Caiu do céu




Danilo Barcelos (FOTOS: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.)



Após a boa atuação no empate com o Atlético-MG, que fez até com que alguns tricolores já começassem a falar em disputa de título, o Fluminense voltou a decepcionar. Ou melhor, retornou à sua realidade… Antes de tudo, o torcedor necessita aceitar que o atual elenco tricolor não foi montado nem para disputar vaga no G-6. Para quem gosta de analisar apenas com base em números, a folha salarial tricolor não está nem entre as dez maiores da Série A. Sendo assim, é meio de tabela e olhe lá. No entanto, as circunstâncias dos resultados colocaram o Tricolor numa situação inimaginável para grande parte da torcida. Isso é bom por um lado, mas ao mesmo tempo é complicado, pois cria-se uma perigosa ilusão.

O Fluminense iniciou o jogo em cima do Ceará. Não à toa, o gol não demorou a sair. Jogada bem armada pelo Nenê. belo cruzamento do Danilo Barcelos e um golaço de cabeça do Luiz Henrique. Vale destacar o posicionamento de Fred na área cearense, pois ele arrastou dois zagueiros e, consequentemente, abriu espaço para que a nova revelação de Xerém ficasse livre para marcar o seu primeiro gol como profissional.

Infelizmente, a superioridade tricolor acabou logo após o gol do Luiz Henrique. A equipe do Ceará soube marcar bem a saída de bola do Fluminense. Infelizmente, a precoce saída do Yago Felipe foi um fator que jogou contra, pois ele vinha dando um dinamismo interessante ao time. Para piorar, a decisão do Odair Hellmann foi muito infeliz ao optar pela entrada do André, que não possui as características do Yago e nem do Michel Araújo. O garoto rende mesmo à frente da zaga.

Tudo bem que não daria para colocar o Ganso, pois o time ficaria totalmente engessado já que ainda teria Hudson, Nenê e Fred. Miguel, que nunca entra, poderia ter sido uma opção. Por falar nisso, como o clube explica a situação desse garoto? Num único dia, o Fluminense disputou quatro jogos de Campeonato Brasileiro no Sub-17, 20, 23 e profissional. E em nenhum deles, o Miguel entrou. Vale a reflexão para o pai dele, que exigiu que o garoto pulasse etapas e também para o próprio Fluminense. É amadorismo que se fala?

Com um meio de campo sem nenhuma cabeça de pensante e um lado direito inexistente, o Fluminense não fez mais nada. O gol de empate do Ceará até demorou para sair, mas também só saiu graças ao Sr. Hudson. Inclusive, a saída dele no intervalo me surpreendeu, pois o volante é praticamente uma entidade sagrada no atual elenco. Ainda sobre o gol, vale lembrar que bola na pequena área é sempre do goleiro…

No segundo tempo, nada mudou. Ou seja, o Ceará seguiu dominando, mas só desempatou por causa de uma falha bizarra do Digão. Uma pena, pois o zagueirão vinha bem na partida. Junto com o Nino, Dodi e André, Digão bloqueou diversas finalizações do ataque cearense. Paciência…

O Fluminense só retornou ao jogo após a entrada do Paulo Henrique Ganso, pois o camisa dez distribuiu bem o jogo e deu uma organizada básica no meio de campo. Por sorte, mas muita sorte mesmo, o time achou o gol de empate no final. Boa jogada do Caio Paulista, excelente ajeitada do Fred e surpreendente presença do Danilo Barcelos na pequena área para finalizar.

Diante de tudo que ocorreu no jogo, o Fluminense ganhou um ponto. Essa é a mais pura verdade, pois o Ceará dominou boa parte da partida. Ainda bem que, no final das contas, futebol é bola na rede. E nesse quesito, mesmo criando pouco, o Tricolor vem mandando bem. Esse pontinho caiu do céu.

Curtinhas:

Igor Julião para jogar uma vez ou outra, até dá. Com muitas restrições, mas dá. O que não dá é para efetivá-lo como titular!

– Até quando teremos que aturar o Hudson?

– O presidente Mário Bittencourt reapareceu nas redes sociais para deixar uma mensagem de apoio ao time Sub-23 antes da estreia no Brasileirão da categoria. Porém, o seguinte trecho me chamou atenção: “Nosso jovem Luiz Henrique que já integra o time profissional é um grande exemplo dos frutos desse trabalho”. Com toda sinceridade, falar que o garoto é fruto desse projeto é algo pra lá de equivocado. Bota equivocado nisso…

“O Lucca vai ter a oportunidade dele, como todos os jogadores. Nós temos muitos jogadores na função e não consigo colocar todos ao mesmo tempo no mesmo jogo”, disse o técnico Odair Hellmann na coletiva pós-jogo. Se tem vários jogadores para a posição, então contratou o Lucca para engraxar as chuteiras da rapaziada?

Forte abraço e ST

Vinicius Toledo



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