Empate com o Santos, arbitragem, sequência intensa de jogos e muito mais: leia a entrevista coletiva de Abel Braga






Abel Braga concedeu entrevista coletiva no Maracanã

O técnico Abel Braga concedeu entrevista coletiva após o empate do Fluminense em 0 a 0 com o Santos, na tarde deste sábado (09), no Maracanã, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Confira abaixo todas as respostas do treinador:

Empate com o Santos 

“O meio pode ter sentido a falta do Ganso? Pode ser. Só que um time que troca tantos passos, tem 23 finalizações contra três… não tem muito o que comentar. É dar parabéns para o Santos, que veio com essa proposta. E conseguiu. Eu não sou de falar na corrente antes do jogo e no final. Hoje fiz questão de falar. Hoje eu saio daqui orgulhoso. Foi brilhante? Não. A minha equipe deixou tudo em campo. Não tinha como dar mais 2%. Foi motivo de orgulho. Nem sempre vai dar. O Santos é grande, tem camisa. Não queria esse resultado, lógico. Os números dizem isso. Paciência. No fundo, eles tiveram a estratégia certa. Não houve problema de finalização. Não conseguimos.”

Ausência de Ganso 

“Não gosto de falar isso, mas hoje com Ganso, com certeza, pelo momento que ele está atravessando, poderia ser um pouco diferente, não sei. Ou poderia ser pior, porque o Santos entrou com três volantes e dificultou bastante, poderia ser difícil com ele também. Mas nesses últimos jogos, como o crescimento com a equipe deu-se com ele… Ele tem uma clarividência muito grande. Não é de intensidade, mas é de uma inteligência muito rara.

No próximo jogo, Ganso joga, apesar de ter ido treinar muito gripado. Mas acredito que na quarta vamos poder contar com ele.”

Arbitragem

“Se não for coisa absurda, nunca vou me manifestar. Só vou fazer um comentário que fiz com ele. Primeiro que gosto muito dele, como árbitro e como pessoa. Quando eu time se propõe a se defender e outro a atacar, é um jogo sempre polêmico. Eu disse pra ele: “pô, Daronco, você nem parece que é gaúcho”. Eu já disputei muitos campeonatos no Rio Grande do Sul, e lá o pau come. Negócio de faltinha, de encostar… O jogo segue. Mas só isso. É um grande juiz. Se picou, se não picou, às vezes você tem que segurar um pouco o jogo, porque fica quase ataque contra defesa, pra não perder as rédeas. Não vale a pena criticar, poderia ter colocado a bola pra dentro, não coloquei, porque estamos falando de um dos melhores árbitros do Brasil.”

Duelo contra o Junior Barranquilla

“Não analisei ainda a equipe deles. A equipe deles jogava de uma forma no ano passado, Fluminense jogou uma lá e empatou, aqui, perdeu. Agora é um treinador argentino, no último jogo jogaram com três centrais. Vamos analisar bem. Meu departamento tá vendo tudo pra me deixar a par, e a gente formatar a equipe como queremos. Mas o importante é chegar lá e não se encolher e fazer o que estamos fazendo. Nós queremos ganhar, como hoje, paciência, não perde, mas vamos tentar ganhar.”

Sequência intensa de jogos

É meio complexo. Você vê o número de competições, de jogos. Esse mês está sendo complicado, porque quando é quarta e sábado é muito difícil. Você diz: pô, tem que ter um plantel numeroso, mas nenhum treinador quer trabalhar com um plantel numeroso, porque no fundo você não trabalha bem o grupo inteiro. Feliz é o Fluminense por ter um preparador físico com o Marquinhos, um auxiliar como o Chico. Tenho na comissão Marcão, Ricardo e Leomir, que ajudam muito, mas é aquilo, vai ter sempre problema. Hoje tivemos dois na defesa, coisa que é um pouquinho difícil: Calegari, quando deu 20 e poucos, ele pediu pra sair. Deixei até os 30. Braz também teve um probleminha. Yago também. Vamos ver isso segunda-feira, sem qualquer tipo de melindre.

Temos inscritos oito garotos do sub-23, estão treinando muito bem, temos analisado e visto os treinos que têm feito. Cadu tá fazendo uma trabalho muito legal. É esperar, porque vai acontecer (as lesões). Não tem como não acontecer. No jogo passado eram Nino suspenso e Calegari fora. Nesse, o Calegari sentiu um pouquinho, porque é um jogador de puxada de contra-ataque muito boa. Um zagueiro sentiu… Vamos seguindo, até a gente falar: os cabelos vão ficar brancos mesmo. Fluminense tem que colocar 11 em campo. Se não tem 11 no banco, o que é permitido hoje, tem oito, tem sete, seis, não importa. Nós não vamos entregar nada. Quem vai trabalhar mais é a fisiologia. O que é que você quer que eu faça segunda-feira? Depois viajamos sei lá quanto tempo. Depois sai de madrugada pra Cuiabá, treina, depois sábado… Pro Cuiabá também vai ser pesado. Tudo é muito complicado.”

Equilíbrio no futebol brasileiro

“A dificuldade vai ser inerente pra qualquer time. No Brasil, não tem jogo fácil, não. Acontece de ter aquele jogo que você em dois minutos, 15, 20 minutos faz dois a zero, e aí tem aquele placar mais dilatado. Aqui é tudo muito igual, trabalhei em Portugal seis anos e meio. Começava o campeonato, e a gente já sabia quem ganhava, dois ou três clubes, no máximo. Joguei e trabalhei na França, também sabíamos, o da moda era o (Olympique de) Marseille e o Bordeaux, depois surgiu Lyon e PSG. Aqui, não. Aqui são todos.”

Pensa em recuperar o planejamento tático da pré-temporada? 

“Sinceramente, não. Se você analisar hoje, continuei com três centrais, mas com o Nino fazendo a lateral-direita. Terminamos com quatro atacantes. Mas isso foi aquilo que o jogo não mostrou pela estratégia do adversário. Não estou dizendo que o Santos não atacou, mas o Santos ficou com duas linhas de quatro, quase que sem movimentos. Nós terminamos com o Luiz, temos que parabenizar o treinador deles e Maranhão, porque toda vez que o Luiz pegava a bola no mano, Maranhão dobrava a marcação pra ele não levar pro pé esquerdo. Fred, Willian, Arias. Hoje tentamos tudo, não deu, paciência. Um jogo diferente do outro.

Como nós saímos mais com a bola pelo lado direito do que pelo esquerdo, com Nino, ele me deu uma opção muito boa de manter três, e de repente não ser estrutura de três. Aqui é controverso, e sinceramente, não consigo entender. Se você joga com linha de quatro ou de três, pra mim, mais ofensiva é com linha de três. Porque em vez de um lateral sair pra atacar de cada vez, você joga com dois espetados. Cada um, cada um. Eu gosto disso. Se tiver que manter, mantenho, se tiver que mudar no jogo, como vinha fazendo com Felipe Melo… Hoje fiquei contente. Bom resultado? Não. Gostou de empatar? Claro que não, jogamos pra ganhar. Mas finaliza esse número de vezes, tem 68% de posse de bola contra 32%. Acho que o jogo mostrou o que foi.”

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Por Explosão Tricolor / Fonte: Globo Esporte 

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