Dedo ruim




Foto: Lucas Merçon/FFC

Buenas, tricolada! Não bastaram as mazelas as quais o gigantesco Fluminense Football Club foi obrigado a digerir ao longo dos últimos anos! Não bastaram as cagadas que as Diretorias nos impuseram, temporada após temporada de futebol! Isso mesmo, sempre há gente com mais vontade ainda de cagar no pau e afundar um clube que foi pioneiro em ações ímpares e prócer de iniciativas inéditas no meio do desporto – e no meio social!

Porra, a nossa dor neste sábado pós-feriado foi proporcionada pelo banco de reservas! Aliás, pelo comandante da nau, que estava posicionado à beira do gramado! Ele tem nome e sobrenome, e não importam as alcunhas: começa com MAR e termina com CÃO! Que dedo ruim do nosso técnico, “brother”!

Sem essa de o cara respirar verde, branco e grená. Sem essa de tricoloridade exacerbada, de amor ao Flu, de apostar em tentativas que intuem a excelência… Se estes pré-requisitos fossem sinônimos de competência, eu e quase 6 milhões de torcedores apaixonados poderíamos enviar currículos para Álvaro Chaves e confiar nas nossas capacidades de dirigir uma equipe de futebol! E outra: burrice – e covardia – tem limites!

Fui defensor da efetivação do atual técnico tricolor, e os meus infinitos motivos não precisam ser novamente listados aqui. É evidente também que as pessoas têm salvo-condutos em seus juízos, mas os seus campos de observação e as suas tomadas de decisão devem respeitar minimamente a história – e as evidências. Na pior das hipóteses, o feeling igualmente tem de ser “ouvido”! Será que o Marcão desconhece – ou não interpreta – esse seu tal feeling?

O Fluminense controlava o confronto diante do Galo Mineiro. Fizemos um a zero na primeira etapa, não sofríamos quaisquer sustos defensivos, o Marcos Felipe era mero expectador da peleja, e saímos para o intervalo com três pontinhos no bolso.

Dava até mesmo para ampliar a vantagem se não fossem algumas escolhas equivocadas em diversos contra-ataques que a mineirada nos ofereceu. Ah, e da mesma forma, se não tivesse acontecido uma defesa milagrosa do arqueiro alvinegro no começo do duelo, depois de uma cabeçada improvável do lateral Gilberto.

Era evidente que o Atlético voltaria diferente no segundo período. Caceta, se eu e outros trocentos mil tricolores detectamos esta possibilidade, não é aceitável que um treinador profissional, independentemente de sua condição de estagiário, não tenha a mínima capacidade de enxergar o óbvio. Ele não se preparou para conter o ímpeto do inimigo.

O Marcão descaracterizou o time na segunda etapa. Após 32 minutos de batalha, neste período, contra um combatente que não dispunha sequer de um sopro de imaginação para furar o bom bloqueio estabelecido à frente da nossa cozinha, ele mexeu pessimamente mal no nosso onze em campo.

Sim, ele retirou o Yony, que vinha se esforçando, lutando e azucrinando a zaga adversária, além de raspar de cabeça em todas as bolas rifadas pela nossa defesa – o que gerava uns razoáveis contragolpes, para a entrada do tresloucado – e ineficiente – Wellington Nem. Em seguida ele sacou o PH Ganso, que vinha sendo a luz de nossa meiúca, para introduzir o poderoso Dodi. Marcão, vá caçar coquinho no asfalto! Você chamou ainda mais o Atlético Mineiro pra cima da gente!

Os sacados deveriam ser o Marcos Paulo, que já se arrastava nas quatro linhas, e os substitutos do Ganso poderiam ser o Nenê, João Pedro, o Evanílson ou mesmo um outro homem de frente. O Marcão “abelou”!

Oras, o empate dos malandros era iminente. E se houvesse mais uns 15 minutinhos de jogo, sei não…

Na minha última coluna, descrevi alguns prognósticos otimistas com relação a essas seis últimas rodadas. Já me estrepei! Eu disse: “aberta a temporada de caça ao galo… Os três pontos são imprescindíveis”! Pronto, tenho que rever a minha matemática logo de supetão, na primeira guerrilha. Que merda contar com o Fluminense atualmente!

No apagar dos refletores, quando eu terminava tal texto, cravei: “se o Marcão não inventar…”! Pois é, ele inventou! E complementei: “…e se a Diretoria não cumprir o seu papel…”! Pois é, ela não cumpriu! Nenhum outro clube cederia um dos seus principais jogadores para um torneiozinho amistoso mequetrefe da Seleção sub-alguma coisa! Caio Henrique é único!

Nem adianta eu opinar sobre o time e sobre os jogadores individualmente, porque o maldito resultado de 1×1, em pleno Maraca, com quase 25 mil testemunhas tricolores, diante de uma equipe mineira trôpega desde o início da temporada, derruba todos os pareceres.

Mas quero destacar as boas atuações de Nino e Digão, do Yuri, do Ígor Julião – que entrou na vaga do Orinho, contundido, do Marcos Paulo – este na primeira etapa, e do PH Ganso – que via de regra é substituído quando se destaca. Eu, hein! Os demais cumpriram funções táticas, e olhem lá!

Pra finalizar, temos a obrigação de recuperar os pontos cedidos ao Atlético em um dos confrontos fora de casa. Não importa qual deles! Começar uma mini-epopeia desperdiçando os lucros mais garantidos, como neste embate diante dos alvi-negros das Minas Gerais, em teoria desmotiva quaisquer objetivos.

Mas o FFC permanece na galeria de imortais, que bagunça sem dó as cabeças dos numerologistas mais catedráticos. Oxalá as místicas do timinho e do Gravatinha interfiram nos desígnios dos deuses do futebol, que certamente já conhecem o desfecho deste 2019 avassalador na trajetória do Fluzão – e o futuro de sua existência!

Olhai por nós, Nélson Rodrigues!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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