O “Dilema Gérson”




Gérson em sua estreia pelo Tricolor.
Gérson em sua estreia pelo Tricolor.

Amigos, hoje é destaque no Explosão Tricolor a seguinte notícia: Mário Bittencourt não assegura a permanência das jóias de Xerém.

Em virtude disso, vou pedir licença a todos vocês, leitores assíduos deste site, para deixar de lado um pouco a tranquila vitória Tricolor diante do Bonsucesso.

Até mesmo pela atuação do Gérson ontem, entendo ser muito mais relevante a repercussão desta entrevista do nosso V.P de Futebol, do que mais uma vitória neste insosso Rubão Miranda 2015.

Desde a saída da Unimed, ouvimos que o Fluminense precisará trabalhar com uma nova realidade. Saem os medalhões com salários milionários, entram as jovens promessas de Xerém, mescladas com a manutenção de uma espinha dorsal experiente, que dê suporte para o desenvolvimento destes jogadores recém profissionalizados.

E para nosso deleite, justamente no início deste novo modelo, surge este menino Gérson.

Amigos, o que este garoto fez nos últimos dois jogos não é normal. Estamos diante de uma dessas promessas que surgem a cada 5 anos no nosso futebol, dentre as quais são poucas, é verdade, as que mantém a cabeça no lugar e viram os super craques que todos esperam.

Analisemos os jogos deste menino de 17 anos, cujas primeiras aparições nos profissionais como titular foram no Maracanã. Contra o Botafogo ele decidiu. E ontem, contra o Bonsucesso, ele tomou conta do nosso meio de campo, transformando o experiente Wagner em coadjuvante (o que é ótimo, pois é nesta condição que Wagner costuma apresentar seu melhor futebol).

Não falo aqui apenas sobre as jogadas de efeito do nosso jovem meio campista. Até porque, em 2006 o Lenny apareceu com um golaço diante do Cruzeiro no Mineirão, e hoje vive escondido em Boavistas da vida.

Se analisarmos mais profundamente o jogo de ontem, veremos  que o Gérson foi o grande responsável pela dinâmica de nosso setor ofensivo. Sua visão de jogo, categoria e calma impressionam, especialmente se considerarmos que falamos de um jogador de apenas 17 anos de idade, e que ainda tem muito o que evoluir.

E aí vem a grande questão que atormenta toda a torcida tricolor: Como o Fluminense lidará com isso?

É certo que nosso histórico é péssimo. O Fluminense é, tradicionalmente, um mau vendedor. Não consegue aproveitar suas promessas o suficiente no time principal, nem tampouco, efetuar boas vendas para os combalidos cofres do clube.

Puxando pela memória, podemos lembrar de Roger, Carlos Alberto, Marcelo, Diego Souza, Fábio e Rafael, dentre outros. Todos com pouco tempo no tempo principal, foram vendidos por um valor abaixo de seus respectivos potenciais.

E nessas horas, é impossível não lembrar de um episódio, que para mim virou parâmetro no futebol brasileiro, que foi o caso Neymar no Santos.

O Neymar foi promovido em 2009, despontou em 2010, e foi vendido na metade de 2013. Ou seja, jogou quatro anos e meio nos profissionais do Santos. Neste período, foi campeão paulista, da Copa do Brasil e da Libertadores. Ou seja, trouxe retorno técnico à equipe, antes de ser vendido a um clube de ponta da Europa.

Alguém consegue ter ideia de quantos novos torcedores mirim escolheram o Santos por causa do Neymar? Qual foi o ganho do Santos por causa do Ibope que seus jogos tinham? E os patrocinadores? Isso sem contar a cota de televisão, que foi incrementada exatamente pela presença do Neymar no time.

É claro que isso tudo só foi conseguido, em virtude do próprio Neymar ter bem definido na cabeça que gostaria de desenvolver bem seu futebol aqui no Brasil antes de sair. E certamente sua família o ajudou bastante nesta questão.

E isso com essa imprensa esportiva vira-latas, que ficava o tempo todo buzinando nos ouvidos dele que tinha que sair logo do Brasil, e que o seu futebol só iria crescer em campeonatos mais desenvolvidos na Europa, etc, etc. Imprensa maldita, que depois vem reclamar que o nível do nosso futebol está péssimo, e que não temos mais bons jogadores contribuindo para o espetáculo em nossos campos.

Mas voltemos ao nosso Gérson.

O Fluminense se vê num dilema, em que corre o risco de perguntar sempre quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.

Por um lado, o dinheiro é curto, e obviamente que uma boa venda sempre é bem vinda para os combalidos cofres do clube. Este é, inclusive sem qualquer disfarce, um dos objetivos de nossas divisões de base. Quem não se recorda de uma frase de uma antiga raposa Tricolor que dizia: “Xerém é a Fábrica e Laranjeiras é a loja”.

Mas por outro lado, como fazemos com a nova solução para o futebol do Fluminense? A ideia não era exatamente mesclar promessas da base com uma experiente espinha dorsal? Mas esta mescla será só de promessas, que nunca teremos tempo de esperar que virem realidade para nossa equipe? Então, que me desculpem os que pensam diferente, mas este é um modelo fadado ao fracasso.

E qual seria a solução?

Para mim, ela está nos demais jogadores que Xerém revela a cada ano. Que tentem alocar todos estes outros jogadores nos mais variados mercados ao redor do mundo. Temos diversos lugares para isso hoje em dia: Ucrânia, Estados Unidos, China, Japão, Oriente Médio, México, Leste Europeu, etc. Mas mantenham o Gérson. Pelo menos até que ele traga algum retorno técnico à equipe.

Vamos deixar os Europeus espernearem um pouco, que as propostas só subirão de valores. É um risco? É! Pode acontecer alguma coisa, o Gérson sofrer uma contusão séria (toc toc toc 3 vezes), ou mesmo não virar o que esperamos dele? Claro que pode. Mas o risco, neste caso, compensa.

Um clube grande sobrevive de títulos, ídolos e craques. E o Gérson pode ser a tradução futura disso tudo.

Abs,

Alan Petersen

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