Competência x Incompetência




FOTO: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.



Buenas, tricolada! É impressionante o contraste de realidades do Fluminense de 2019. Enquanto a equipe do Diniz demonstra competência absoluta para encarar TODOS OS ADVERSÁRIOS de igual pra igual, especialmente as equipes mais qualificadas, paralelamente ela sofre pra empurrar a redonda pro fundo das redes. Por incompetência!
O Flu permanece amassando os “inimigos” com percentuais de posse de bola estratosféricos, tramando boas jogadas, chegando à área dos oponentes com bom volume de jogo e razoável quantidade de atacantes, mas na hora H peca nas conclusões. Ah, e a dificuldade que encontra pra bater os mais fracos também surpreende. Os meus elogios ao futebol praticado pelo Tricolor das Laranjeiras aqui neste espaço, desde que o Explosão me concedeu a honra de compartilhar os meus pensamentos com os amigos leitores, sempre tiveram origem nas nossas atuações contra os poderosos do desporto tupiniquim.
Entretanto, via de regra eu detono algumas de nossas performances ante os médios e nanicos. O tal Complexo de Robin Hood de que já falei, lembram?
Na peleja desta segunda-feira, pelo Brasileirão, num Maraca colorido de verde branco e grená por 23 mil cabeças, diante do modestíssimo Ceará não fugiu à regra.
Tivemos o domínio e a soberania técnica e tática da partida, assustamos o time nordestino em várias oportunidades – principalmente no primeiro tempo -, perdemos gols em profusão, sofremos contra-ataques que nos fizeram suar frio, e no final amargamos mais um empate, com a consequente perda de dois pontos irrecuperáveis, a meu ver. Está transformando-se em rotina! O mais inexplicável é que temos bons finalizadores, como Pedro, Jotapê, Yony e outros.
Se colocássemos na ponta do lápis todas as vitórias desperdiçadas por nossa própria incapacidade nessas dez rodadas de Campeonato Nacional, decerto concluiríamos que a nossa posição no G-6 estaria sedimentada. Quiçá até mesmo um posto no G-4 fosse plausível!
Boas as participações de Nino, Caio Henrique, PH Ganso, Daniel e Pedro no confronto contra Vozão. Mas os demais deixaram a desejar.
No meu entendimento, o tento cearense, no final da primeira etapa, contou com a colaboração coletiva da defesa tricolor. O gringo e o Digão pularam na mesma bola cruzada sobre a nossa área, bateram cabeça, a pelota pererecou na marca do pênalti, quando o Pedro perdeu a dividida com o atacante rival, o Nino atrasou-se no combate ao “ciclista” de branco e preto, que pedalou para as nossas malhas. Antes disso, o Agenor igualmente cometeu um crasso equívoco: ameaçou sair do gol, deu dois passos atrás e ficou perdido no lance. Porra, a bola foi alçada balãozinho pra nossa cozinha… Dava tempo de sobra para ele interceptar o cruzamento!
O Gilberto precisa de mais treinamentos – ou amargar um banquinho, pois vem errando muito. E lá na lateral-direita da nossa defesa, ele, deixa sempre uma avenida escancarada aos “convidados”.
Digão esteve sem tempo de bola, perdeu diversas disputas aéreas e errou passes pra caramba.
Yuri não comprometeu, mas o cara substituiu o nosso melhor jogador no primeiro semestre: o Allan. Isto denota uma cobrança maior de nossa parte. E, putz, como o menino primeiro-volante titular faz falta!
Gonzales se dedicou, como sempre, mas não se houve bem, assim como o Jotapê.
Na verdade, coletivamente o FFC não se apresentou como esperávamos. Faltou o algo mais.
Alguns senões devem ser pontuados. Em primeira instância, eu particularmente não entendi a entrada do Julião. Diniz trocou xixi por pipi, ao sacar o Gilberto e colocá-lo!
Em segundo lugar, o Marcos Paulo também não teve uma noite feliz. Errou quase tudo! Talvez a entrada do Miguel, naquele momento, fosse mais indicada. Mas como adivinhar? Não podemos crucificar o Fernando Diniz por sua escolha.
Em terceiro, para que Pedro e Jotapê atuem juntos, os treinamentos táticos e de posicionamento devem ser intensificados. Sou a favor de mantê-los no onze titular, mas o entrosamento entre ambos tem que melhorar.
Em quarto, o nosso treinador é corajoso pra cacete! O Ceará contra-atacando a toda hora, no segundo tempo, trazendo pânico à nossa galera na arquibancada e na TV, e ele retirou o único volante para colocar um atacante: saiu Yuri e entrou o Marcos Paulo. Confesso que gosto dessa ousadia.
Em quinto lugar, o Ceará foi “operado” pelo VAR! Anularam um gol legítimo dos caras, na minha modesta opinião. Por mais que um dos atacantes nordestinos estivesse em posição de impedimento, na metida de bola, ele não interferiu no lance. E o Mateus Gonçalves chegou chegando, partiu de trás, e nem de táxi o Nino o alcançaria. Mas, beleza! Cansamos de ser prejudicados pela arbitragem (de campo e vídeo) neste Brasileirão – em apenas dez rodadas! Faz parte!
Em sexto, que cartão amarelo idiota o do Ganso. Custou-lhe a ida a São Januário, na décima-primeira rodada!
Em sétimo, bem-vindo, Nenê!
Agora não adianta chorar pelo leite derramado. Pontos previamente contabilizados escorreram-se por entre os nossos dedos. Vamos partir para outra. E vem mais uma pedreira por aí, no sábado próximo: Vasco e Flu, às 11 da matina, na Colina. Que os deuses do futebol permitam que as finalizações do Pedro e do Jotapê estufem os balaios cruzmaltinos. Mais do que nunca, a vitória será essencial.
Até outra hora, meu povo!
Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

PUBLICIDADE