Em sua nova coluna, Lindinor Larangeira solta o verbo contra a apatia do elenco, os erros da diretoria e a “classificação culposa” do Fluminense na Libertadores: ‘Nada a comemorar, apenas a preocupar’.

A sensação é de alívio. Nada a comemorar. Seja descendo a rampa do Maracanã cantando, ou brindando com um chopinho entre amigos, em qualquer boteco da cidade. Esse time não merece celebração, mas sim preocupação. Afinal, quando alguns querem tornar “épico” não fazer mais do que a obrigação, alguma coisa está muito errada.
A começar pela ausência de comando e de cobrança dos gestores do futebol. Dirigentes tão bem remunerados, quanto ineptos. Uma comunicação que apenas cumpre o papel de para-raios desses dirigentes, frequentemente, tentando fazer o torcedor de idiota. Com uma liderança omissa, os problemas do Fluminense vão muito além do campo-bola.
O constrangedor futebol apresentado e a classificação na bacia das almas na Libertadores, diante de equipes nitidamente inferiores que se portaram com a dignidade e a postura de time grande que faltaram ao Tricolor, são inadmissíveis. As atuações dos comandados de Zubeldía apenas refletem a total anomia de quem deveria dirigir uma instituição centenária. Aqueles que foram eleitos, e os que são regiamente pagos pela torcida para isso.
Infelizmente, nada deve mudar no futebol tricolor
Como na vida, ciclos têm início, meio e fim. O ciclo de Zubeldía, no meu ponto de vista, acabou. Mantê-lo é um equívoco tão grave quanto foram outros erros recentes de planejamento. Já que não deve mudar a gestão do futebol, a alta cúpula deveria demitir a comissão técnica. Será que fará?
A pergunta é meramente retórica, pois o Fluminense corre o risco de jogar pelo ralo períodos cruciais da temporada que deveriam servir para uma verdadeira virada de chave. Ou alguém acredita que nomes como Paulo Angioni e Ronaldo França passarão pelo RH das Laranjeiras?
Até o contestado treinador argentino ganhou sobrevida após a “classificação culposa”, embora tenha feito bastante esforço na direção contrária.
Hulk é super-herói, mas, sozinho, não resolve o elenco

O elenco atual tem grandes desequilíbrios. A zaga é frágil e não tem a proteção de um primeiro-volante pitbull. As laterais têm ídolos de ciclo encerrado, e outros jogadores no nível do mediano. Com carências explícitas no meio-campo, urge a contratação de mais um meia de articulação. Também é preciso que o treinador use mais e melhor a nossa base.
Hulk chegou para trazer doses de liderança e testosterona para um elenco apático e de pouca atitude. Tomara que, além disso, agregue bom futebol. Mas mesmo um super-herói ainda é pouco para que o Fluminense monte um elenco com possibilidades de realizar uma segunda parte de temporada vitoriosa.
Teremos três frentes pesadas pela frente: as Copas Libertadores e do Brasil, e o Brasileirão. O desafio é gigante, mas a diretoria tem pensado muito pequeno.
Obrigado à nossa torcida. João de Deus e Rivadavia. Apesar dos dirigentes, da comissão técnica e da atitude de boa parte dos jogadores, o Fluminense conseguiu cumprir a sua obrigação.
Ufa! Que alívio. Para encerrar, aquele velho chavão, dirigido aos personagens citados acima: “Quem avisa amigo é”.
Saudações tricolores.
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