Emoção, desmaio e ressurreição: a história do decisivo Fla-Flu de 1983




Assis - fla-Flu 1983 (Foto; Divulgação)

Buenas, tricolada!

O planeta está em quarentena! Um vírus letal, frágil como ele só, põe em risco a altivez e o complexo de imortalidade da raça humana!

O covid-19 comprova que somos poeira cósmica, de fato, e que num sopro tudo pode acabar. Tomara que sirva de lição e aprendizado!

Como o objeto central aqui do Explosão Tricolor é o nosso Fluminense, a partir da coluna de hoje eu pretendo ocupar as nossas mentes com excelentes recordações.

Movido pela notícia de que no sábado ou no domingo últimos um canal de TV esportivo retransmitiria o Fla-Flu de 1995, quando fomos Campeões Cariocas com o gol de barriga do Portaluppi, lembrei-me de que havia baixado pro HD do meu computador, há séculos, muitas partidas decisivas do FFC nas décadas de 80 e 90 – inclusive a própria partida em que vibramos com o gol de Renato Gaúcho.

Dentre elas, os dois Fla-Flus, de 1983 e 1984, quando o inesquecível ídolo, o Carrasco Assis, nos premiou com dois tentos, um em cada peleja, que garantiram – ou poderiam garantir – os nossos títulos. Recordar é viver! Além destes clássicos, Fluzão 2×1 Bangu também entrou nesse pequeno rol de escolhas.

Assisti aos três duelos. Com lágrimas nos olhos, emoção e um nervosismo inexplicável, como se os confrontos se dessem naqueles exatos momentos! Estranha a nossa paixão pelo Flu e pelo futebol, né não?

Impressionante como algumas passagens daquelas finais ficaram marcadas na minha memória, como se tivessem acontecido neste Cariocão de 2020! Entretanto, muitos outros detalhes eu sequer imaginava que pudessem ter de fato ocorrido… deve ser aquele branco com que a idade e as preocupações do dia a dia nos castigam! E olhem que estive no Maraca, nas três decisões, hein?!

Descreverei os meus sentimentos e as minhas opiniões sobre um confronto de cada vez, a cada coluna, destas três pérolas que enriqueceram a nossa história.

Hoje é dia de Fla-Flu (1983)

O Fluminense entrou em campo com Paulo Vítor; Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Leomir, Deley e Assis; Washington e Paulinho. O nosso técnico era o Carbone.

O Flamengo foi escalado com Raul; Leandro, Figueiredo, Môzer e Júnior; Andrade, Cléo, Adílio e Tita; Lúcio e Edmar. Os caras ainda tinham no banco jogadores como Vítor, Cláudio Adão e Lico, e o seu treinador era Cláudio Garcia, ex-meia do próprio Flu na década de 1970. Aliás, ele fora campeão da Taça Guanabara com o tricolor naquele mesmíssimo torneio de 1983, como técnico. Por grana e uma suposta “evolução na carreira”, trocou Fluminense pelo Flamengo, no segundo turno. Sífu! (risos)

Sobre este episódio, no primeiro Fla-Flu, o de estreia do Cláudio Garcia nos Molambos, a torcida tricolor jogou moedas na direção do banco, chamando-o de Judas!

A partida foi bem complicada. O Fla foi melhor em 70% dos 90 minutos. Eu, por acaso, não lembrava de um tirambaço do Tita, de falta, no primeiro tempo, na trave esquerda do Paulo Vítor.

No primeiro período, os malandros tiveram maior posse de bola, assustaram mais a nossa cozinha, e o Fluminense errava passes em profusão. As nossas melhores jogadas eram os lançamentos longos para Washington e Assis, mas a chuva e a imprecisão desses bicões geralmente matavam as nossas possibilidades de sucesso. Tivemos pouquíssimas chances de marcar!

E o futebol raiz me gera saudades: antes dos 30 segundos de jogo, o Tita recebeu no meio-campo, de costas, e o Jandir deu logo uma beliscada, por trás. Foi chamado na chincha por Arnaldo Cézar Coelho, mas naquele instante não recebeu o cartão amarelo.

A propósito, o Arnaldo amarelou meio time do FFC, no decorrer do combate. Entretanto, Figueiredo e Môzer sentaram a pua e sequer foram advertidos. O Môzer, inclusive, deu uma entrada criminosa no Aldo, que se não pulasse, estaria inutilizado para o desporto! Era pro becão rubro-negro sair de camburão do estádio! Se não me engano apenas o Andrade recebeu punição no jogo, pelo lado deles.

Na segunda metade da partida, o Flu melhorou um bocadinho, mas o Flamengo ainda era soberano. E mantinha o controle do jogo.

A verdade é que o ponta-esquerda Paulinho apanhou como boi ladrão – e não fez as suas jogadas características de linha de fundo. Aldo e Branco estiveram muito presos à marcação. Deley errou mais passes do que Bruno Silva e Aírton, do Flu do ano passado. Assis não esteve bem e Washington não conseguia matar uma bola. Parecia o Felippe Cardoso do FFC atual! Ótimas atuações de Paulo Vítor, que pegou demais, e da dupla de zaga, Duílio e Ricardo. Jandir e Leomir foram apenas burocráticos.

Perto do final do duelo, o Carbone sacou o Leomir e colocou o ponta-direita (ciscador e inofensivo) Ronaldo. Pouco adiantou, porque ele não conseguiu dar sequência a uma jogadinha. Tropeçou na bola, saiu com ela pelas linhas de lado e de fundo, enfim, atleta de elenco, mesmo!

Mas aí, galera, o Fluminense Football Club começou a traçar o seu futuro (dos 3 anos seguintes) quase ao término do clássico. O empate alijava o nosso time da disputa de título daquela temporada. A briga ficaria entre Bangu e Flamengo, que jogariam no fim de semana seguinte. A torcida molamba começava a cantar “adeus, Nense”. Aquele enredo entristecia a metade dos 84 mil presentes no maior do mundo, e este que vos escreve, inclusive.

Pois é, um impedimento mal marcado pelo bandeira “freou” um bom ataque flamenguista, ocasião em que o Adílio entraria sozinho diante do Paulo Vítor! A batida rápida do Duílio encontrou o Deley livre, na meia-esquerda. A defesa rubro-negra cochilou, e o nosso camisa 8 esticou um bolão pro Assis, que entrava na diagonal, da direita para o meio. Ele invadiu a área e colocou a pelota mansamente entre o Raul e o canto oposto! Gooooooooooooooooooooooooo (assista ao vídeo no final do texto)! Delírio da massa!

Vendo a gravação deste jogo, no finde, logo lembrei: um amigo de colégio, e não esqueço a sua alcunha, mesmo tendo perdido contato desde aquela final, de sobrenome Medaglia, desmaiou! Não sabíamos, eu, meu irmão Sérgio, meus amigos PC, Juninho, Marrinho, Chapa e Pelé, se comemorávamos ou se o acudíamos! Na boa, comemoramos – e ele “ressuscitou”!

O fato é que dependeríamos, ainda, depois dessa épica vitória, do próprio Flamengo, no embate ante o Bangu. Se o time da Zona Oeste vencesse, seria o legítimo campeão! Mas não é que os Molambos fizeram o seu papel, bateram a equipe do Castor de Andrade, e nos deram o caneco?! Fluzão, Campeão Carioca de 1983!

Grandes momentos de uma era em que o Fluminense era o maior detentor de Estaduais, que valiam tanto ou mais do que os Brasileirões!

Amigos, é isso. Mais adiante publicarei sobre o Fla-Flu de 1984 e o Flu e Bangu de 1985. Em tempos difíceis, quando a dor e o medo desenternecem os corações menos esperançosos, quem sabe estas boas lembranças não nos deem alento para continuar lutando e acreditando?!

Que esta batalha contra o coronavírus seja vencida pela sociedade, e possamos logo, logo comemorar a vida e as glórias do Fluzão novamente.

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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