Fim dos tempos




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

É curiosa, estranha e inédita a forma como repercutiram os ritos e brados dos nossos torcedores no Maracanã, no Fla-Flu da quarta rodada da Taça GB 2020! “Time de assassinos” ecoou no nosso lado do estádio, em referência à catástrofe envolvendo os jovens atletas flamenguistas, naquele incêndio nos containeres que serviam de alojamento para a molecada!

De antemão, não aplaudo iniciativas ofensivas a/de quem quer que seja, especialmente neste triste e trágico episódio do Ninho do Urubu, que completará um ano. As famílias dos meninos ainda estão ruminando as perdas, o descaso e a impunidade dos responsáveis. Não sei quem são eles, talvez todos, mas os fatos têm que ser apurados logo. Não é legal para estas famílias conviverem com tais lembranças. Especialmente vindas das arquibancadas de um estádio onde os garotos sonharam pisar como ídolos do seu time.

Entretanto, quantas vezes presenciamos, ouvimos e lemos sobre “ataques” de torcedores rivais aos “inimigos” de ocasião? Tão repugnantes quanto os proferidos pelos tricolores no Fla-Flu!

Uma pergunta que não cala: homofobia não é crime?

A homofobia é uma violação do Direito Humano fundamental de liberdade de expressão da singularidade humana, revelando-se um comportamento discriminatório.

Determina no Art. 3º, inciso XLI, que “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; e no Art. 5º, inciso XLI, que “a Lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”. Ponto!

Pois é, em quantas ocasiões as torcidas adversárias, do alto de suas empáfias e dispostas a sacanear o Fluminense, não cantaram em coro, tendo como objetivo a nossa galera, “Time de v#@&%@”???? Os próprios rubro-negros fazem uso deste cantarejo!

Numa boa, tem gente querendo aparecer! Tem Ministério, Tribunal e advogados buscando notoriedade. Também tem um povo se achando mais Rei do que a própria realeza. E ainda tem diretoria aí, dizendo-se desconfortável e esperando o desfecho legal da Justiça, que pretende tapar o sol com a peneira. Ou seja, estão transferindo as suas responsabilidades para parte de uma torcida e para uma partida de futebol onde o fato gerador não está em voga ou em julgamento.

Denunciar e punir o Fluminense Football Club por conta desta infelicidade remonta uma circunstância perigosa e jurisprudente. De agora em diante, quaisquer sonoras politicamente incorretas advindas das torcidas promoverão debates, indignações e pendengas judiciais. Se esta medida será boa ou ruim, somente o tempo dirá!

Reitero: não corroboro com determinadas ações e inúmeros discursos do povo em geral, principalmente daquela rapaziada que frequenta os estádios com o intuito de ofender os rivais. Mas há que se ter bom senso ante os acontecimentos, boa interpretação das vírgulas que rondam algum tipo imbróglio e serenidade para deferir as audiências e juízos. O futebol está perdendo o seu esplendor! A vida está chata pra cacete!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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