Gesso, tranca e Nenê




Foto: Mailson Santana / Fluminense F.C.

Buenas, tricolada! Absorto, incrédulo e “pê” da vida, assisti a 11 min. de confronto entre o Flu e o poderosíssimo Moto Clube com muita vontade de chutar a TV! Dois a zero os caras, simpatiquinhos como eles só – e olhem lá, e a gente mal tinha tocado na bola. Porra, impossível crer naquele enredo.

Mais uma escalação engessada do Odair Hellmann, com os dois volantões pesados, sem mobilidade e pouca criatividade, pra variar. Gesso e tala compuseram o setor mais importante de um time de futebol no decorrer das décadas.

O Gilberto parecia aquelas pistas de F-1 com 300 pontos de ultrapassagem: quem caísse pelo seu setor, passeava. E ainda tinha tempo de degustar um saboroso cafezinho – antes ou depois de deixá-lo na saudade!

Aliás, não canso de defender e perdoar o nosso lateral-direito, por mais que não encontre ressonância entre amigos mais íntimos e leitores da minha coluna aqui no Explosão Tricolor. É certo também que já enumerei os motivos pelos quais mantenho esta posição. Entretanto, como tudo nessa vida, os limites devem ser estabelecidos, pois eles são prementes. O tal de Sílvio, da equipe maranhense, tirou o malandro pra dançar em diversas oportunidades. Numa boa, quem é Sílvio? Com todo o respeito e reverência.

Venho insistentemente pedindo neste espaço uma chance pro Calegari. Não é admissível que o nosso treinador sequer pense com carinho nesta possibilidade! Ele vai esperar o que para exercer os seus direitos e deveres de técnico de um clube da Primeirona? Perdermos mais uma classificação em torneio de mata-mata para um timeco qualquer? Tomar piabas inesquecíveis e improváveis no Carioquinha? Rondar o Z-4 no Brasileirão, que está prestes a começar?

Será que o cara não está enxergando as mazelas que o seu onze titular vem apresentando nos gramados? Não somente o Calegari deve ser testado, mas igualmente algumas outras joias que certamente renderão bem mais do que muitos intocáveis desse elenco. Exemplos? André e Wallace! E o Hudson, Dodi ou o Yago, como segundo volante? E o Ferraz, ali na cozinha? Nosso setor mais retesado é a meiúca… Há pouca mobilidade, um deserto de ideias e maus tratos à pelota que envergonham os admiradores do velho e violento esporte de origem bretã!

Ao menos, no duelo diante dos maranhenses, o Odair mexeu na equipe ainda no primeiro tempo, sacando o esforçado Yuri e colocando o PH Ganso. Ele não esperou até os 80 min. de combate para retirar um dos volantes, como fez ante o La Calera, pela Sula. O Henrique até vinha atuando de forma mais convincente, ainda que não representasse o fio condutor das nossas necessidades.

Por conta desse meio-campo que usa chaves, trancas e cadeados, nós desandamos a criticar os atacantes tricolores. Caceta, a bola não chega! E quando é lançada, ela vai cheia de bicos, tal qual os dadinhos do saudoso futebol de mesa – ou botão, pros mais cascudos. Beleza, o trio de avantes – Pacheco, Evanílson e Wellington – não teve uma noite feliz frente ao Moto Clube, mas muito disto deve-se às poucas assistências e a quantidade absurda de passes na fogueira que lhes eram endereçados.

Quando o craque do time é um camarada de 38 anos – e só ele, que saiu em dívida dos seus últimos clubes, é porque a coisa tá fedendo mesmo. A propósito, não vou cansar dos elogios ao Nenê. O camisa 77 está parecendo um menino, correndo feito um condenado, fazendo gols e dando assistências como se trocasse de meias. Se não fosse o nosso vovô-garoto nesta quarta, no embate contra os nordestinos pela Copa do Brasil, sei não! Acho que uma indigestão monstro, por causa de mais um vexame, estaria carcomendo as nossas vísceras agora.

Um pênalti salvador, sofrido e convertido pelo Nenê, nos recolocou na peleja, ainda na primeira etapa. O dois a um contra era menos grave, mas mantinha-se ilógico e vergonhoso. Não vi nem ouvi um único torcedor conformado com o que havia ocorrido neste tempo inicial.

No intervalo, mais uma vez contrapondo as suas próprias ações recentes, o Odair meteu o Marcos Paulo e retirou o Fernando Pacheco, que não se houve bem, de fato. O menino de Xerém não anda em boa fase, não sei se ainda é reflexo de sua contusão, mas ele fez mais do que o gringo, inclusive o nosso quarto gol, depois de passe açucarado do Yago, que acabara de substituir o Wellington.

Ah, é mesmo, já ia esquecendo de contabilizar o segundo tento, consignado pelo veterano Nenê – novamente. De falta, algo que não víamos há séculos-luz. E mais o terceiro, marcado pelo Nino, de cabeça, após assistência do… do… pois é, do Nenê!

Mas o jogo foi sofrível. O Flu chegou a ser acuado pelo Moto Clube! Chegava a doer na alma! Cá pra nós, não podemos desprezar os acontecimentos: os nossos três primeiros gols foram de bola parada. Sei que esse tipo de jogada é artifício e ferramenta para muitos triunfos hoje em dia, mas, cacetada, não enfrentávamos nenhum esquadrão – ao contrário!

O FFC não criou NADA! Teve gente tropeçando na redonda! Não vimos a equipe evoluir em campo, não houve jogadinhas, triangulações, viradas de bola, lançamentos, coberturas decentes, transição, metidas que deixassem algum companheiro em boa situação… O Fluminense foi um BANDO! E de uma lentidão que enervaria Madre Teresa!

Sem essa de campo pesado, grama alta e piso irregular… O time adversário era uma baba! Tanto assim que viramos o placar para 4×2 mesmo sem jogar merda alguma!

Vou parafrasear mais uma vez o comentarista da DAZN, que participou da transmissão de Flu e La Calera, lá no Chile: o Odair Hellmann tem que rever imediatamente o seu senso de urgência. Se mantiver esses conceitos monocráticos, movidos por aquela prática de um futebol de Canal 100, ele cai… E, muito particularmente, poucos sentirão a sua falta. Respeito o seu pouco tempo de trabalho no clube, mas insistir em algumas decisões é mais do que burrice – e um pedido encarecido para ser expulso de Álvaro Chaves!

Se o nosso treinador é mesmo burro ou tem lá no seu imo a intenção de vazar, que retire os seus antolhos e utilize a porta da rua, que é a serventia da casa!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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