Diplopia: médica explica problema que acelerou a aposentadoria do ídolo Fred




Fred (Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.)



O atacante Fred fará seu último jogo na noite deste sábado, 9 de julho, no Maracanã contra o Ceará, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. A aposentadoria do jogador do ídolo do Fluminense foi antecipada por causa de um problema de visão que o incomoda desde 2020: a diplopia, ou visão dupla, que faz a pessoa enxergar imagens dobradas e que pode atingir um ou os dois olhos. No caso de Fred, ela é monocular, afetando o olho esquerdo. Mas o que é diplopia? Quais as causas e sintomas? Tem cura ou tratamento? A médica oftalmologista Júlia Rossetto, especialista em estrabismo, tira as principais dúvidas sobre o assunto.

O que é e sintomas

Diplopia é a visão dupla, quando se vê duas imagens de um mesmo objeto. Os sintomas são:

  1. Visão dupla – Principal sintoma, definidor da condição;
  2. Dificuldade de movimentar o olho acometido ou os olhos para alguma direção;
  3. Pupila dilatada e olho com a pálpebra fechada – Em situações graves, que exigem ida imediata ao médico, pois podem indicar aneurisma.

Tipos:

  • Monocular: a visão dupla surge apenas em um olho e é percebida apenas quando este olho está aberto. É o caso de Fred, que tem diplopia no olho esquerdo;
  • Binocular: a visão dupla atinge os dois olhos e desaparece fechando um deles.

Ela pode ser ainda:

  • Horizontal – a imagem é duplicada para os lados;
  • Vertical – a imagem é duplicada para cima ou para baixo.

(CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE)



Causas

  • Estrabismo – É a causa mais comum. Acontece quando o adulto passa a ter estrabismo, distúrbio que faz com que os olhos não olhem para a mesma direção ao mesmo tempo. A diplopia não costuma atingir crianças. Isso acontece porque o cérebro da criança com estrabismo se adapta e aprende a eliminar a visão dupla – o que também é um problema, já que pode causar a ambliopia, chamada de “olho preguiçoso”, levando a uma baixa visão. Já no adulto, com a visão já formada, o cérebro não tem a capacidade de corrigir a diplopia.

– A diplopia causada pelo estrabismo é comum no adulto. E tem tratamento – afirma a médica.

  • Trauma na cabeça – Pancadas na cabeça, como as que jogadores de futebol dão nos cabeceios na bola e nos choques entre eles, podem afetar um nervo ocular, causando um estrabismo súbito que pode causar uma diplopia. Dependendo do nervo atingido, ela manifesta de formas diferentes.
  • Alterações microvasculares causadas por diabetes ou hipertensão arterial – Doenças crônicas não transmissíveis como diabetes e hipertensão podem causar alterações microvasculares que afetam nervos ópticos e podem levar à diplopia.
  • Aneurisma cerebral – Caso grave, que precisa de hospitalização imediata. Normalmente, a diplopia é acompanhada por sintomas como pupilas dilatadas e pálpebra mais caída ou fechada (ptose).
  • Câncer na cabeça
  • Baixa visão
  • Idiopática – Quando não há causa determinada.

Tratamento

É preciso tratar a causa, e por isso o tratamento muda de acordo com o que está provocando a diplopia. Se for uma aneurisma ou um câncer, diabetes ou hipertensão, o problema precisa ser curado. Se for baixa visão, o uso de óculos pode ajudar a corrigir.

E como a maior parte dos casos de diplopia acontece por causa de estrabismo, o tratamento costuma ser para correção desta condição, o que inclui:

  • Uso de lentes chamadas primas nos óculos, em caso de desvio pequeno. Não se cura a diplopia, mas se corrige o sintoma;
  • Injeção de toxina botulínica (botox) no músculo do olho, para paralisá-lo, em caso de desvio de visão causado por problema muscular;
  • Fisioterapia ocular em casos específicos;
  • Cirurgia no olho, para afrouxar ou apertar o músculo causador do desvio.

– Há 85% de sucesso na cirurgia. Mas em 15% dos casos, pode haver um desvio residual, o que é resolvido com nova cirurgia ou com o uso do prisma (lente); ou pode haver um outro tipo de desvio, que acontece quando se muda a posição do olhar. Nesse caso, a cirurgia é bem sucedida, pois não há visão dupla quando se olha para frente. O que é um sucesso para a maioria das pessoas, no entanto, não é para um atleta de alto rendimento como o Fred, que precisa de maior amplitude na visão para olhar a bola no alto ou o jogador vindo pelo lado. Nesses momentos, vêm a visão dupla. Não sei se foi o caso, mas é algo que acontece em algumas situações – explica a oftalmologista.

Fonte: Júlia Rossetto é médica oftalmologista com mestrado e doutorado pela Unifesp. Especialista em oftalmologia pediátrica, plástica ocular e estrabismo, é médica da Casa de Saúde São José.

Clique aqui e veja a lista com as últimas notícias do Fluzão!



Por Explosão Tricolor

E-mail para contato: explosao.tricolor@gmail.com

PUBLICIDADE