A xepa tricolor




Foto: Fluminense FC



A XEPA TRICOLOR!
Buenas, tricolada! Hoje eu farei uma abordagem sobre uma matéria muito delicada. Ela envolve crescimento profissional, progresso de circunstâncias econômicas, melhoria de condições de trabalho e inconformismo com o não cumprimento de compromissos acordados. Mas também envolve gratidão e lealdade, que não são encontradas em prateleiras de supermercados!
Um dos fatos geradores de todos os problemas em que o Flu está atolado hoje são os malditos atrasos salariais. Desde o final de 2017, quando jogadores entraram na justiça para requerer os seus “passes”, que a bola de neve só cresceu. Vendem-se ativos, negociam-se prejuízos e boletos, livram-se de encargos indesejáveis e transferem-se responsabilidades fiscais. Mas o bolo parece estar cada vez mais temperado com fermento!
De nada adiantou a diretoria tricolor reduzir a folha de pagamento, quebrar contratos, livrar-se de alguns passivos mais antigos, desfazer-se de alguns barões físicos e institucionais que comprometiam a saúde financeira do clube, e abrir mão de tantos pactos, porque os rescaldos dos desmandos acumulados continuam respingando nas Laranjeiras e no CT Pedro Antônio a todo momento!
Oras, o trabalhador tem que desfrutar de todos os seus direitos. Exige-se que o empregador se vire para que os caras recebam nas datas certas. É condição inegociável! Mas não adianta, no Fluminense o mês tem 45, 60, 90 dias, sei lá!
É constrangedor e revoltante a gente abrir os jornais, acessar os sites, ouvir nas rádios e assistir nas TV’s a qualquer instante que o FFC corre o risco disso. A nossa grana ficou retida por embargos. O clube pode ser penalizado com aquilo. Fulano vai não sei pra onde. Beltrano não quer renovar contrato. Cicrano deve entrar na justiça. O grupo faz greve nos treinamentos… E as soluções, porra? Só ouço e leio os surrados jargões, há três longas primaveras: “estamos trabalhando”!
No entanto, mesmo com toda essa retórica, ontem me peguei reflexivo sobre o tema, sem deixar de dar total razão aos reclamantes, é óbvio. E concluí o seguinte: é mole chutar Chihuahua morto, né? Vai bicar um Rottweiler de três anos, criado a Ovomaltine, vai!
Na metade do ano retrasado, quando os problemas salariais tornaram-se mais crônicos no Fluminense, TODOS OS JOGADORES sofreram com as incertezas. Cavaliere e Gum, inclusive. E por qual motivo estes dois, por exemplo, não a aventaram a hipótese de brigas judiciais? Ou será que somente ambos tinham os seus vencimentos depositados fielmente a cada dia 5 dos meses, ao contrário dos demais?
No final daquela temporada, qual jogador apunhalou o seu clube formador pelas costas? Lembram? Mas insistentemente ratifico, para que não criem-se devaneios: o funcionário tem que usufruir dos seus direitos alienáveis. Ponto!
Sem citar nomes aqui, retrocedi ainda mais no tempo e recordei-me de outro caso. Um certo jovem e promissor zagueiro, que ganhou os seus direitos federativos nos tribunais, no final de 2009. E que se diz tricolor de coração até hoje.
Assim como o tal zagueiro, um jovem veloz, atacante, que havia se destacado na base e feito um ótimo torneio na Europa com o sub-20 do Flu, também chamou a atenção de gigantes do Velho Continente. Ele era empresariado por um ex-jogador, revelado em São Januário – e que também passara pelo Flu, no final de sua carreira.
Pois é, ambos saíram pela porta dos fundos da Rua Álvaro Chaves, 41.
Aonde eu quero chegar? Simples! Não há mais empatia, gratidão e lealdade dos meninos que se tornam profissionais com os seus clubes formadores – ou os que vieram de centros menos badalados e de entidades esportivas de menores relevâncias. Independentemente das mazelas com que estes referidos clubes possam estar conduzindo as relações patrão-empregado!
Em contrapartida, alguns jogadores, talvez uma minoria, ainda respeitam as tradições de um clube, o passado de triunfos e ineditismos, mesmo não tendo laços mais antigos e juvenis, como os meninos das bases.
Os casos Everaldo e Calazans demonstram o quanto a importância e o apreço dos paladinos com os clubes que serviram-lhes de vitrine foram jogadas descarga abaixo!
Jamais eu criticaria a necessidade de crescimento profissional de quaisquer cidadãos, pois este é um dos compêndios da nossa caminhada de vida, mas há fórmulas e fórmulas de conquistarem-se méritos.
A bem da verdade, o Fluminense Football Club hoje se transformou numa xepa, que jogadorezinhos inexpressivos – ou apenas promissores – e seus empresários usam de trampolim financeiro, político e profissional. Eles entram como chuchus, pensando em sair como badejos. O Tricolor é grande demais, senhores da FluSócio, representantes e atletas em começo de carreira – ou desconhecidos!
Muito dignos, pra mim, foram Gum e Cavaliere (este último somente entrou na justiça por causa da maneira como foi dispensado – pelo Whatsapp), a quem fiz hodiernas observações aqui mesmo. E mais recentemente o Gilberto e o seu agente, que abriram mão de propostas melhores por gratidão ao Flu. Sim, porque o lateral-direito ficou seis meses no estaleiro, e mesmo com salários atrasados, sentiu-se devedor do clube.
O curioso é que o Calazans esteve por mais de um ano no Depto. Médico, por conta de uma grave contusão. Mas na primeira oportunidade ele vai dar de ombros para a instituição que foi formadora de seu caráter, que forjou o seu estilo de jogo, que o abraçou e que manteve-se ao seu lado quando passou por momentos de dores e angústias. Ave, Dón Fredón, até hoje grato à nossa torcida, que o cingiu depois da Copa do Mundo no Brasil!
Como fiz referência no começo do texto, este assunto é bastante inconclusivo e intrincado, mas as consequências de determinadas atitudes não podem ser deixadas de lado, como se estivesse tudo zero a zero! Não está! O Fluminense deve dinheiro a vocês, é fato. Mas vocês devem a vida ao clube das três cores que traduzem tradição, mal acareando!
Ah, e quando fiz uma alusão comparativa entre cães, apenas para que não fiquem dúvidas, não propus nenhum debate sobre o tamanho do Tricolor. Eu sei muito bem, há 57 anos, que ele é enorme, glorioso e histórico. Aliás, para que se encerrem definitivamente os mimimis, o Fluminense é um Rottweiler de três anos – precisando que o seu dono o alimente com uma boa ração e lhe dê carinho, e não um Chihuahua em decomposição.
Quem quiser vazar, que vá com o Criador e seja feliz. Não serão vocês que implodirão uma arquitetura fincada em 117 anos de honra, conquistas e muitas memórias gloriosas!
Até a próxima.
Saudações eternamente tricolores!
Rapidinhas:
– Não conheço os trâmites legais, não sei se na sua recente renovação de contrato consta alguma cláusula que o impeça de defender oficialmente as nossas cores. Mas diante da insegurança do Rodolfo, por que não testar o De Amores? Seu nome saiu no BID. Ele está em franca recuperação, somente onerou os nossos cofres até agora e sequer teve alguma chance, desde que chegou à casa, há um ano. Não custa pagar pra ver.
– A imprensa uruguaia o trata como o virtual substituto do Muslera, na Celeste Olímpica. E o cara tem qualidades, mesmo. Quem sabe o De Amores não se transforma na redenção de nossos males, debaixo dos três paus?!
– Fernando Diniz, ministre Maracujina pros jogadores! Os caras estão com os nervos à flor da pele, dentro de campo! Eles não podem confundir sangue nos olhos com surto psicótico!
– A minha continha de equilíbrio entre os quatro grandes em clássicos foi por água abaixo. Fiz esta referência depois do duelo contra o Bota. Depois disso, encaramos o Flamengo duas vezes e tomamos piabas. Hora de reverter o quadro, rapaziada!
– Diniz, meu filho, quero ver o Nino no time titular (até a volta do Digão), Caio Henrique no meio, Mascarenhas na lateral. E que você dê mais chances às duas joias: João Pedro e Marcos Paulo.
– O Ganso pode pegar um gancho bem grande, por causa da expulsão no Fla-Flu.
– O pessimismo não faz parte do meu vocabulário. Mas está cada vez mais claro que Everaldo e Calazans estão de malas prontas…
– O Calazans está desmentindo as notícias que revelam a sua provável saída. Mesmo depois de o seu agente afirmar que seria quase impossível uma renovação com o Flu. Repito: onde há fumaça…
– Ah, o Cariocão não vale nada, dizem muitos tricolores. Por um acaso vocês se revoltariam se o ganhássemos? Eu, hein!
– Sou de um tempo em que o Flu entrava em TODOS OS TORNEIOS pra vencer!
– Como é bom ver o nosso P9 voltando aos gramados, treinando com o grupo pela primeira vez desde a séria contusão, e enchendo os corações tricolores de esperanças!

Ricardo Timon

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