Feijão com arroz




FOTO: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.

Buenas, tricolada! Claro que era obrigação passar pelo Bota paraibano pela Copa do Brasil 2020! Pelo amor de Deus! Time certinho, com algum investimento, que levou veteranos pro elenco, mas, peralá… Tratava-se de um time de baixo investimento de João Pessoa!

Pior foi me ver, antes da peleja, nervoso com a possibilidade de sair da segunda maior competição tupiniquim prematuramente! Trauma da porra! La Calera não me sai da mente! Mas passamos! Mais grana, mais chances de títulos – mesmo que improváveis, mais alegrias, mais esperanças. Somos o Fluminense, caceta!

Um Flu “amassante” no começo da primeira etapa e sem objetivos. Bolinha pra lá, bolinha pra cá, marcação alta, e apenas dois ataques promissores: o primeiro, num cruzamento do Egídio que encontrou a cabeça de Evanílson – rente à trave do goleirão inimigo. E o segundo, em nova pelota alçada pelo nosso lateral-esquerdo, que encontrou o Gilberto… ela caprichosamente beijou o poste! Pouco, muito pouco para uma equipe que buscava a redenção! E que precisava de ao menos um golzinho!

Aí o futebol nos estapeia os córneos! Talvez eu jamais tenha xingado tanto o Gilberto como neste primeiro período! Logo eu, que tenho uma dívida de gratidão com o cara, que sempre procuro desculpas para as suas más atuações, estava defenestrando o malandro como se fosse o torcedor mais irresoluto – e bipolar! Pois é, chegou o segundo tempo! E o lateralzinho desandou a jogar pra c@#$&*@lho! O melhor do time, não tenho medo de afirmar.

Beleza, era o Botafogo da Paraíba, mas qual equipe brasileira foi testada de fato neste início de temporada? NINGUÉM afiou cascos até agora! Não houve competição à vera! Flamengo, com duas Copinhas Globais? Façam-me o favor! Vamos computar, então, os Torneios da Disney, as competições de Primeira Liga… Sou de outra época!

Ficou evidente que um meio mais dinâmico faz o time rodar melhor a redonda. Hudson, Yago e Egídio – este, o estranho no ninho -, nos primeiros minutos, tomavam conta do duelo. Oras, dois homens de meio, volantes, faziam taticamente aquilo que sempre exigimos. São virtuosos? Jogaram a rodo? Não, caramba! Mas velocidade e toques rápidos são prementes nesse futebol físico e visceral que predomina hoje em dia.

Mas os dois elogiados da meiúca se perderam na mesmice logo depois! Aliado a isto, o Nenê esteve muito marcado – e não realizou bom jogo. O Evanílson se viu isolado. Centroavante que corre feito barata tonta transforma-se em alvo da galera. O Wellington foi improdutivo, o Marcos Paulo, o mais lúcido até determinado momento do embate, quando foi trocado de lado de campo erradamente, não conseguiu mais ver a cor da bola.

Odair Hellmann tentou colocar mais intensidade pelas laterais, realizando tal mudança: passou o inepto Wellington da direita para a esquerda, e o cara manteve-se escondido. Ratificando, assistir ao Marcos Paulo se ausentar do confronto mascarou mais evidentemente a situação, já que, de melhor opção pelo centro-esquerda, a joia de Xerém passou a ser somente mais um, pelo lado oposto!

Chato demais! Deu raiva! Ele equivocou-se em tudo e mais um bocado.

A impressão que eu particularmente tenho é a de que os times do Odair serão sempre reativos. Se combatermos uma equipe mais qualificada e atuarmos nos contra-ataques, faremos partidas bem honestas e teremos bons vislumbres. Contudo, se dependermos de ação, de iniciativa e de imposição, decerto comeremos os restos! Oras, o Fluminense não é laboratório, não aguardamos consequências inesperadas de pipetas experimentais! Somos enormes, somos a história, por mais que alguns ainda duvidem!

Na segunda metade da disputa, o FFC voltou com Pacheco na vaga do Wellington. Já não era sem tempo! O gringo houve-se bem? Não! Mas a nossa Tartaruga Ninja chegou a pisar na bola, num contragolpe promissor, lá pela metade dos primeiros 45 minutos. Tem dia que é noite!

Disse a companheiros próximos: além da saída do Wellington, que tinha atuação sofrível, eu também sacaria o Nenê e poria o Miguelzinho. O camisa 77 não foi mal, mas esteve muito marcado e não rendeu como de costume. OK! Ele consignou o segundo tento, de pênalti, mas definitivamente não era a sua noite! Normal! Ninguém voa sempre e, como agravante, os seus 38 anos acabam pesando sobre os seus ombros! Entretanto, o veterano está com mais crédito do que País de Primeiro Mundo no F.M.I.!

Ah, somente como alerta e lembrança, o nosso primeiro tento foi conferido pelo Marcos Paulo, que mais uma vez teve atuação digna e produtiva! É isso, dois a zero pra gente referendou o placar definitivo do duelo!

O fato é que fizemos o feijão com arroz e avançamos à terceira fase da Copa do Brasil. Enfrentaremos o Figueirense e, com todo o respeito e reverência, igualmente temos que atropelar! Os caras fecharam as portas, em estado falimentar, em 2019! Abandonaram a competição – Segundona! Não tiveram tempo de reconstrução – nem todos são Chape! Esqueçam as desculpinhas esfarrapadas e passem por cima! O Figueira já não é o mesmo há séculos! E, mesmo que fosse, seria inconcebível pregar-lhes temor, mesmo sabendo que o respeito é condição sine qua non. Perder faz parte da brincadeira, mas assustar-se diante de uma equipe beeeem mediana não introduz sequer a primeira página do nosso livro infinito, colorido por três cores que traduzem tradição!

Permaneço incólume nas minhas proposições: faltam Ferraz e Miguel nesse time titular do Odair. Pra mim, saem Digão e Wellington! As entradas de Hudson e Yago como homens de contenção, cobertura e transição me agradaram bastante, e eu já cobrava essa iniciativa. Tomara que o nosso treinador antene-se da mesma forma com tais necessidades na hora de escalar o onze inicial, daqui para adiante.

Voltemos o nosso foco para o Carioquinha, a partir do próximo finde. Sem Sula, com o Brasileirão prestes a começar e o Campeonato Estadual a pleno vapor, resta-nos torcer para o Tricolor Guerreiro beliscar o título caseiro. Não, não nos importamos com o torneio do Rubinho, e mesmo assim continuamos a derrubar técnicos, amaldiçoar os dirigentes da FERJ e do próprio clube, e a decretar o final de carreira de vários atletas e comandantes. Imaginem se ele tivesse maior valia!!!!

Em suma, chegou o momento de respiros e suspiros, alívios e temores, felicidade e inconformismo, mas, acima de tudo, chegou também o período do qual poderemos usufruir de uns poucos – e fundamentais – louros. Nada de descanso, pois a fila anda e a vida permanece inalterada diante das boas e das más consequências advindas daquilo que, por vezes, sequer somos simpáticos.

O futebol tem tudo a ver com o nosso dia a dia, afinal, ele é parte íntegra da nossa existência, O Fluminense Football Club, então, representa o fiel da nossa balança… Sem ele, os dias seriam menos dourados e mais nebulosos.

Até a próxima.

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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