Em crônica exclusiva para o Explosão Tricolor, Lindinor Larangeira analisa os bastidores, as decepções, as surpresas de Cabo Verde e o futuro do futebol brasileiro.
(por Lindinor Larangeira)
Confesso que ao saber que a Copa deste ano teria 48 seleções, torci o nariz. Mas nesta segunda-feira, 20 de julho, Dia do Amigo, espero uma ligação, ou mesmo uma mensagem de WhatsApp de uma amiga ou amigo, para me consolar pela minha absoluta depressão pós-Copa.
Foi bom enquanto durou. Porém, como disse Paul McCartney, no final dos anos 1960: “O sonho acabou”. Não apenas a ilusão de dias de paz, com batalhas apenas nas quatro linhas. O mundo continuou em guerra. Inclusive, com o patrocínio de um dos países anfitriões da Copa.
Aliás, seu presidente foi um péssimo “host”, impedindo um árbitro de exercer o seu trabalho, com um veto inacreditável. E também ajudando a eliminar a seleção iraniana, quase na marra, ao criar condições absurdas de competitividade.
Enquanto o líder da “maior democracia do mundo” fazia coisas que deixariam qualquer ditador envergonhado, México e Canadá davam verdadeiro show de hospitalidade, desportividade e simpatia. Os “Pais Fundadores” de uma nação que nos inspirou pelos princípios de “vida, liberdade e busca pela felicidade”, devem ter se retorcido em suas tumbas.
Histórias e personagens
Em uma competição rica em histórias e personagens, meu personagem não é Messi, Mbappé, Yamal, Rodri ou mesmo Harry Kane. É alguém muito menos famoso, que atende pelo nome de Josimar. Ele mesmo. O goleiro Vozinha, que aos 40 anos apareceu para o mundo e para a história do futebol.
Por isso, para mim, a grande história dessa Copa foi a saga de um pequeno país insular da África: Cabo Verde. Única seleção a não perder para a campeã, e a quase eliminar a vice. Os “Tubarões Azuis” conquistaram o planeta e colocaram essa ex-colônia portuguesa no mapa.
O primeiro gol e o primeiro ponto de Curaçao, menor nação a participar de um mundial. A remada viking, da torcida da Noruega. O rock inspirado do Oasis, cantando em comunhão, jogadores/torcida. As cores, a alegria e o canto das torcidas africanas. O amor incondicional da hincha argentina à sua seleção. E o canto de arrepiar da miscigenada seleção francesa, aos primeiros acordes do hino mais bonito do planeta. Essas são histórias que ficarão para sempre.
Meu outro personagem não esteve em campo, e sim nas arquibancadas. Quem também conquistou o público foi o pequeno Keyne Yamal, irmão caçula de Lamine Yamal, de apenas 3 anos. O menino conquistou os torcedores pelo carisma e pelas reações espontâneas durante as partidas. Muito fofo, esse moleque…
Decepções e destaques
Do Brasil, pouco se esperava. A decepção maior foi a forma lamentável da eliminação nas oitavas, adotando um modelo de jogo covarde, de “dar a bola” ao adversário. O festejado Ancellotti, por isso, é outra enorme decepção. E Neymar, que caia na real que seu ciclo acabou.
Alemanha e Uruguai também não deixam saudades dessa Copa, com campanhas pífias. Portugal, seleção tão talentosa quanta a Espanha, foi um time preguiçoso e sonolento. O dinâmico Vitinha jogou uma Copa para esquecer. E CR 7 se despediu sem realizar o grande sonho de levantar a taça do mundo.
As quatro melhores seleções do torneio chegaram, com justiça às semifinais, e a melhor venceu. Messi e Kane se despedem das Copas com brilho. Yamal e Mbappé projetam grandes duelos europeus no futuro.

As lições que ficaram
Sexta Copa em que o “país do futebol” é mero coadjuvante. A torcida brasileira espera que a CBF tenha aprendido algumas lições. A primeira, é que não se pode renunciar à identidade. Ao “jogo bonito”. Ao modelo brasileiro de jogar. Em segundo lugar, e uma obviedade, é que tudo começa pela base. Temos que forjar uma nova geração que nos dê meias criativos. Laterais que saibam defender e atacar. E atacantes com poder de definição.
Mas o ponto central para realizar essa “revolução”, na verdade, um retorno às raízes, é a CBF entender que deve trabalhar para fortalecer os clubes. Parece simples. A questão é que é mais complicada. Pois, como diz aquele velho conto: “quem vai colocar o guiso no gato”?
Como última confissão desse texto, torci pela Argentina. Porém, com o triunfo da Fúria, venceu o futebol. E como amante desse esporte apaixonante, fiquei satisfeito.
“Arriba, Espanha!”
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