Na conta da cúpula de futebol




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor



No último sábado, publiquei um texto aqui neste espaço para expor minha visão sobre as perspectivas do Fluminense na temporada. Cheguei a ressaltar que a Copa Sul-Americana era a chance mais real de título para 2020. Alguns leitores não gostaram. Teve um que chegou a chamar a publicação de mesquinha, outro falou que era política, etc… Sem problemas, faz parte do jogo.

Ainda na publicação, questionei a declaração do Odair Hellmann de que o duelo contra o Unión La Calera era importante, mas não era o jogo do ano. Confesso que não gostei nada do discurso do técnico, mas procurei não polemizar. Dei apenas um leve toque para deixar registrado.

Na partida de ida, apesar dos erros de escalação, o Fluminense merecia até uma sorte melhor. Porém, a bola não costuma premiar a incompetência, que começou na elaboração do planejamento para a disputa da primeira fase da Copa Sul-Americana. As lesões de Evanilson, Marcos Paulo e até do Caio Paulista foram pra lá de esquisitas. A impressão que foi passada é a de que perderam a mão na curtíssima pré-temporada. A forma que o Odair Hellmann conduziu o time até os confrontos sinalizou que o Fluminense não se preocupou tanto com os dois confrontos contra os chilenos. Acharam que já estava no papo?

Em La Calera, o Fluminense deixou muito a desejar. Com um meio de campo lento e sem imaginação alguma, o time teve sérios problemas na construção de ações ofensivas. Na verdade, o setor de criação foi nulo já que os laterais, que até tentaram jogar, não tinham com quem dialogar. Como segundo volante, Henrique deixou a desejar mais uma vez. Até quando? Não é possível que o Yago Felipe ou até o Dodi não sirvam para acelerar a transição e dar maior mobilidade ao setor de meio de campo.

Sem uma cabeça pensante para conduzir o time, a coisa ficou feia. Após o intervalo, na base do “bumba meu boi”, a rapaziada criou, pouco, mas criou, algumas chances reais. Porém, de nada adiantou. Foram quinze finalizações, mas apenas duas na direção do gol.

Com um time pessimamente escalado e substituições horrorosas, o Fluminense dançou precocemente da Copa Sul-Americana diante de um time até esforçado, mas que é muito fraco. E essa eliminação é trágica em todos os sentidos. Primeiramente, em termos financeiros, o clube deixou de ganhar R$ 1,7 milhão. Porém, a questão moral é o maior de todos os prejuízos, pois a torcida levou um duro golpe. Por mais que um ou outro discorde, a competição continental era a única esperança real de algo digno da grandeza verde, branca e grená.

Eliminação que liga o sinal de alerta em nível máximo, mas que também serve como choque de realidade. Se analisarmos o Fluminense de uma forma geral, muitas questões ainda não estão tão transparentes, mas isso é papo para outro dia. Por falar na diretoria, ela não pode reclamar de qualquer tipo de pressão externa. Com exceção de uma meia dúzia de vozes da velha política do clube, a gestão ficou bem à vontade para trabalhar. Porém, algumas cobranças são mais do que necessárias, pois é sempre bom lembrar o seguinte: “A bola não entra por acaso”.

Vinicius Toledo



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