O guerreiro baiano que só queria ver o Fluminense




Ivan Ramos

Obrigado, Ivan!

Acompanhe as colunas do Vinicius Toledo publicadas no Explosão Tricolor!

O guerreiro baiano que só queria ver o Fluminense (por Vinicius Toledo)

A vida muitas vezes nos mostra de forma simples, mas ao mesmo tempo, profunda, situações que servem de grande aprendizado para a nossa caminhada. Na véspera do jogo entre Bahia e Fluminense Football Club, na Arena Fonte Nova, passei o belo final de tarde ensolarado no Pelourinho ao som das batucadas do Olodum. Que energia maravilhosa, algo de arrepiar! Horas depois, um podcast com os amigos Sergio Moreth, da Axé Flu, Nina Lessa e Vilella. Resenha sensacional e com apoio do Bruno, que também corre atrás para manter a chama acesa da Axé Flu.

Vinicius Toledo no Pelourinho, em Salvador, na Bahia

Na Fonte Nova, uma escadaria enorme para chegar ao setor de visitante. Logo lembrei do “Pagador de Promessas“, que é uma obra que conta a história trágica de Zé do Burro, que viaja de sua aldeia, no interior da Bahia, até Salvador carregando uma cruz. Seu objetivo era depositá-la no altar a fim de agradecer a Santa Bárbara (lansã) a salvação de seu burro Nicolau, que estava doente.

É óbvio que a escadaria da Fonte Nova foi molezinha perto da obra literária. Apenas mencionei para homenagear o eterno romancista e dramaturgo baiano Dias Gomes. É sempre bom lembrar desses monstros sagrados da nossa cultura, uma homenagem necessária nos dias de hoje.

O Fluminense perdeu no finalzinho, mas o que me marcou profundamente mesmo foi o guerreiro Ivan Ramos. Ele estava do meu lado na arquibancada. Logo nos primeiros minutos de jogo, ele segurou um pedacinho de vidro próximo do olho direito. Eu cheguei até a pensar o seguinte: “Será que o cara está fazendo algo para mandar uma energia positiva para o Fluminense? Mais um dos mistérios da Bahia?”

Comecei a puxar assunto até que ele me contou que tem uma dificuldade na vista, e que aquele pedacinho de vidro era do óculos quebrado dele. Depois de um tempo, ele pegou o celular para melhorar a visão. 

No intervalo, ele me falou que só ficaria até os 20 minutos da etapa final, pois teria que ir correndo para o trabalho. Quando chegou a hora de partir com  o amigo dele, nos despedimos. O Ivan falou que sempre foi Fluminense, na verdade, nem precisa me falar. O esforço comovente desse guerreiro baiano me tocou profundamente, pois é um dos sentimentos mais nobres. Esse guerreiro só queria assistir o seu grande amor em campo.

Obrigado, Ivan Ramos. Nesse mundo cada vez mais louco, você me mostrou que ainda podemos lutar por um mundo melhor quando se tem amor.

Muito axé, guerreiro!

Ivan Ramos e Vinicius Toledo

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário