O desânimo do escriba




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

Buenas, tricolada! Parafraseando o hilário Agamenon Mendes Pedreira, personagem/colunista criado pela galera do Casseta e Planeta, creio que os meus dois leitores estranharam a ausência dos meus pitacos aqui no Explosão Tricolor a respeito do último confronto do FFC pelo Brasileirão, no sábado, às 21h, contra o Galo Mineiro.

Pois é, mas este escriba que vos fala cansou, realmente. Foi tomado pelo desânimo.

Cansou de ver o Flu dominar as partidas, mesmo contra os adversários mais qualificados, e terminar derrotado.

Cansou de assistir às falhas individuais decretarem os nossos maus resultados.

Cansou de detonar o Muriel num jogo, e no embate seguinte ter que se desdizer.

Esgotou-se de ver o Digão cagar o pau em bolas simples, depois de realizar jogadas de TS3 ou de Franco Baresi.

Não aguentou mais a irregularidade do Caio Henrique. E também do Nino, que vinha sendo o nosso melhor zagueiro, até o duelo do último sábado.

Ou ainda, decepcionou-se com o ótimo Allan. E chateou-se de ver o PH Ganso buscar diálogo em campo e não encontrar ressonância nos companheiros.

Detectou, contrariado, que Julião e Daniel apequenam-se, como se ainda estivessem na base, diante dos desafios mais cabeludos – mesmo após apresentações anteriores surpreendentes.

Não enxergou respaldos também na entrega incessante do Speed – sem boas consequências, mas deparou-se com a falta de sorte do Pedro, que voltou pro estaleiro.

Penalizou-se com a luta inglória dos ótimos Marcos Paulo e Jotapê. Em suma…

Isto quando ele não se revoltou, em inúmeras oportunidades, com fato de a arbitragem rasgar as regras, ignorar os critérios e nos prejudicar. A juizada de campo e a virtual!

Ah, e cansou dos discursos do Diniz, nos pós-jogos, alegando as mesmíssimas mariolas de sempre: – Merecíamos ao menos o empate… Fomos melhores… Gostei do time… Temos que ganhar…

Porra, temos que ganhar, é claro! Aliás, passou da hora! A inevitabilidade de engatarmos umas três ou quatro vitórias sequenciais é premente! Algo tem que ser feito – nos bastidores, nos gabinetes do Laranjal, no CT Pedro Antônio, enfim, na Casa da Mãe Joana!

De antemão, ratificando a minha tese, EU NÃO DEFENDO A DEMISSÂO DO FERNANDO DINIZ! Manjam o velho jargão das nossas avós? Aquele que dizia assim: ruim com ele, pior sem ele! Sim, este é o meu conceito sobre o tema.

Contudo, a situação do treinador está ficando insustentável. Há parte da torcida que deseja vê-lo longe de Álvaro Chaves. Alguns segmentos da Diretoria andam se coçando para mandá-lo às favas. Tem um montão de jogadores querendo se mandar do Fluminense – alguns já partiram. Putz, o ambiente “meloso” do início da temporada ao que parece começou a desmoronar.

Arrisco dizer que se o Fluzão dançar na Sula (pé de pato, mangalô três vezes), torneio no qual eu e 99,9% dos torcedores levamos fé no título, o bom e inovador Diniz dará adeus aos seus comandados. Na marra. Sem piedade.

Creio que não caiba, agora, ajuizar pareceres sobre o confronto lá das Minas Gerais, no último finde. Decerto, a maioria dos tricolores de coração acompanharam a peleja e concluíram as suas opiniões de maneira bastante similar às minhas.

Entretanto, desejo somente o seguinte pensamento geral: aqueles que ainda apoiam o nosso treinador não podem desanimar. Não devemos virar-lhe as costas. Por incrível que pareça, o meu otimismo nato ainda vislumbra boas possibilidades em 2019, no caso de sua manutenção. É esperar, sustentar o nosso foco e a nossa corrente de esperanças – pincelados de verde, branco e grená –, e apostar em dias melhores.

Ao Diniz, aqui vai um apelo do escriba desanimado: incuta nas mentes dos nossos atletas que NEM SEMPRE devemos sair jogando de pé em pé, com passes arriscados, que passam diante da nossa meta. Este tipo de jogada denota um autoflagelo desnecessário – numa boa, vai além das convicções pessoais –, e transforma-se em ecocardiogramas aos nossos próprios torcedores.

Oras, não temos a qualidade individual que permita a todo instante tal tipo de ação. Então, chutões também devem ser utilizados.

A repórter Karin Duarte, que cobria a transmissão de Flu e Galo pelo Premiere, relatou algo interessante em uma de suas interferências: fora das câmeras – e dos microfones, no decorrer do primeiro tempo, o técnico tricolor “incentivou” os referidos chutões em várias situações de jogo. Caramba, seja veemente, pois, senhor Fernando! Os caras não lhe obedeceram. Tanto assim que os gols mineiros nasceram de erros de saída de bola de dois dos nossos jogadores mais técnicos: Allan e Nenê! Excesso de confiança por vezes atrapalha, malandragem!

Pode parecer que me contradigo, comparando esta minha súplica de hoje com o conteúdo do texto da minha penúltima coluna – sobre o confronto diante do Peñarol, no Maraca. Mas se os caros amigos relerem atentamente aquela publicação, de imediato perceberão que o meu temor, na ocasião, referia-se às mudanças definitivas (pareadas com a mesmice dos treinadores, doutores, professores antiquados) que o Fernando Diniz parecia estar implementando, ante o apego ao cargo e as pressões externas.

Concluindo, rapaziada, depois de mais um revés, e do meu cansaço e desânimo, estou tentando me reenergizar para as guerras que estão pintando logo ali na frente. Tem Copa Sul-Americana, tem mais Campeonato Brasileiro, tem sofrimento garantido, mas há também forças e confiança de que o Fluzaço pode redesenhar a sua trajetória logo, logo. Afinal, só que ama o Tricolor das Laranjeiras entende a representatividade da genuína sofrência, aquela que sempre precedeu os nossos triunfos!

Até a próxima.

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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