Finanças e apoio da torcida: a união que é o maior desafio tricolor! 




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor



E o Fluminense está novamente frequentando a zona de rebaixamento. Terrível para a torcida, para o time, para as pretensões da nova diretoria e para as finanças do clube, tão combalidas diante do discurso da Flusócio de redução do déficit tricolor – o que não saiu do papel das palavras.
Apesar de ser de interesse geral o assunto futebol, em especial a partida contra o Peñarol pela Sulamericana, a notícia mais importante para o Fluminense na semana que passou foi o levantamento realizado pelo Itaú BBA e já tratado em recente coluna de Vinicius Toledo.
O estudo feito pelo Itaú BBA é uma análise econômico-financeira que engloba informações públicas das contas dos maiores clubes do futebol brasileiro. Ele leva em conta as receitas e gastos totais ao longo de um ano, permitindo compreender melhor o cenário de cada instituição. 
Talvez a principal constatação deste ano foi o descolamento de Flamengo e Palmeiras dos demais, já que ambos concentram quase um quarto das receitas de todos os outros clubes somados (cerca de R$ 1,1 bilhão). O Itaú BBA sinaliza que a distância deve ficar ainda maior em razão do novo sistema de distribuição das cotas de TV, já que finanças em dia podem gerar melhores resultados em campo, garantindo uma maior fatia da verba de televisão.
Apenas para se ter uma ideia, a diferença de receita entre Flamengo e Fluminense em 2018 foi de R$ 257 milhões: a equipe rubro-negra, que ficou em segundo lugar neste quesito, arrecadou R$ 536 milhões, enquanto o Tricolor arrecadou R$ 279 milhões, ocupando apenas a oitava colocação. 
Se considerarmos os anos de 2017 e 2018, o Flamengo arrecadou R$ 1.179 bilhão, ao passo que o Fluminense gerou R$ 513 milhões de receita. Ou seja, em dois anos o clube das Laranjeiras arrecadou menos da metade do rival, sendo que a diferença – R$ 666 milhões – daria pra pagar a integralidade da dívida tricolor, que supera os R$ 400 milhões.
Esses números significam que o Fluminense não tem dinheiro para fazer frente ao Flamengo e todo o discurso de austeridade que foi ouvido ao longo dos sete anos da Flusócio, parte dos quais com atuação direta de Mário Bittencourt, não considerou o básico de um clube grande, que é a geração de receita aproveitando o potencial da torcida.
Ações trabalhistas, juros bancários, débitos fiscais, baixo aproveitamento da possibilidade de receita, distanciamento da torcida, enfim, diversos fatores contribuíram para que a receita tricolor fosse tão menor que a rubro-negra, o que dificulta vislumbrar um cenário em que o equipe das Laranjeiras seja competitiva no futuro.
As duas maiores fontes de receita do clube são cotas de TV, que ficará cada vez mais distante daquela repassada a Flamengo e Palmeiras diante da real possiblidade de que estes clubes consigam melhores resultados em campo, e a venda de talentos de Xerém, sendo que parte da receita do ano passado se deve à negociação envolvendo João Pedro, mesmo antes de jogar no time de cima. Ou seja, a falta de planejamento financeiro foi determinante para que o Fluminense tivesse prejuízo no negócio, já que hoje o atacante vale muito mais que os 10 milhões de euros que o clube poderá receber.
Tudo isso significa que o Fluminense tem que atuar no longo prazo. Por mais que a torcida queira resultados imediatos em campo, eles não devem ser buscados à custa de mais endividamento e menor capacidade de honrar os compromissos, porque isso pode levar o clube à falência. Manter a dívida equilibrada e chegar ao final com receita bem superior à despesa deve ser a principal meta a ser atingida pela diretoria.
Esse pensamento pode parecer contraditório em termos, na medida em que, se os resultados esportivos não forem alcançados, a torcida irá se afastar e, com ela, a possibilidade de receitas. Mas projetos de aproximação com a arquibancada, como é o caso do telão que será colocado no gramado das Laranjeiras para assistir à partida contra o Peñarol podem, no médio prazo, trazer o verdadeiro tricolor para o lado do clube e, com ele, a melhoria na saúde financeira de Álvaro Chaves. Se vier um título tanto melhor!
Em resumo: o maior desafio da atual diretoria é planejar as finanças em longo prazo, sem perder de vista a necessidade de se aproximar da torcida, o que não foi visto nos últimos anos.
Foco em campo sem se esquecer das metas financeiras: eis a grande provocação à gestão tricolor.
Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura

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