(por Vinicius Toledo)
O Fluminense vive um momento de muita agitação por conta das movimentações do mercado da bola. Mas, por trás da agitação das contratações e saídas, uma sombra se projeta sobre o futuro das Laranjeiras: o modelo de SAF que a atual gestão pretende implementar. Enquanto muitos enxergam a venda do clube como a única saída financeira, os exemplos recentes de 2024 e 2025 mostram que o “remédio” pode ser mais amargo que a própria doença.
O caso Marcelo Paz: Gestão profissional ou trampolim pessoal?
O exemplo mais emblemático de como a governança de uma SAF pode ser frágil vem do futebol cearense. Marcelo Paz, ex-presidente do Fortaleza, foi o grande entusiasta da transformação do clube em SAF. Conseguiu a aprovação dos sócios, mas o que se viu depois foi um cenário de desolação.
Sem conseguir atrair um investidor sequer, Paz tornou-se CEO remunerado da própria estrutura que criou. O resultado esportivo foi o rebaixamento do Fortaleza em 2025. O que fez o executivo? Aceitou o convite para ser CEO do Corinthians, deixando a “bomba” do rebaixamento e das dívidas nas mãos dos sócios. Fica a pergunta: a SAF serviu para proteger o Fortaleza ou apenas como trampolim para a carreira de quem a criou?
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O “brilho falso” das SAFs de Rio e Minas
Muitos torcedores apontam para o Botafogo e o Atlético-MG como modelos a serem seguidos, mas os números contam outra história.
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Botafogo: Mesmo após um 2024 vitorioso, o clube iniciou 2026 sofrendo um duro transfer ban da FIFA por falta de pagamento ao Atlanta United pela compra de Thiago Almada. Como pode uma gestão dita “bilionária” e profissional esquecer de pagar sua principal estrela?
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Atlético-MG: A SAF composta por torcedores (os “4Rs”) apresentou um prejuízo assustador de R$ 299 milhões em 2024. Com uma dívida na casa de R$ 1,8 bilhão, o modelo mineiro já é visto por especialistas como uma tragédia anunciada, onde o clube vive em um ciclo vicioso de empréstimos e juros. Esse valor informado no último balanço financeiro, compromete diretamente o fluxo de caixa na ausência de aportes dos investidores.
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As armadilhas no Fluminense
No Fluminense, a proposta da SAF esconde cláusulas que preocupam quem realmente conhece a política do clube. Como alertado pelo companheiro Lindinor Larangeira aqui no Explosão Tricolor, o contrato possui “armadilhas” que podem tirar o controle das Laranjeiras de forma definitiva, sem garantias reais de investimento no futebol a longo prazo.
Em caso de aprovação, corremos um sério risco de entregar o nosso maior patrimônio para investidores que, em caso de fracasso, podem simplesmente “deixar a bomba” e seguir a vida, como vimos em outros estados?
O torcedor tricolor precisa de respostas, não de promessas vazias. O Fluminense é grande demais para ser o experimento de executivos ou o porto seguro de investidores que não conhecem o peso da nossa camisa. Vale lembrar que durante a campanha eleitora, o próprio presidente Mattheus Montenegro reconheceu que a proposta precisa melhorar.


