Bilu Teteia!




Gilberto (FOTO: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.)

Buenas, tricolada! Vamos nós para mais uma temporada de futebol no Brasil. E tome Carioquinha para (des)animar as nossas semanas! Mas não tem jeito, né? Está no calendário!

O Fluzão foi o único grande a estrear com vitória no Estadual 2020. Obrigação? Talvez! Sete dias de treinamentos, técnico novo, chegadas e saídas de atletas, campo de várzea (aquele da simpática Bacaxá), desfalques em profusão, muitos garotos assumindo a responsa por causa das ausências, enfim, tínhamos tudo para deixar “de grátis” um ou três pontinhos contra a Cabofriense, no domingo último. E se não fossem os “golaços” do Marcos Felipe e do Luccas Claro… Ah, e o do Nenê também, é evidente. Bola nas redes depois das boas jogadas de Mateus Alessandro e Hudson.

Pois é, começar ganhando é fundamental. Dá moral, confiança e respaldo para a continuidade do trabalho. Um a zero foi de bom tamanho! E ainda tem muita gente boa para entrar em campo com a nossa armadura!

Isto posto, veio a segunda rodada! Fluminense e Portuguesa, quinta-feira, às 8 da noite, num Maraca chuvoso quase às escuras. Foram poucas as testemunhas do segundo triunfo do Tricolor no torneio. Dá-lhe, Rubinho!

Como dizia o intérprete Mauro Celso, que cantava o hit Bilu Teteia – além de Farofa-fá, o Flu, mesmo ante a todos os contratempos, brincou com a Lusa do Rio como se brinca com um bebê! Mesmo tendo que deglutir algumas sofrências defensivas por conta do desentrosamento e dos desfalques. Começo de trabalho é sempre assim: os adversários menores voando fisicamente em razão do maior tempo de preparação e os gigantes tropeçando, eventualmente. Pois é, o primeiro tempo deu paúra!

Aliás, acompanhei praticamente a todos os jogos da primeira rodada e a alguns dessa segunda. Putz! O gabarito dos times pequenos neste ano despencou vertiginosamente! Os caras pioraram demais em relação a 2019! Numa boa, não antevejo surpresas dos nanicos no atual certame, como a do Bangu, por exemplo, na estação passada. Pode ser que eu me engane, mas… Talvez, diante dos resultados, Madureira e Voltaço deem trabalho, mas nada que assuste.

O fato é que o FFC somou mais três pontos contra a equipe da Ilha do Governador e caminha com certa tranquilidade ainda neste começo de ano. A calmaria no Laranjal sempre é bem-vinda! Foi um bom 2×0!

Contudo, vem pedreira por aí, serão 10 partida em um mês… Verdadeira maratona! O Odair Helmmann deve fazer um rodízio de jogadores, de repente priorizando a Sula e um pouco da Copa do Brasil. Se não utilizar tal subterfúgio, vai ter mais gente “estourando” músculos. Já foram três antes mesmo da peleja inaugural – Caio Paulista, Evanílson e Marcos Paulo, e mais um, o Yuri, depois do confronto diante da equipe praiana! O volante inclusive foi sacado na metade da etapa complementar, no primeiro embate do ano, a seu próprio pedido.

No duelo contra a Portuguesa, no segundo período, depois de um primeiro tempo sofrível, o Flu mudou de postura. Odair, com uma simples alteração no intervalo, transformou o time e a sua forma de atuar. Bilu teteia!

Gostei muito de quatro jogadores: Marcos Felipe foi um deles. Ele realizou ao menos umas três defesas importantes, além das boas saídas de gol. Creio que o Muriel terá vida dura daqui para adiante. Pintou uma sombra e tanto para tirar o seu sono tranquilo.

O nosso Maldini Ferraz foi mais um destes quatro. É impressionante a sua capacidade de jogar simplificadamente, de subir na cabeça, atrás e na cozinha inimiga, e de tocar a bola com eficiência. E olhem que ele ainda requer de ritmo, depois de quase um ano parado.

Hudson é uma grata surpresa. OK! Os confrontos no Cariocão não são parâmetros, mas a gente percebe a sua entrega nas quatro linhas, a sua clarividência na transição e nas metidas de bola pros atacantes, e a sua facilidade de encontrar companheiros desmarcados. Guardando proporções, ele lembra demais o Jandir.

O quarto elemento é o Nenê! Pra queimar a minha língua pela enésima vez! Ainda que o camisa 77 atrase alguns contra-ataques, peque por excesso em determinados lances e escolha algumas jogadas equivocadamente, a sua liderança, a sua bola parada e as suas eventuais assistências fizeram a diferenças nessas duas rodadas iniciais. Além de tudo, o malandro é o nosso artilheiro na competição, com dois tentos consignados.

Gostei um tiquinho do Luccas Claro, do Gilberto, do Dodi e do Julião. Mas não apreciei as performances do Orinho, do Lucas e do Felipe Cardoso. Novamente! E o Mateus Alessandro voltou a ser o vagalume de sempre.

Inclusive, quem me acompanha mais à miúde aqui no Explosão Tricolor decerto tem conhecimento do meu desconforto em apontar dedos. Tachar de talentosos ou perebas fulanos e beltranos não caracterizam o meu feitio de críticas… Mas o Felipe Cardoso vai nos dar inúmeras dores de cabeça no ano. Ele não é jogador de time grande. Pretendia conceder-lhe mais tempo, pois trata-se de um jovem, mas matar uma bola é be-a-bá do futebol. Numa boa, espero me desdizer aqui mesmo neste espaço, caso ele me prove o contrário.

Tenho conceitos e pensamentos similares quando o assunto é Pablo Dyego. Ponto! Sem mais delongas a respeito!

Entretanto, vocês devem estar imaginando: o escriba endoidou? Ele não vai citar o Miguel? Deixei a cereja do bolo para o epílogo!

O guri é diferente! Tem somente 16 tenros aninhos e muito a evoluir. Sem o elenco completo, como nestas duas primeiras partidas, ele tem que começar no onze titular! É cedo? Talvez! O garoto pode se queimar, se não for bem? Não acredito!

Contudo, é contra Cabofriense e Portuguesa que o moleque tem que ser testado, e não colocado em fogueiras, como salvador da pátria, diante de Flamengo, Grêmio ou Palmeiras, por exemplo. Hora de separar o menino do homem, e o Odair terá a sensibilidade para tanto, eu imagino.

Em suma, a temporada promete. Levo fé num ano mais seguro e repleto de boas surpresas – e de bilus teteias. Sim, porque já passou da hora de reconstruírem o Fluminense Football Club… Vejo os vapores dos bons fluidos rondando Álvaro Chaves e o C.T. Carlos Castilho. Coisa de otimista inveterado. Coisa de torcedor apaixonado pelas três cores que traduzem tradição.

Até a próxima.

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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