Jejum de vitórias e jejum de futebol






Oito anos depois, voltamos a vencer o Internacional fora de casa neste domingo (22). No Beira-Rio, pelo Brasileirão, teve de tudo: falha do goleiro, gol anulado, mais um anulado, gol olímpico, lei do ex e virada. Só não teve mesmo futebol, assim como não teve na partida do primeiro turno, que coincidentemente teve um roteiro parecido em alguns pontos e terminou também com uma vitória por 2 x 1.

Antes de qualquer coisa, temos que ser justos: dado os oito desfalques — sete, se contarmos apenas aqueles que fazem parte do planejamento — a missão do Fluminense era ingrata e a escalação foi, senão a melhor, uma das melhores possíveis. Yuri e Yago Felipe formaram a dupla que vinha sendo composta por Dodi e Hudson. No comando de ataque, nada de Felippe Cardoso. E sendo sincero, vendo os mapas de calor, não tivemos ninguém por ali. Eu só não concordo com o Luiz Henrique no banco.

Quando a bola começou a rolar, nem deu tempo de se iludir: estávamos mal mais uma vez, assim como nas partidas anteriores. Para resumir: sofremos um gol após duas tabelas, entre os jogadores do Inter e entre um deles e um dos nossos. Aos 15 minutos, Maurício chutou da entrada da área e Muriel fez a defesa. Tudo normal, Luccas Claro até se virou de costas para o lance. Só que o nosso goleiro — de novo — falhou e deixou a bola à feição para o próprio Maurício marcar. O cenário ainda teria ficado pior se o juiz não tivesse anulado corretamente o segundo.

Já no fim do primeiro tempo, depois de 50 minutos de nada, Lucca recebeu uma boa bola enfiada por Wellington Silva, mas foi ao chão e não deu continuidade à jogada. O pênalti, contudo, não foi dado, corretamente na minha opinião.

Na volta do intervalo, foi a vez do Fluminense fazer o de empate — apesar de, assim como o Inter, não ter feito muito por merecer. Aos 12 minutos, a lei do ex deu as caras depois de uma cobrança de escanteio. Lucca. Escanteio. Gol. E mais ninguém. Ninguém esperava um gol olímpico, talvez nem o próprio Lucca. Quatro minutos depois, mais um gol anulado, do mesmo Thiago Galhardo, que dessa vez estava impedido. Aos 27, foi a vez do Maurício jogar ao nosso favor e salvar um gol do Inter quase em cima da linha. Em uma noite estranha, a sorte sorriu para a gente nesse lance.

De sorte não teve nada no gol da virada. Aos 36 minutos, Caio Paulista, que entrou ao lado de Felippe Cardoso nas vagas de Nenê e Wellington Silva, foi mortal. Depois de belíssima bola de Marcos Paulo, o ponta não tremeu diante do arqueiro rival e colocou a bola no fundo das redes à la Fred. Em boa jogada individual pela direita, Cardoso aproveitou para disparar no campo de defesa vazio já no fim de jogo. O chute cruzado, porém, foi para fora.

De uma forma difícil de entender, chegamos à virada, à vitória e ao fim do jejum contra o Inter. Explicar os três pontos que trazemos na mala é uma tarefa árdua, e ainda bem que não é viagem internacional, pois senão não passavam na alfândega. Vitória do Fluminense ou derrota do Inter? As duas coisas. Já são três as partidas muito abaixo do Tricolor.

A meu ver, a rodada foi muito boa. Atlético Mineiro e Flamengo ganharam? Não ligo, infelizmente nossa briga nunca foi essa neste Brasileirão. Inter, Palmeiras e Santos perderam; São Paulo e Grêmio empataram. Acredito que devemos brigar com os santistas e os colorados por uma vaga na Libertadores. Isso, é claro, se a eficiência não nos abandonar. Por enquanto, ela segue conosco e seguimos nas cabeças.

Curtinhas

Danilo Barcelos tentou muito, fez por merecer, mas não conseguiu ser expulso. Egídio nos mata, Barcelos tenta matar qualquer um que se mete entre ele e a bola.

– Tenho que admitir, Hudson fez falta no jogo. Não literalmente dessa vez

– Eu era contra o afastamento de Dodi, e acho que o time será o maior prejudicado por isso. Entretanto, pela maneira que a novela se desenrolou, essa me pareceu ser a decisão correta.

John Kennedy fez três na vitória do Fluminense por 4 x 2 diante do Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro sub-20. Destaque do vice-líder da competição, o garoto deve, no mínimo, ser uma opção melhor que Felippe Cardoso.

– As semanas de treinamento ainda não deram efeito dentro de campo…

Saudações Tricolores, galera!

Carlos Vinícius Magalhães



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