Teixeira, a antítese do frescobol




Gabriel Teixeira (Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.)
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O torcedor que acompanha o portal Explosão Tricolor e, com paciência me segue na pelada do comentário, sabe da minha luta contra o frescobol. Para os que chegaram agora e não conhecem a briga, eu vou explicar. O que é o frescobol? É o tipo mais nefasto de falsificação do autêntico futebol arte, do futebol brasileiro. Trata-se de uma cópia medíocre do tal ‘’jogo posicional’’ que, tem como consequência mais hedionda, a proibição do drible, da finta, da tabela, do carnavalesco, do estético e do lúdico. 

No frescobol, amigo leitor, a posse bola é um fim em si mesmo. É como se o Fernando Diniz virasse o legislador de todas as partidas. A equipe toca a bola de um lado para o outro e nada acontece, ninguém sai do lugar. Depois, na entrevista, o sujeito vira e, com o falso respaldo das estatísticas, alega que sua equipe teve o ‘’domínio da partida’’. Viram a última entrevista do Gallardo? Ele alegou um domínio que ninguém viu, mas, com a retórica dos números tolos, o sujeito proclamou orgulhosamente 834% de posse de bola. O Flu finalizou mais que o River. Quase o dobro, mas, o argentino saiu com a pose ridícula do ‘’domínio estatístico’’.

No jogo contra o Nova Iguaçu, aqui no melhor portal especializado em Fluminense, dediquei minha coluna ao menino Kayky. Melhor dizendo, amigo leitor: dediquei meu texto ao golaço, ao gênio plástico e driblador do jovem atacante Tricolor. No futebol atual, o craque brasileiro, o gênio do movimento dramático é mais esperado que D. Sebastião ou Jesus Cristo. Se o futebol brasileiro fosse uma religião, o drible seria uma espécie de Messias. Em tempos de compactação das linhas e rebimboca da transição de não sei o que, o torcedor espera carente pelo acontecimento da finta desconcertante.

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Vocês viram o menino Teixeira? Vou agora chama-lo pelo primeiro nome, pois, o nosso Gabriel parecia um anjo, um sopro divino, um milagre das quatro linhas. E a pedalada, vocês viram? O lance começou e o garoto tinha apenas duas pernas, parecia bípede como cada um de nós. E de repente, a cada centímetro em que avançava na jogada, o jovem multiplicava as canetas. No final, com uma brutal e incalculável agilidade, o mancebo parecia uma centopeia. Viram a reação do marcador? O sujeito ficou parado, estático, imóvel feito estatua. Não era só paralisia; era admiração!

O prosseguimento da jogada também foi um espetáculo de arte. Houve aproximação, movimentação, tabela, troca de posição. O leitor se lembra de quando o jogador era livre, de quando o futebol não estava preso, enrolado nas amarras dos excessos táticos? Não foi apenas um gol. Foi um golaço e seu significado transcende o sentido imanente do jogo. Por um instante, o olhar apaixonado de torcedor teve a oportunidade de ver novamente um momento de contemplação e beleza!

E depois? Teixeira ainda arrumou tempo para meter o seu golaço! Um outro lance, um outro momento que, nós sabemos, merecia um texto só para si…

Chega de frescobol… 

Teixeira Mendes



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