Do chocolate com alfafa à lagosta ao catupiry!




FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.



Buenas, tricolada! Perdoem-me a baixaria, desculpem-me o destempero, mas, PQP, que jogo este entre Grêmio e Flu, pela terceira rodada do Brasileirão 2019! Em plena Arena tricolor gaúcha! É pra gravar, rever inúmeras vezes e mostrar pros netos e bisnetos! E aí, meu povo, temos que comemorar e aplaudir os nossos Guerreiros, independentemente dos Abads, FluSócios, das teimosias do Fernando Diniz, e das demais âncoras pesadas que somente afundam a nossa nau!
Mais fácil escrever a minha coluna depois de um mau resultado do que hoje, após uma partida que colocou à prova o meu sofrido coração! Mas vamos lá, isso é ser tricolor – e isso é o Fluminense, porra!
Desenhava-se, até o nosso primeiro gol, um prato principal prá lá de esquisito a ser servido no Laranjal: chocolate com alfafa! Três a zero pros gaúchos, fora o baile, aos 23 min. de confronto. Quase joguei a toalha – e vi alguns torcedores a jogarem.
Contemplávamos um Flu cansado, desinteressado, sem vontade e assistindo ao adversário desfilar. Aquele terceiro gol gremista foi de vídeo game, como diz o bom Guga Villani. Tabelas curtas e infiltrações pelo meio, no futebol atual, não cabem. E sem essa de qualidade técnica! Trocaram passes um menino de 19 anos, o André e o Michael, e não Messi, CR7 e Salah!
Pra variar, o Diniz insistiu com os tais três volantes. Eles proporcionaram TODOS OS CONTRA-ATAQUES que sofremos nos primeiros 45 min. Passes errados a todo instante, troca de bolas inférteis, falta de penetração e uma meiúca horrorosa. Três homens de marcação e o “inimigo” deitando e rolando pelo meio e pelos lados? Pra que? Pior até mesmo do que nos duelos contra Santinha e Goiás, porque o time dos pampas é muito melhor do que esses dois.
Outra, é inconcebível ele escalar de cara um jogador recém-chegado, que não conhece as características da equipe e do próprio clube, como o Guilherme, em detrimento de outros que poderiam ser aproveitados. Como o Ewandro. Ou mesmo um dos dois meias, Daniel e Léo Artur. Ele já havia agido desta forma com o zagueiro Léo Santos. Soa-me prepotência, na boa.
Resultado, até então? Confirmado: três chocolates sulistas acompanhados por uma saladinha de alfafa, que é servida aos ungulados – caprinos, bovinos e equinos, especialmente.
A bem da verdade, achamos dois gols. No primeiro, fizemos a única boa jogada da etapa inicial. Tabelinha bem tramada entre Luciano, Allan e Caio Henrique pela esquerda, bola cruzada para a área, furada bisonha do Luciano e complemento pras redes do incansável Yony. No segundo, a tricoloridade de Júlio César foi decisiva… o Luciano tomou-lhe a bola e conferiu para o gol vazio. Pois é, puseram-nos de volta no jogo.
Veio o segundo tempo e vimos um outro time dentro das quatro linhas! A começar pela substituição realizada pelo Diniz: saiu um dos 455 volantes, o Aírton, e entrou um meia, alguém que não atuaria do círculo central para trás, e sim ao contrário. Mesmo sendo o Daniel, que por sinal entrou muuuuuito bem, o simples fato de ocuparmos a meiúca ofensiva dos caras já nos credenciava a pressionar mais e a atacar mais intensamente.
Passamos a ter mais batidas pra meta do Jotacê de fora da área, enfiadas de bola pros lados – e também para os que entravam na diagonal, fazendo o facão -, verticalidade, melhor transição e nos livramos daquele sufoco do primeiro tempo, quando mal atacávamos e trazíamos o Grêmio pro nosso campo de defesa. E estas circunstâncias ocorriam, no período inicial, por inércia, inaptidão, má escalação e falta de predicados do setor mais importante de uma equipe de futebol. Portanto, sim, depois das mexidas o nosso onze ficou mais leve no gramado. Tão simples. Putz!
Oras, presenciamos finalmente uma equipe com a marca indelével do Fernando Diniz, ante as novas alternativas. Rapidez, profundidade e objetividade. Era o Flu do começo de temporada ressurgindo das cinzas!
Ou seja, trocamos a entrada, o prato o principal e o próprio cardápio. E passamos a degustar uma saborosa lagosta ao catupiry, temperada com mais zelo pelo renovado chef Fernando Diniz, que resolveu mudar os cozinheiros e os ingredientes. Caceta, era isto que a galera pedia!
Reiterando a minha conduta, sempre mantive-me fechado com o trabalho do nosso treinador, e as razões eu já enumerei “trocentas” vezes em colunas anteriores. Mas não estava enxergando uma fórmula de ele salvar o seu pescoço, se mantivesse o beicinho de neném contrariado. Ou as convicções decadentes e estéreis de que fazia uso constante.
Mas ainda falta algo. Agora, ele tem que promover as saídas de Aírton e Bruno da contenção – aliás, o Bruno Silva quase conseguiu em várias oportunidades estragar a nossa festa; e o retorno do Caio Henrique para a sua posição de origem, o meio-campo – primeiro ou segundo volante, tanto faz. Temos aí o Allan, o Zé Ricardo, esse Yuri, que está chegando e é bom jogador, o Caio (da base), enfim… Até mesmo o Luiz Fernando, em quem eu particularmente não confio.
Será que o próprio Diniz não percebeu as mudanças radicais de atuação e postura do time de um tempo de jogo para o outro? E com apenas com uma mudançazinha? Óbvio, a atitude da equipe igualmente se transfigurou. Não sei se foram esporros, cobranças mais acirradas, mas o fato é que assistimos a dois Fluminenses neste último domingo, em apenas 90 min., diante de um dos melhores e mais bem treinados esquadrões do futebol tupiniquim!
No primeiro tempo eu colocaria todos os atletas tricolores cariocas num mesmo balaio de gatos e jogaria no lixo – talvez eu salvasse somente o Yony e o Luciano, que nos recolocaram no duelo com os seus tentos.
No entanto, na segunda etapa vimos um Flu épico, heróico, histórico, emocionando a todos os torcedores e fazendo-nos crer em dias melhores. Destaques para Rodolfo, que fez duas grandes defesas (apesar de eu considerar um vacilo aquela sua indecisão no quarto gol gremista); Matheus Ferraz, como sempre, que além de fazer boa partida lá na cozinha, deixou a sua marca e ainda obrigou o Júlio a fazer uns três milagres; Daniel – quem diria; Caio Henrique, que comandou o meio-campo e partiu em contra-ataques diversas vezes, mesmo na lateral; Speed e Luciano – artilheiros e presenças constantes na intermediária dos malandros! Menção honrosa ao Pedrão, que tentou algumas jogadas de categoria, fez o pivô e deixou a sua marca, de pênalti.
Em suma, rapaziada, não é todo o dia que temos o prazer de conviver com um 5×4 no falido e modorrento futebol brasileiro. Não lembro a última vez que vi um confronto desta magnitude, e com duas camisas com os pesos que elas carregam. Não me recordo de uma partida em que o Flu tenha virado um 3×0 contra, na casa do adversário e jogando apenas um tempo. Falha a minha memória quando tento buscar ineditismos desta natureza.
Ratificando um dos meus discursos aqui mesmo, no presente texto, viva o Fluminense Football Club. Não há diretorias que consigam derrubar o mito, as glórias e a grandeza de uma das maiores instituições do planeta, que tem nome, sobrenome e alcunhas de campeão! Sou tricolor acima de tudo. Enfim, somos todos Fluzão!
Saudações eternamente tricolores!
Rapidinhas:
– Speed pelos lados é outro jogador.
– Tchau, Everaldo! Realmente, você não fará falta, a meu ver. Mas boa sorte no Timão!
– Gilberto, no primeiro tempo, demonstrava uma preguiça muito incomum. Achei estranho.
– Guilherme contou com a boa vontade do Rafael Claus. Sua entrada no André era pra vermelho. Ficou barato!
– Próximas as voltas de Marcarenhas e PH Ganso. Acho que o Diniz vai se repaginar, utilizando os dois como titulares – além do Pedro. Ou melhor, tomara que ele reveja os seus conceitos!
– O Grêmio se assustou com a nossa camisa e com a postura com que voltamos do intervalo. Saudades deste Flu, que se impunha sempre, que causava temores e calafrios aos “inimigos”.

Ricardo Timon

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