O Fluminense tem que ser respeitado!




Casa cheia no salão nobre das Laranjeiras.

Alta cúpula da diretoria, cento e poucos conselheiros e muitos sócios assistindo atentos a “bola rolar”…

Bola rolar? Não! Era a votação do Orçamento para o ano de 2015 que previa um déficit de R$ 46 milhões.

Primeira vez que presenciei uma reunião no Conselho Deliberativo do Fluminense. Confesso que não foi uma experiência nada agradável.

Por ser um  “humilde cabaço”, procurei olhar todas as movimentações dos conselheiros, grupos políticos, dirigentes e até dos seguranças.

Sempre gostei de analisar o comportamento humano. E este cenário me motivou a fazer isso com maior intensidade.

Entre os conselheiros, um falando no ouvido do outro. Articulações, fofocadas, intrigas, sacanagens, etc… Dá nojo, mas política é isso aí e ponto final.

A “bola”, ops, a votação, estava prevista para rolar às 19h30, mas…

O presidente Peter deu um longo discurso. E alguns outros membros da diretoria também não fizeram muito diferente.

Na minha humilde opinião, tive a impressão de que foi algo planejado para tentar derrubar a “turma do contra” no cansaço. Mais uma lição que aprendi sobre a tal da política.

Alguns conselheiros da SITUAÇÃO e da OPOSIÇÃO discursaram. Cada lado apresentou seus argumentos.

Gostei do discurso da OPOSIÇÃO. Foi feito de forma equilibrada, questionadora e responsável.

Enquanto isso, alguns componentes da mesa do Conselho não paravam de mexer nos seus celulares e nem prestavam atenção nas explanações. Davam até risadas… Bola fora e postura totalmente desalinhada com as tradições do Fluminense Football Club.

O presidente do Conselho acabou roubando a cena, mas de forma negativa.

Ele passou a impressão de que não estava disposto a ceder espaço para os conselheiros da OPOSIÇÃO se manifestarem. Cadê a democracia?

Após um membro do Conselho propor uma votação para o adiamento da questão do Orçamento, ele comunicou que a proposta seria atendida.

O presidente do Conselho determinou o seguinte: a votação seria na base do “levanta o braço”. Ele faria a contagem com a ajuda de um rapaz. Na hora, fiz uma viagem ao túnel do tempo e lembrei da querida tia Léa da primeira série do primário…

De forma alguma, estou questionando a contagem. Longe disso! Na verdade, fiquei abismado com a forma que algo importante foi conduzido. Com toda sinceridade, esperava que a coisa fosse mais organizada. Além disso tudo, na hora da turma votar que era favorável ao adiamento, o presidente soltou o seguinte: “Vocês têm certeza?”. Não vi a mesma pergunta para a turma que votou contra o adiamento.

Não posso deixar de mencionar a atenção que o presidente Peter Siemsen me deu. Conversamos por cerca de vinte minutos. Ele comentou sobre as dificuldades nos bastidores e enfatizou que o ano de 2014 foi bastante delicado em todos os sentidos. Foi uma boa conversa, pois deixei bem claro alguns posicionamentos meus, principalmente, quando o assunto foi a ausência de defesa institucional no imbróglio do Brasileirão de 2013. Ele abriu as portas para uma futura entrevista exclusiva (pediu para entrar em contato com o Marcello Vieira).

Sobre a aprovação do déficit, a autorização para os administradores do clube gastarem R$ 46 milhões está dada e não adianta mais chorar. Resta saber o final dessa história… Fica a torcida para o Fluminense sair ileso não só nas finanças, mas no campo também.

Termino mandando um recado a todos os membros da Diretoria e do Conselho: respeitem o Fluminense. O futuro do clube não pode ser discutido aos sons de celulares, risadas e com membros da diretoria de costas para os discursos.

Saudações Tricolores!

Vinicius Toledo

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