Menos Abel e mais Abad




Foto: Fluminense FC


Menos Abel e mais Abad

Mais uma derrota pra conta e a tristeza de ver o time sem nenhuma perspectiva neste ano. É galera, o Brasileirão vai ser “meio de tabela” e torcer pra não ter que lutar contra o rebaixamento até a última rodada. De resto, é ilusão de quem alimenta falsa expectativa na torcida, como os integrantes da Flusócio e sua mania de dizer que o time é melhor que o de 2017.

Vi muita gente culpando Abel Braga pela derrota do último domingo. “Pablo Dyego é muito ruim”, “não deveria ter começado com Matheus Alessandro”, “por que tirou o Ayrton Lucas?”, dentre outros questionamentos próprios de quem está puto com a goleada e quer fazer colocar a revolta pra fora.

Penso que é natural o desabafo e a gritaria geral. Afinal, são três derrotas em seis dias e o equipe, que poderia terminar já na quinta-feira como líder, caiu para a 11ª posição, atrás até mesmo do péssimo time do Vasco da Gama. Não há “santo” que suporte essa gangorra de emoções.

Mas Abel Braga está longe de ser o responsável pela decadência do time. Por mais que não gostemos da forma como ele arma a equipe ou critiquemos as substituições durante a partida, o treinador tricolor ainda consegue fazer muito com o pouco que lhe é dado, além de ter o grupo na mão.

Por diversas vezes neste espaço já critiquei Abel Braga. Contudo, sempre afirmei que ele é um baita gestor de vestiário e isso faz a diferença na hora de pensar em pedir a sua cabeça. Afinal, os jogadores estão convivendo novamente com atraso salarial e ainda querem que eles joguem pelo amor ao clube? Impossível! Só alguém que tem o grupo na mão ainda consegue manter a motivação dos atletas em campo.

“A verdade é uma só: Abel Braga não consegue fazer melhor com o time que a diretoria lhe dá. Se Pedro Abad e sua trupe entregam para o nosso treinador jogadores medianos e horríveis, como fazer magia? Varinha de condão? Trevo da sorte? Pé de coelho? Difícil fazer algo com os jogadores que ele tem.

A verdade é que, enquanto estivermos culpando Abel Braga, a diretoria vai nadar de braçada. Vai continuar entregando Balanço Financeiro atrasado; vai continuar contratando jogadores cujos interesses não ficam bem claros; vai continuar devendo todo mundo e ainda não mostrar a transparência necessária de suas ações. Já chega disso! O nosso futebol é ruim fora de campo e o que acontece dentro dele é apenas o reflexo da incompetência da diretoria.

“Ninguém em sã consciência imagina que o time do Fluminense vai ser campeão brasileiro. Não temos time pra isso e os “melhorzinhos” ficam apagados diante da mediocridade dos demais. Se os 11 titulares estivessem sempre em campo, poderíamos almejar algo um pouco acima do meio da tabela. Mas num campeonato extenso, o elenco é imprescindível e isso a diretoria não dá a Abel Braga. Simples assim!”

Não acho que o cara é o melhor técnico do Brasil. Quiçá do Rio de Janeiro. Mas é o melhor que podemos ter neste momento. É o único que chama a responsabilidade pra si num momento tão turbulento quanto este e ainda busca blindar os atletas, permitindo-lhes focar no futebol. Mas quando o atraso salarial chega, aí não tem foco que dê jeito.

São dois meses de direito de imagem atrasados e um na carteira. Todo empregador tem o dever de pagar em dia e os atrasos apresentados tumultuam o grupo e, por óbvio, refletem nos resultados em campo. Tanto que nos bastidores cogita-se que Abel Braga pretende se reunir com a diretoria para buscar uma solução para a situação.

Em resumo meus amigos tricolores, nada, mas absolutamente nada é pior para o Fluminense que a ausência de proatividade da atual diretoria, incapaz que é de buscar patrocínios rentáveis, equacionar as dívidas e vender a marca do clube, com milhares de torcedores espalhados pelo país. É dela a culpa pela falta de opções de Abel Braga.

Num clube cujos pagamentos com serviços de terceiros totalizaram mais de R$ 20 milhões em 2017, seis dos quais com “outros serviços profissionais”, leia-se, pessoas físicas contratadas como pessoas jurídicas a peso de ouro para trabalhos sem explicação, já que não há transparência nas Laranjeiras, é lamentável que os salários dos atletas estejam atrasados e isso comprometa o resultado em campo.

Num clube que tem Football no nome, otimizar os gastos significa retirá-los de onde é desnecessário e alocá-los onde realmente importa: no jogo das quatro linhas.

No final das contas, é menos Abel Braga e mais Pedro Abad. Esse deve ser o foco da crítica.

O Fluminense está acima de tudo!

Evandro Ventura


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