Responsabilidade de todos




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor



Tudo bem, sei que retornar após quase três meses e meio de paralisação não é nada fácil. No caso do Fluminense, a situação é ainda pior, pois o time conta com vários jogadores acima dos 30 anos de idade.

Para dificultar ainda mais, Fred não atuava desde o final de 2019, ou seja, seis meses. Além disso, é de conhecimento público que o Paulo Henrique Ganso necessita de um tempo maior de preparação física para ter o mínimo de condição de entrar em campo.

A diretoria e a comissão técnica já haviam sinalizado que o tempo de preparação estava longe de ser o ideal. Seriam necessários, no mínimo, 15 dias. Isso deve ser considerado no debate, pois o Fluminense retornou com apenas 9 dias de treino para enfrentar o Volta Redonda, que treinou dois a mais e deu um chocolate na equipe comandada pelo Odair Hellmann. É duro dizer isso, mas o placar de 3 a 0 ficou barato.

Contra o Macaé, nada mudou, segundo os comentários de quem assistiu ao jogo. Inclusive, o Muriel evitou a derrota no final do jogo. Empate sem gols e a sensação de que a coisa está feia, muito feia.

Ninguém é mágico ou milagreiro. Porém, um técnico de futebol tem a obrigação de tirar algo da cartola, ou seja, arregaçar as mangas. Em 2009, por exemplo, o Cuca chegou quando tudo parecia perdido. Com carta branca para barrar até os medalhões, ele fez uma verdadeira revolução. Confiou em quem tinha que confiar, ressuscitou o Mariano, promoveu alguns garotos da base e ainda mudou o plano tático do time. Resultado: fez história. 

O exemplo de 2009 é apenas para mostrar que quando o técnico tem autonomia, coragem e, principalmente, visão, dá para fazer um trabalho aceitável. É claro que não dá para fazer milagre com um elenco limitado. Porém, não dá para aceitar a falta de visão e atitude do comando técnico. Logo de cara, como é que ainda insistem com o Orinho? O César, do Sub-23, é pior? Acredito que não. Esse é só um exemplo. Sob o ponto de vista tático, essa formação com dois pontas e um meio de campo engessado é de dar nos nervos. O time fica desequilibrado e ainda deixa diversos espaços para os adversários. Depois, a bomba estoura na defesa.

Sinceramente, não vejo a mínima condição competitiva de entrar em campo com tantos jogadores sem explosão física. O Hudson, por exemplo, possui séria lentidão na hora de recompor. Acho que uma alternativa seria a de trancar esse time e, principalmente, manter todos os seus setores próximos. Eu adotaria o 3-5-2, com Yuri como terceiro zagueiro. Dependendo do momento do jogo, daria uma variada para o 4-4-2. Também daria uma chance para o Dodi para tentar acelerar a transição do time. No meu entendimento, o time ficaria menos exposto e muito mais equilibrado. Pode ser que até o Gilberto volte a atuar como no primeiro semestre de 2018. 

Antes da pandemia, o trabalho do Odair Hellmann já era pra lá de questionável. Parte da torcida se iludiu com vitórias sobre adversários fraquíssimos e até deixaram de considerar a vergonhosa eliminação na primeira fase da Copa Sul-Americana ou a derrota para o Figueirense, no duelo de ida pela quarta fase da Copa do Brasil. Agora, há quem ainda argumente que o elenco teve poucos dias de treino, mas fica uma pergunta: dá para aceitar ficar 180 minutos sem fazer um gol sequer no Volta Redonda e Macaé?

Vale lembrar que a bola deve rolar no Campeonato Brasileiro no mês que vem. Ou seja, tem o mês de julho todo pela frente e mais o início de agosto. Sendo assim, a responsabilidade com relação ao planejamento para o restante da temporada está toda nas mãos da diretoria. Espero que tomem a decisão certa, pois o torcedor não aguenta mais tantas desculpas e o já manjado do vitimismo que está enraizado no Fluminense há anos.

Por hoje é só.

ST

Vinicius Toledo

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