Cartão de visitas




Odair Hellmann (FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC)



Um mês de trabalho é pouco tempo para uma avaliação mais rigorosa? Sim. Porém, o cartão de visitas do profissional geralmente mostra um pouco do seu perfil e algumas de suas características.

No caso do técnico Odair Hellmann, o cartão de visitas dele não foi nada animador apesar de alguns tricolores terem se iludido com os resultados da fase de grupos da Taça Guanabara. Primeiramente, algumas escolhas do comandante tricolor são pra lá de questionáveis. O que falar, por exemplo, do Miguel atuando como atacante? E o Matheus Ferraz esquentando banco? Nem falarei do Nino, pois ele retornou agora da seleção.

É óbvio que ninguém é milagreiro. Como também é óbvio que a gestão de futebol cometeu alguns sérios equívocos na montagem do elenco, elaboração do planejamento e no estabelecimento de prioridades. Contratar dois volantes acima de 30 anos de idade é algo pra lá de questionável. Um até passaria, mas dois? Não ter esticado a pré-temporada para os principais jogadores parece não ter sido a escolha certa, pois isso com certeza acelerou várias etapas.

Apesar dos problemas, o atual Fluminense pode entregar algo razoável para a temporada. Porém, resta saber se o Odair Hellmann está disposto a rever os seus próprios conceitos. De cara, escalar o que tem de melhor e respeitar as características dos jogadores são obrigações básicas.

A zaga pode dar um enorme salto com as entradas de Nino e Matheus Ferraz. No ataque, Marcos Paulo não anda bem. Como é início de temporada e ele está retornando de lesão, dá para dar um desconto. Porém, o Fernando Pacheco mostrou um excelente cartão de visitas. Vale lembrar que o peruano vem no ritmo desde o início do ano por conta do Pré-Olímpico. Já o setor de meio de campo…

Pois é, o meio de campo é o grande problema do atual Fluminense. A opção pelo Yuri à frente da zaga é coerente, mas o ideal seria um volante com boa saída de bola. Já a escalação do Henrique como segundo volante é algo inaceitável pelo que ele apresentou desde que entrou no time. Acho que poderia ser testado no lugar do Yuri para tentar melhorar a saída de bola. Resta saber se ele daria conta como “cão de guarda”. 

Ainda sobre o meio de campo, o time necessita urgentemente de um segundo volante que consiga acelerar a transição e ainda ajudar na marcação. O Hudson tem técnica, mas não parece ter a mobilidade necessária para acelerar o jogo e ainda recompor. Talvez ele possa funcionar melhor na cabeça de área para melhorar a saída de bola, mas, assim como no caso do Henrique, fica a dúvida sobre a questão da proteção à frente da zaga.

Com base no que o Odair tem à disposição, acho que o Yago Felippe seria uma boa aposta para a vaga de segundo homem de meio de campo, mas também pensaria no contestado Dodi como uma possibilidade.

Na parte de criação, tem o Nenê, Ganso, Michel Araújo e Miguel. Na reta final do ano passado, Marcão chegou a escalar o meio de campo com Yuri, Allan, Daniel e Ganso. Deu muito certo. Será que um meio com Yuri (Henrique ou Hudson), Yago Felippe (Dodi), Miguel (Michel Araújo) e Ganso (Nenê) não seria uma boa aposta?

Conforme comentei no início do texto, um mês é pouco tempo para qualquer tipo de avaliação, mas o cartão de visitas geralmente dá uma noção do que vem pela frente. E o cartão de visitas do Odair Hellmann não é das melhores…

Forte abraço e ST

Vinicius Toledo



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