Resenha – Vasco 1×1 Fluminense




Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

Buenas, tricolada!

Empatar com o Vasco em São Januário não representa terra arrasada, como muitos podem sugerir. Em primeiro, porque somos fregueses dos caras, infelizmente; em segundo, porque não é fácil batê-los dentro de seus domínios, e tais episódios são históricos, de longa data; em terceiro, pelo fato de o Marcelo Oliveira estar começando um trabalho, que aparenta ser auspicioso, e pela natural dificuldade de os jogadores assimilarem o novo conceito tático; em quarto, por conta da falta de ritmo de jogo de todos os atletas – fizemos uns 3 amistosozinhos mequetrefes, apenas, durante o recesso para a Copa da Rússia, nesta reta final de preparação; em quinto, porque jogamos quase até a metade do segundo tempo com um a menos – o Dodi não entrou em campo; e em sexto, pelos recorrentes erros de passes, em especial aquele último, que gera assistência pra gol – por afobação, falta de capricho e limitação técnica, justiça seja feita!

Analisando a equipe individualmente, e até por setores, ratifico aqui o que venho dizendo há tempos do Júlio César: não transmite segurança, tanto a nós, torcedores, como para a sua própria defesa. Um goleiro de time grande não pode socar uma bola à meia altura para o meio da área, nos pés do adversário! Ele faz partidas estupendas, defesas dificílimas, mas, em outras, comete equívocos não condizentes com a “camisa 1” tricolor, que já foi de Castilho, Veludo, Félix, Renato Aranha Negra, Paulo Vítor e Cavallieri (nos seus áureos tempos). Ademais, e não sei se foi instrução do técnico ou falta de confiança, o malandro abusou de chutões a esmo, até nos tiros de meta, no lugar de sair jogando com tranquilidade e confiança, artifício que a maioria dos times utiliza hoje em dia e que dinamiza a atuação de uma equipe.

A zaga portou-se muito bem, e aqueles que temiam pelo aproveitamento do Digão, que ponham as suas barbas de molho: ele foi soberano, por cima e por baixo, antecipou milhares de ataques cruzmaltinos, e por pouco não deixou a sua marca, numa cabeçada que o Martín Silva tirou com o seu pé direito, sobre a linha! Sinto muito mais segurança nele do que no Renato Chaves, no Frazan (muito jovem e inexperiente), no Nogueira (que nem está mais na casa), etc… Ele não representa o becão dos meus sonhos, tem apagões perigosos, eventualmente, mas está mais maduro, é tricolorzaço, e o que temos pro jantar – digamos que não seja uma feijoada completa, mas trata-se de um feijãozinho caseiro otimamente bem temperado! O Gum também se houve a contento: não cometeu falhas e rebateu inúmeras bolas de cabeça! Ah, e ambos cobriram as subidas dos laterais com eficiência!

Por falar nisso, os laterais serão um problema, daqui pra frente! Quando o Gilberto não puder estar em campo, conviveremos com diversas dificuldades pelo lado direito! O Léo é limitadíssimo, tropeça na bola, não é exímio marcador, não chega ao fundo e não tringula com os companheiros que caem pelo seu setor. Ele ocupa o espaço, somente, tem alguma velocidade, e isso intercede no desenvolvimento das jogadas “inimigas”, mas é muito pouco! O Ayrton Lucas, como lateral, não terá a mesma desenvoltura que demonstrava como ala, mas ainda é a nossa saída de jogo mais técnica pela esquerda, além de ele ser uma boa arma ofensiva. Talvez tenha sentido a falta de cadência, pois contundiu-se antes do Mundial, não atuou nos últimos 4 ou 5 confrontos (fez um joguinho meia-bomba, se não me engano contra o Galo, e saiu no começo do segundo tempo), e ficou em recuperação, nesse período, mas não será o homem ultra efetivo de ataque, como outrora!

Richard é feijão com arroz clássico! Bom jogador, mas às vezes erra nas saídas de bola perigosamente. Aliás, não entendi porque o Marcelo treinou os 20 dias anteriores à reestreia com o Aírton de primeiro volante, e contra o Vasco entrou com o nosso camisa 25! Jádson começou bem, se apresentando pela direita no campo de ataque, mas caiu de produção. Contudo, foi fundamental na recomposição defensiva! Sobre o Dodi, eu já opinei: talvez o menino ainda não tenha se dado conta de que Fluminense Football Club não é Criciúma Esporte Clube, com todo o respeito e reverência ao simpático Tigre de Santa Catarina! É esforçado, corre mais do que notícia ruim, mas está devendo… Vamos dar mais tempo ao moleque! Sornoza é um arremedo daquele jogador insinuante e cerebral do Del Valle e de seu começo nas Laranjeiras, em 2017! O cara esconde-se no jogo, é intranquilo, perde chutes na cara do goleiro adversário, como naquela rebatida da defesa vascaína que caiu no seu pé bom, dentro da área, e ele conseguiu acertar um zagueirão quase caído! Seus passes e metidas de bola são equivocados, assim como a escolha da melhor jogada, no terço final do campo. Está devendo muito!

Marcos Júnior dedicou-se como sempre, criou algumas boas chances, e também sentiu a partida pegada, mas tem um diferencial: não desiste jamais! E o Pedro, meus camaradas, é aquilo: bobeou, gol neles! Esse garoto ainda nos dará imensas alegrias, se a diretoria não trocá-lo por duas mariolas e dois tabletes de Polenghinho! Matheus Alessando e Pablo Dyego deram velocidade ao ataque e foram bastante incisivos, mas ainda lhes falta o estopo necessário para se tornarem titulares! Teremos as estreias promissoras de Luciano, Everaldo, Júnior Dutra e Cabezas, jogadores que, apesar de serem apostas e de não contarem com a estima de inúmeros torcedores, encorparão o elenco e darão mais opções ao Marcelo Oliveira – que, a propósito, a meu ver, fez boa estreia no comando técnico do nosso time!

O Fluminense teve as melhores chances da peleja: no comecinho, duas jogadas pelas laterais, com Jádson por um lado e Ayrton por outro, por pouco não deixaram o Pedro em condições de conferir. Ainda no primeiro tempo, houve o chute de fora da área do Marcos Júnior para a boa defesa do Martín, a boa trama pela meia direita que deixou esse mesmo Pedro em condições de marcar, mas ele demorou um pouquinho para concluir e deu tempo pro Breno dar um carrinho salvador (com um tanto mais de rodagem, o nosso camisa 9 tentaria o corte no zagueirão pra bater de canhota, ou buscaria um totó de leve, de cavadinha, sobre o goleiro uruguaio, que estava ligeiramente adiantado), e aquela finalização do gringo, de dentro da área, sem marcação, sobre o Ricardo Graça já no solo, a que mencionei mais acima! Na segunda etapa, ocorreu um contra-ataque mortal, quando o nosso volante-meia Jádson colocou o Marcos Júnior na corrida, na direção do gol, o De Sabato (ou o Ricardo, não sei) deu um carrinho por trás – na bola – e salvou a cidadela cruzmaltina. Depois do tento dos oponentes, aconteceram também algumas outras oportunidades, como a cabeçada do Pedro para a defesaça do Martín – na sobra, o Pablo Dyego ainda carimbou a trave -; a cabeçada do Digão para a defesa com os pés do arqueiro adversário, que também já fiz menção neste texto, e o nosso próprio gol! O Vasco teve maior posse de bola, mas incomodou menos! Ah, e na minha modesta maneira de enxergar futebol, NÃO HOUVE PÊNALTI do Breno no Sornoza!

Ainda faltam reforços, no meu entendimento! Pelo menos mais um zagueiro, para a repor as perdas dos dois que se transferiram para fora, e uns dois meias! Sim, dois, porque eles chagariam para escolher os seus números de armadura! Um entraria para ocupar merecidamente o lugar do Sornoza, que precisa de um bom período no banco de reservas, e o outro, para entrar na vaga que na partida desta quita-feira foi do Dodi, o que ajudaria muito a nossa meiúca na construção das jogadas de ataque!

Portanto, amigos, é “somente tudo isso”, risos! O Brasileirão está de volta, os regozijos e lágrimas, idem, e o FFC permanece na sua luta inglória contra os adversários, dentro das quatro linhas, contra a péssima administração de Abad e sua trupe de mambembes, nos gabinetes do Laranjal, e também contra os repetidos atrasos de salários em suas contas bancárias, contratempo que tira a paz de quaisquer trabalhadores!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon



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