O intenso e vertical estilo de jogo que marcou o Fluminense tetracampeão




O Fluminense sofreu (e muito) para sagrar-se tetracampeão brasileiro, em 2012. Diante de defesas milagrosas operadas por Diego Cavalieri – 137, na ocasião -, muitos taxaram Abel Braga, mesmo diante do título, de retranqueiro. Mas o fato é que o conjunto de características que englobava o elenco milionário da temporada, não poderia proporcionar menos do que foi visto.

Porque jogadores como Thiago Neves, Wellington Nem, Jean, Carlinhos, Bruno e Fred, tinham por instinto o jogo vertical. Ou seja, definir a jogada com rapidez e qualidade seria o natural. Deco, contudo, trazia o equilíbrio necessário ao Fluminense.

E mesmo com todo o sofrimento defensivo da época, a compactação do Fluminense era um dos pontos fortes. Muitas vezes os comandados de Abel erravam em recuar demais diante da vantagem do placar, mas encontrar espaços entre as linhas de marcação era difícil. Wellington Nem e Thiago Neves recuando sem a bola, alinhados a Jean e Deco à frente de Edinho e atrás de Fred. Variação natural entre o 4-3-3 e o 4-1-4-1.

Contra o Flamengo, ainda no primeiro tempo o Fluminense defendia com todos os jogadores na linha da intermediária. (Foto: Reprodução / Premiere FC)
Contra o Flamengo, ainda no primeiro tempo o Fluminense defendia com todos os jogadores na linha da intermediária. (Foto: Reprodução / Premiere FC)

O Fluminense teve o melhor aproveitamento, maior número de vitórias, ataque mais positivo, defesa menos vazada, artilheiro do campeonato e diversos outros dados. Em resumo: competência. Os lampejos acionando Deco para explorar a velocidade de Wellington Nem, a técnica de Thiago Neves e o poder de conclusão de Fred; a experiência do luso-brasileiro e dos demais jogadores rodados – Fred, Gum, Leandro Euzébio etc -, para saber o que fazer a cada fração de segundo; além de Cavalieri e a sorte.

Quando a tendência seria a bola passar pelo melhor goleiro da competição, algo conspirava a favor do Fluminense. Como no gol perdido por Cleber Santana, pelo Flamengo, na 27ª rodada. Ou o pênalti mal cobrado por Bottinelli e defendido por Cavalieri, mesmo no sacrifício após ser atingido por Vagner Love e quase deixar o campo, na mesma partida.

O imponderável não pode ser analisado, mas também não deve ser desprezado. A receita de um time campeão. A equipe que garantiu o título na 35ª rodada, diante do Palmeiras, em Presidente Prudente, não só foi tática e técnica.

No jogo do título, o 4-3-3/4-1-4-1 também variava para o 4-2-3-1. Abel priorizou o jogo limpo pelos laterais a partir das movimentações de T. Neves e W. Nem.
No jogo do título, o 4-3-3/4-1-4-1 também variava para o 4-2-3-1. Abel priorizou o jogo limpo pelos laterais a partir das movimentações de T. Neves e W. Nem.

Adriano Motta / Explosão Tricolor