“O ano acabou”: Lindinor Larangeira detona gestão do Fluminense, aponta paralisia de Montenegro e cobra saídas de Zubeldía, Mário e Angioni

Larangeira questiona se o projeto da atual diretoria é vencer ou vender o clube via SAF, destacando o entusiasmo com a negociação enquanto o time afunda moral e tecnicamente; torcida é convocada a reagir.




Lindinor Larangeira: "O ano acabou para o Fluminense"
Torcida do Fluminense - Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

Em artigo contundente, colunista do Explosão Tricolor afirma que a temporada de vexames é fruto da falta de gestão, criticando a omissão do presidente e a blindagem da diretoria de futebol.

(Por Lindinor Larangeira)

Parabéns aos envolvidos. Em pleno mês de agosto, o Fluminense Football Club já transformou uma temporada que começou cercada de expectativas em um amontoado de frustrações, vexames e decisões incompreensíveis. E não foi obra do acaso. Foi gestão. Ou melhor: a falta dela.

Em menos de um ano de presidência, Mattheus Montenegro caminha a passos largos para figurar na mesma galeria de Pedro Abad, quando o assunto é omissão, fragilidade política e incapacidade de defender os interesses do Fluminense. O torcedor já acumulou humilhações demais para fingir que nada está acontecendo.

PUBLICIDADE

A primeira grande humilhação veio fora de campo, naquele inacreditável adiamento do Fla-Flu, que atendeu muito mais aos interesses do rival do que aos do Tricolor. A segunda aconteceu onde dói mais: dentro das quatro linhas, em mais uma eliminação constrangedora para um Vasco tecnicamente limitado, mas que encontrou um adversário ainda mais desorganizado e moralmente abatido.

No papel, Mattheus Montenegro  é presidente. Na prática, parece assistir aos acontecimentos da mesma forma que as outrora aguerridas torcidas organizadas: imóveis, silenciosas e sem qualquer atitude de interferência. Pergunto aos líderes das TOs: o que está havendo?

A permanência de Luis Zubeldía após a campanha melancólica da fase de grupos da Libertadores foi o símbolo máximo dessa omissão e paralisia dos dirigentes. O Fluminense avançou graças a uma combinação de resultados e não por mérito próprio. Foi uma classificação quase culposa, incapaz de esconder o desgaste evidente do trabalho do treinador argentino.

A pausa para a Copa América ofereceu a oportunidade perfeita para corrigir a rota. Havia tempo para encerrar um ciclo esgotado, reorganizar o elenco e iniciar uma nova etapa. A diretoria preferiu insistir no erro. Agora, o preço está sendo cobrado.

Lindinor Larangeira: "O ano acabou para o Fluminense"
Foto: Fluminense FC

Não basta tirar o técnico

Luis Zubeldía tem responsabilidade direta pelo futebol sofrível que o Fluminense apresenta. O time não evolui, repete erros, parece sem alma e sem qualquer padrão minimamente consistente.

Mas seria um erro enorme transformar o treinador no único responsável. Afinal, quem contratou grande parte dos jogadores que hoje não correspondem? Quem autorizou investimentos questionáveis? Quem participou da construção de um elenco caro, desequilibrado e incapaz de sustentar uma temporada competitiva?

Em qualquer instituição séria, resultado importa. E quando os resultados não aparecem, a cobrança precisa alcançar todos os responsáveis.

Por isso, a eventual demissão de Zubeldía seria apenas o primeiro passo. Mas, sem mudanças no comando do futebol, nada muda. Mário Bittencourt e Paulo Angioni não podem continuar blindados, enquanto o clube acumula fracassos esportivos e amplia sua crise de gestão.

Aliás, a situação atual oferece uma oportunidade interessante para a torcida descobrir algo que ainda permanece nebuloso: o Fluminense tem um presidente de fato ou apenas alguém que executa decisões tomadas por outros?

Lindinor Larangeira: "O ano acabou para o Fluminense"
Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

O projeto é vencer ou vender?

Na véspera da partida que definiria a permanência ou não do clube na Copa do Brasil, Mattheus Montenegro participou da Rio Innovation Week para falar sobre sua gestão. Seria natural esperar uma apresentação sobre reconstrução esportiva, fortalecimento institucional ou planejamento competitivo. Mas o centro da discussão foi outro: a SAF.

Mais uma vez, o discurso indicou entusiasmo muito maior com a possibilidade de vender o clube do que com a construção de um projeto vencedor. A impressão transmitida é preocupante: enquanto o futebol afunda, a prioridade parece ser preparar o terreno para uma futura negociação.

E os sinais se acumulam. Xerém perde protagonismo. A dívida cresce mesmo em meio às maiores receitas da história do clube. Chegam jogadores que pouco acrescentam, mas aumentam significativamente a folha salarial. O desempenho esportivo despenca.

Tudo isso começa a compor uma narrativa conhecida. Primeiro se constrói o cenário de crise. Depois se vende a ideia de que não existe alternativa. O roteiro já foi utilizado em outros clubes. E boa parte da torcida tricolor tem todo o direito de desconfiar quando vê as mesmas peças sendo movimentadas.

Sobra a Libertadores. Alguém acredita?

A Copa do Brasil foi embora. O Campeonato Brasileiro já parece distante demais para qualquer sonho mais ambitiouso. Resta a Libertadores.

Tudo é possível. O chaveamento pode ajudar. O peso da camisa existe. O histórico recente também. Mas futebol não vive apenas de memória. E o que este Fluminense apresenta dentro de campo não autoriza nenhum otimismo responsável.

Pode até alcançar uma semifinal pela força da camisa e pela tradição acumulada nos últimos anos. Mas a sensação dominante é outra. A de que a diretoria seguirá empurrando decisões inevitáveis até que a realidade imponha sua conta definitiva.

Talvez Zubeldía só saia depois de uma eliminação continental. Ou talvez Mário Bittencourt e Paulo Angioni permaneçam intocáveis. Talvez o time siga despencando no Brasileirão enquanto a cúpula concentra suas energias em debates sobre venda do clube. Se esse for o roteiro, restará apenas o “prêmio de consolação” de lutar por uma vaga na Copa Sul-Americana.

A hora da torcida

O torcedor precisa decidir se aceitará assistir passivamente a esse processo ou se fará sua voz ser ouvida. Porque o problema já não é apenas um treinador. É uma gestão inteira que perdeu o rumo.

Fora Zubeldía, Mário e Angioni.

E, diante de tudo o que estamos vendo, fica cada vez mais difícil não concordar com uma frase que ecoa nas arquibancadas e nas redes sociais:

SAF – Vote NÃO.

⚠️ PLANTÃO: Últimas notícias do Fluminense [Clique aqui para ver o resumo de todas as movimentações de hoje]

Compartilhe o artigo em suas redes sociais!

Siga o Explosão Tricolor no WhatsAppFacebook, Instagram Rede X 

E-mail para contato: explosao.tricolor@gmail.com

CONTINUE LENDO
Avatar photo
Sobre Vinicius Toledo 1909 Artigos
Criador do Explosão Tricolor, Vinicius Toledo atua na cobertura jornalística do Fluminense desde 2014, com mais de 1.700 matérias e colunas publicadas sobre futebol, gestão e política do clube. Administrador de empresas com especialização em Finanças e Marketing, dedica-se à análise técnica e independente sobre os rumos da instituição. Saudações Tricolores!

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário