Analisando a entrevista de Mário Bittencourt




FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.



Analisando a entrevista de Mário Bittencourt

Semana começando a mil! Por mais que a nossa torcida não tenha digerido muito bem a chegada de Oswaldo de Oliveira, a verdade é que ninguém consegue pensar em outra coisa que não a partida decisiva contra o Corinthians no Maracanã. Mas, ainda assim, dá tempo de repercutir a entrevista do presidente nesta segunda-feira.

É galera, a expectativa em torno da partida de quinta não nos pode permitir desperdiçar o momento em que Mário Bittencourt concede entrevista. Afinal, ele é o presidente e tudo que fala interfere diretamente na gestão do Fluminense, seja positiva ou negativamente. E a coletiva desta segunda teve vários pontos que merecem a devida análise. Destacarei três: a situação de Pedro, a contratação de Oswaldo de Oliveira e a avaliação de sua gestão.

Quando o assunto foi o futuro de Pedro no elenco, Mário foi evasivo e disse que não houve nenhuma proposta efetiva pelo atleta. Considerando que a janela de transferência para a Europa se encerra no próximo dia 2 de setembro, é possível que o atacante permaneça nas Laranjeiras pelo menos até o fim do ano, o que é essencial para a disputa da Sul-Americana e a luta para não cair no Brasileiro.

Na minha visão, mesmo errando uma série de gols nas últimas partidas em que esteve em campo, Pedro ainda tem a confiança da torcida e sabe fazer gol. Se Oswaldo cumprir a promessa de manter o esquema ofensivo de Fernando Diniz, o centroavante será imprescindível para que o time atinja suas metas neste ano.

Já a contratação de Oswaldo de Oliveira, também abordada por Mário, foi o assunto mais polêmico dos últimos dias. Diversos torcedores queriam a manutenção de Fernando Diniz no cargo, enquanto outros pediram a sua cabeça. Contudo, quase todo mundo por se arrepender quando o novo técnico foi anunciado.

Estou entre aqueles que ainda apostavam em Diniz. Mas como escrevi na minha última coluna, se eu fosse Presidente também o demitiria. Afinal, o futebol brasileiro é imediatista e ninguém iria perdoar se o time caísse sem ter tentado a troca de treinador antes. Simples assim!

Todavia, não podemos olhar pra trás. Hoje, a nossa realidade é Oswaldo de Oliveira e é com ele que possivelmente iremos até o final da temporada, independentemente dos resultados que vierem daqui por diante. A análise, boa ou ruim, deve ser feita para o futuro e a arquibancada deve apoiar o técnico neste início de trabalho – não dá pra ir contra só pra falar “eu avisei”. 

E uma coisa já me agradou em Oswaldo de Oliveira: na entrevista de ontem ele disse que pretende manter o esquema de Fernando Diniz, apesar de um pouco mais cauteloso. Que assim seja e que nas suas mãos o time seja campeão da Sulamericana e se livre da zona de rebaixamento de uma vez por todas!

Mas a opinião mais importante de Mário Bittencourt na entrevista de ontem foi quando avaliou a sua gestão até aqui. Ele está certo quando diz que tem apenas três meses à frente do clube, o que é pouco tempo para ajeitar a casa, ainda mais com o estrago feito pela Flusócio – gestão na qual ele participou, diga-se de passagem.

Trouxe uma informação importante que até então era pouco divulgada: o Fluminense tem a 14ª folha salarial dos clubes que estão na série A. Ou seja, só seis clubes pagam menos que o time das Laranjeiras, o que justifica a dificuldade em se obter um elenco encorpado para ir bem em todas as competições. 

Por enquanto, a crítica ao seu trabalho está no completo silêncio quanto à contratação de uma auditoria independente e reconhecida para averiguar a situação do Fluminense. É questão que não pode mais esperar porque ninguém quer mais ler um balancete com um gasto enorme no backoffice sem a divulgação dos nomes envolvidos. A transparência é fundamental para o resgate da credibilidade do clube em todos os aspectos.

E neste aspecto o pouco tempo não é motivo para impedir a contratação. Assim como já escrevi tão logo o Mário e Celso assumiram o comando, a auditoria independente é exigência de primeira ordem e deveria preceder a qualquer outra. Com ela será possível identificar a real situação do time de Álvaro Chaves e projetar o futuro, com informações claras e precisas, que é o anseio da torcida e de todos os que negociam com o clube.

Enfim, o foco deve ser a partida da Sul-Americana, mas sem nos esquecermos dos assuntos do cotidiano que poderão ter grandes repercussões no futuro do clube. e fica o alerta: se não fizer uma auditoria, Mário estará fadado a ter o mesmo insucesso e críticas que a Flusócio tinha quando deixou o cargo. Tem que fazer diferente Presidente! Isso é fundamental para o nosso futuro.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura

PUBLICIDADE