Modo várzea?




Libertadores 2021



Quando a Conmebol decidiu realizar as suas competições continentais em meio à pandemia, ela deveria estar bastante firme na tomada de decisões já que cada país possui sua política sanitária composta por diversos tipos de medidas restritivas. Outra situação que não pode passar batida é a ebulição política que América do Sul vive há tempos, que, consequentemente, gera situações de desordem pública.

Pois é, o Fluminense comeu o pão que o diabo amassou nas duas últimas semanas. Com uma tabela pra lá de ingrata, que apontou dois jogos seguidos na Colômbia, o Tricolor acabou sendo vítima da falta de firmeza e desorganização da entidade máxima do futebol sul-americano. Nas duas ocasiões, a delegação tricolor saiu do Brasil sem ter a certeza sobre o local de realização da partida.

Contra o Independiente Santa Fe, muita discussão após a proibição decretada pelo governo de Bogotá. Houve a tentativa de outras opções, mas a maioria fechou as portas. Menos mal que a cidade de Armênia abriu as portas. Porém, até a questão do avião fretado deu problema por conta da legislação local. Apesar de todo o contexto problemático, o Fluminense entrou em campo e venceu na bola.

No entanto, o cenário ficou ainda pior, pois o povo colombiano foi às ruas para dar o seu grito contra a reforma tributária proposta pelo seu governo. A onda de protestos virou praticamente uma guerra civil. Com jogos da Libertadores e Sul-Americana marcados para a Colômbia, não precisava ser nenhum grande gênio para saber que não havia condições de realizá-los com o mínimo de segurança.

Na Argentina, o River Plate logo bateu o pé e se recusou a embarcar para a Colômbia sem um posicionamento da Conmebol, que veio rapidamente através de um comunicado confirmando a mudança de local do jogo totalmente favorável aos argentinos, pois a partida será realizada em Assunção, no Paraguai. Sendo assim, os colombianos, que são os mandantes, tiveram que realizar um deslocamento muito maior.

No caso do Fluminense, a decisão foi a de embarcar para a Colômbia. A notícia que circulou é a de que as autoridades locais de Barranquilla garantiram a realização do jogo, pois o clima na cidade estava tranquilo, porém, não foi isso que o brigadeiro-general Diego Rosero, comandante da Polícia Metropolitana de Barranquilla, relatou em entrevista concedida à imprensa colombiana, na última segunda-feira, conforme o Explosão Tricolor publicou na última terça-feira:

“Três adultos e um menor foram capturados. Eles estão sendo apresentados à Procuradoria-Geral da República para audiências de legalização de captura. Mais de 42 pessoas também foram levadas para a UCJ – Unidade de Serviços Especializados em Convivência e Justiça Cidadã. Tivemos a necessidade de intervir com o Esmad duas vezes, como resultado temos um de nossos policiais, ferido em uma perna. Conseguimos detectar que existem alguns grupos criminosos zonais, que têm se dedicado a instrumentalizar, energizar e incutir jovens, para cometer vandalismo, em setores de bairro, a fim de promover o descontentamento social” – brigadeiro-general Diego Rosero.

Por conta de uma reunião na véspera do jogo, que faz parte do protocolo de segurança dos jogos de competições organizadas pela Conmebol, ficou decidido que o local da partida mudaria de Barranquilla para Guayaquil, no Equador. Parece piada, mas não é. A situação na Colômbia já era conhecida há uma semana, mas ainda assim, o Fluminense viajou para Barranquilla.

Acredito que tenha faltado malícia ao Fluminense e até coragem para pressionar a Conmebol antes do embarque. O “ok” das autoridades locais poderia ter sido contestado com reportagens publicadas pelos veículos de comunicação de Barranquilla e até mesmo a declaração do brigadeiro-general Diego Rosero, que comanda a polícia em Barranquilla. Porém, não há como não apontar a desorganização e até mesmo a falta de zelo da Conmebol. Também é importante incluir a CBF nesse contexto, pois ela também tem a obrigação de zelar pelos seu clubes.

Apesar de toda essa bagunça, espero que o Fluminense supere tudo isso e traga mais uma vitória, que será de fundamental importância para o futuro da equipe na Copa Libertadores, porém, não dá para ficar calado após toda essa bagunça de causar inveja ao futebol de várzea.

Forte abraço e ST

Vinicius Toledo



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