Teimosia maior do que a massa encefálica






TEIMOSIA MAIOR DO QUE A MASSA ENCEFÁLICA!

Buenas, tricolada! Demos azar neste começo de Brasileirão: tabela ingrata e mau começo. Nada poderia ser mais desmotivador! Simbiose ruim, mesmo, esta combinação de fatos! Dois jogos, duas derrotas, e o trabalho do até então intocável Fernando Diniz começa a ser questionado. Ao menos por mim.
Antes desta partida contra o Santos, lá na Vila famosa, tivemos que deglutir dois reveses quase humilhantes. O primeiro para um participante da Série C, pela Copa do Brasil, e o segundo para um time do Centro-Oeste, que esteve fora da Primeirona há quatro anos, e que vai brigar para não cair. Cobrem-me. Este último em pleno Maracanã! Apesar das sacanagens e roubos, mesmo com o VAR jogando contra, não poderíamos desperdiçar tantas chances evidentes de gol e sair perdedores para estas duas equipes.
E veio a terceira derrota, desta feita para o Peixe, pelo Campeonato Nacional. Pergunto: qual a coincidência clara nestes tais três fracassos consecutivos? Eu mesmo respondo: a porra da insistência do nosso treinador nos conceitos – e escalações – já manjados.
Levamos dois gols por erros na saída de jogo, lá atrás, de Gilberto e Bruno Silva. E olhem que foi Dia de São Rodolfo, hein?! Não fosse ele, seríamos impiedosamente goleados na segunda etapa. Então, estas saídas com toques imprecisos na nossa transição correspondem à primeira insistência. Caceta, dois dos maiores zagueiros que vi jogar no Fluzão, Ricardo Gomes e Thiago Silva, utilizavam/utilizam-se de chutões, quando necessário. Refiro-me a dois monstros, tá?!
O outro grande equívoco foi a manutenção dos três volantes. Quem cria nessa meiúca? Deus do céu, se fomos batidos nos confrontos contra Santa Cruz e Goiás, sabidamente mais fraquinhos do que o Santos, por qual motivo foi mantido o esquema? Oras, se o cara gosta de ministrar treinos e atuar privilegiando a posse de bola e a constante movimentação, como fazê-lo com três homens mais engessados e de marcação? O Allan tem até algumas boas características na transição, mas ele não é um meia clássico! E as alternativas táticas, cadê?
Aí o Diniz vem incorrendo numa terceira cagada: os dois jogadores de contenção, Aírton e Bruno Silva, são pesadões, erram passes em profusão, não se infiltram nas jogadas de ataque, chegam atrasados nas coberturas, batem como se estivessem malhando o Judas na Semana Santa, falham constantemente… O que estes malandros fazem em campo? Digo mais, o Bruno Silva é ainda mais irritante e ineficiente do que o Aírton! Mas qual atleta a Comissão Técnica retirou novamente para a entrada do Pedro? Pois é, o Bruno ficou no gramado!
Numa boa, perder para o Peixe de Jorge Sampaoli na casa dos caras por 2 a 1 não significa uma tragédia. Mas a grande revolta dos tricolores mais chegados a mim é assistir ao nosso técnico cometer erros recorrentes por teimosia e soberba, e manter-se agarrado aos seus juízos, momentaneamente falidos. As cismas não podem ser soberanas e nem mais latentes do que a inteligência. Diniz vai acabar se afogando por confiar em boia furada, vão por mim! Enquanto isso, nós é que sofremos, perdemos noites de sono, convivemos com dores de cabeça, taquicardias  e aturamos as zoações de molambos chatos!
Por que o Diniz jamais utiliza o Ewandro? Por que não improvisa o Julião na esquerda e passa o Caio Henrique pro meio? O Igor Julião já atuou de lateral-esquerdo! Por que ele não saca o Luciano e o Everaldo NUNCA? São sempre as mesmas mexidas, sempre o mesmo repertório… Saco cheio, porra!
Dizem as más línguas que o Fernando Diniz tem prazo de validade nos seus trabalhos. E que o seu prazo no Fluminense é no próximo domingo, quando enfrentaremos o Grêmio lá no Sul. Sou contrário a demissões de técnicos, não quero concordar com estes adivinhos, com estas pitonisas, mas não estou enxergando muita saída, não! O pior é que o mercado é escasso, não têm bons treinadores disponíveis, no meu entendimento. Mas no futebol brasileiro se vive de resultados, e os nossos são decepcionantes!
Alguns poderão dizer que o elenco tricolor é uma merda. Eu imediatamente rebaterei: somos medianos, nem os melhores nem os piores da Série A. Deixamos a desejar apenas para uns seis clubes, mas o resto é tudo a lesma lerda, como conta uma canção da Rita Lee! Arrisco-me a afirmar que, de quatro anos pra cá, este nosso atual grupo de jogadores é o mais robusto. Há algumas peças que não se criariam na minha pelada, OK!, mas outras estão despertando interesses em grandes agremiações tupiniquins – e estrangeiras. Falta igualar mais a qualidade dos atletas por posição. De que adianta ter o Gilberto como titular e o Igor Julião como seu reserva imediato? A diferença é abissal!
O que dizer, pois, dos elencos de Chape, Bota, Fortaleza, CSA, Vasco, Avaí, Bahia, Ceará e do próprio Goiás? São todos melhores e mais encorpados do que o nosso? Por favor, né, galera! O próprio Furacão não tem um elenco dos sonhos, não tem sequer um timaço titular, mas está muito bem treinado, muito bem encaixado – e perdeu pro Fortaleza, assim mesmo!
Na peleja desta noite de quinta-feira somente Rodolfo – o melhor do Flu, Matheus Ferraz, um pouquinho do Allan e o grandessíssimo Pedro Guilherme, que já entrou conferindo o seu tento, salvaram-se em mais um desastre!
Uma pena, uma lástima! Eu tinha muita fé num bom começo do Flu, porque nas dificuldades é que se forjam os vencedores, no entanto, desse jeito vai ser duro! Nada está perdido, mas as mudanças radicais têm de ocorrer já no duelo deste final de semana que vem, nos pampas! Morrer abraçado a ideias, mesmo quando elas representam as nossas verdades e convicções, mas em contrapartida demonstram fragilidade, remete à burrice, o que não creio ser característica do nosso comandante!
Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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