Sem criação de demônio




Foto: Lucas Merçon/FFC



Definitivamente, há certas situações no Fluminense que não dá para entender. Uma delas é a situação do Paulo Henrique Ganso. Após a vitória sobre o Bahia, o camisa dez tricolor virou motivo de briga entre torcedores. O curioso é que o meia nem entrou em campo por conta de uma suspensão. Até acho válida a discussão sobre a melhor formação para o meio de campo. É fato que o time apresentou uma transição mais acelerada sem o Ganso. Porém, o setor também ficou mais vulnerável. Por incrível que pareça, o Ganso também ajuda na marcação.

No entanto, a minha discussão nesta terça não é sobre a escalação ideal do time. Na verdade, quero falar sobre essa fixação que parte da torcida tem em procurar “pelo em ovo”. Todo mundo sabe que o Fluminense não tem vida fácil com a imprensa. Sempre que há possibilidade, os caras detonam mesmo. Geralmente, o repertório vem recheado de fofocas, inversões de valores e até distorções de fatos. Um bom exemplo disso é a história do Campeonato Brasileiro de 2013. Até hoje, a imprensa menciona que a Portuguesa salvou o Fluminense, entretanto, qualquer ser humano, com o mínimo de inteligência, sabe que o Flamengo foi o único beneficiado naquele terrível episódio. Na época, isso foi admitido publicamente até mesmo pelo advogado rubro-negro.

Pois é, agora, a própria torcida tricolor criou uma polêmica que não levará a lugar algum, ou seja, que só dará brecha para a turma do contra, que, queira ou não, reza pela nossa desgraça. Uma parte da torcida chegou até a torcer pela suspensão do Ganso no julgamento realizado pelo STJD. Alguns até pediram pena máxima. Essa postura é algo inacreditável já que o Fluminense está no meio de uma guerra, ou seja, necessita de todos os jogadores à disposição. Com toda sinceridade, alguém em sã consciência acredita mesmo que o camisa dez não seja necessário?

Outro que tem provocado divisionismo na torcida é o Nenê. Sei que ele tem errado muitos passes, mas não dá para deixar de destacar a sua entrega em campo. Já fez gols importantes, deu assistência decisiva na difícil vitória sobre o Fortaleza e tem se doado bastante na marcação. Concordo que a manutenção dele até o final dos jogos seja questionável, mas não dá para dizer que o cara não agrega nada. Não dá mesmo.

Cada torcedor tem o direito de ter a sua preferência, a opinião da arquibancada é soberana. Isso é inquestionável! No entanto, é necessário entender o momento do Fluminense. Graças a Deus, o Marcão iniciou muito bem à frente do comando técnico. A grande fase do Muriel, total entrega do time e até o fator sorte estão ajudando muito. Mas o novo comandante também tem os seus méritos, em especial, na questão de gestão do elenco. Em termos táticos, só o tempo dirá.  

Não somente dentro de campo, o Fluminense ainda está longe do ideal, mas o momento pede que todos falem a mesma língua. Assim como muitos outros tricolores, eu também não tenho mais estômago para certas situações que ocorrem nas Laranjeiras, entretanto, sou totalmente contra qualquer ação de caça às bruxas. Não é o momento, mas não é mesmo. As críticas e cobranças são válidas, diria até que são extremamente necessárias, mas de uma forma que não prejudique o ambiente para a sequência das batalhas.

Contra tudo e contra todos, a luta continua. Ao invés de criar demônios, vamos caçá-los. De preferência, todos juntos numa só corrente. O Fluminense precisa de paz e união para encarar a reta final do Brasileirão e, consequentemente, eliminar de vez o sonho da turma do contra.

Forte abraço e ST!

Vinicius Toledo



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