entre Guarani e Ponte Preta de ontem à noite foi a última partida que o torcedor assistiu antes da paralisação completa das competições nacionais. E, por óbvio, o assunto de hoje não poderia ser outro que não a influência dessa pandemia no futebol brasileiro e no próprio Fluminense.

Destaco inicialmente que o clube suspendeu, por sete dias, todas as atividades do departamento de futebol, incluindo a realização de treinamentos das categorias de base e dos profissionais. A própria Ferj recomendou que os clubes cariocas adotassem tal medida como forma de prevenir o contágio do vírus.

Ponto para a diretoria! Se por um lado a paralisação integral do departamento de futebol gera prejuízo à parte física e técnica dos atletas, o que pode impactar na retomada das competições, por outro é fundamental para preservar a saúde deles, assim como de todos aqueles que estão diretamente vinculados ao dia-a-dia dos jogadores.

Em seguida, merece atenção especial a reunião realizada na Federação de Futebol do Rio nesta segunda-feira e a postura dos clubes quanto a então possibilidade de suspensão do campeonato, o que veio a ser confirmada ao final do evento.

Desde o início, o Fluminense foi favorável à suspensão das partidas, até pelas razões já expostas. No mesmo sentido também se posicionou o Botafogo, coerente com o protesto dos seus atletas que, no domingo, entraram em campo com máscaras no rosto demonstrando o descontentamento pela realização da partida.

Contudo, surpreendeu a postura inicial de Flamengo e Vasco contrária à paralisação do campeonato. Por incrível que pareça, os dois clubes, alegando possíveis prejuízos financeiros, entenderam, logo no início, que não havia motivos para suspender o futebol carioca neste momento.

Inclusive, o presidente do Boa Vista, em entrevista ao Globoesporte.com, disse que os clubes de menor investimento, juntamente com Flamengo e Vasco, queriam manter o campeonato pelos próximos sete dias para terminar a fase de grupo da Taça Rio.

Aqui, as coisas devem ser colocadas na devida ordem de prioridade. Sendo assim, não existe nada mais importante que a saúde do ser humano. Não tem lado econômico que seja superior à prevenção neste momento. A precaução para evitar o contágio com o novo coronavírus deve estar acima de qualquer pensamento meramente financeiro.

Mesquinha e vil a conduta de Flamengo e Vasco neste episódio. Não podendo se descartar aqui que os dois clubes tenham influenciado diretamente os pequenos na votação contrária à suspensão do campeonato. Querer que os jogadores se submetam ao risco de contágio em nome da arrecadação financeira é jogar por terra qualquer sentimento de humanidade e de respeito ao próximo que o futebol e o esporte em geral devem prezar.

Não se deve esquecer que, no fim da tarde de ontem, correu a notícia de que o técnico do Flamengo, o português Jorge Jesus, teve resultado “inconclusivo” no teste do novo coronavírus que realizou. Ou seja, ele pode estar infectado. Mesmo com esse gigantesco sinal de alerta, o clube do treinador resolveu adotar a irresponsabilidade como forma de tratar uma pandemia mundial como essa. Inaceitável!

Qual a mensagem que as diretorias de Vasco e Flamengo passaram para os seus torcedores? Não consigo ver outra que não a de fazê-los crer que o dinheiro é mais importante que a saúde dos jogadores. E isso pode ser grave na medida em que o torcedor tende a encarar a atitude como um incentivo a não tomar os cuidados necessários que a situação requer. Já não basta a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro ao tratar a doença como algo de menor importância; os dirigentes vascaínos e flamenguistas resolveram copiar essa atitude irracional.

E os estádios? Continuariam vazios durante os jogos desta semana? Qual a graça do futebol sem a torcida na arquibancada? Será que Alexandre Campello (Vasco) e Rodolfo Landim (Flamengo) pensaram nisso?  

Para o bem de todos, no final o bom senso prevaleceu e as partidas foram suspensas. Até os presidentes de Flamengo e Vasco voltaram atrás e notaram que não teria futuro a proposta de manutenção da competição. 

Sim, estou triste por não acompanhar o Fluminense nas mais diversas competições. Porém, consciente de que este é o melhor caminho a ser adotado como busca da prevenção da contaminação, seja das pessoas envolvidas diretamente nos jogos, seja do torcedor na arquibancada.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



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