Tempo de mudanças, novos ares e redenção




FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Buenas, tricolada! Três pontos fundamentais foram incorporados na nossa matemática depois desses 2×1 do Flu sobre bom time Grêmio, mesmo recheado de reservas, pela vigésima-segunda rodada do Brasileirão 2019.

Uma peleja que começou complicada, com os gaúchos imprensando o nosso time lá na nossa cozinha. Mas no primeiro ataque, após bela enfiada do Daniel pro Speed na esquerda, o gringo achou o Nenê no meio da área pra consignar o primeiro tento tricolor. Ufa!

A equipe dos pampas permaneceu acuando a nossa saída de bola. Num dos poucos vacilos do PH Ganso no confronto, ele recebeu uma bola na roubada do zagueirão Nino, na nossa meia-lua, foi interceptado pelo inimigo, e quase saiu o tento de empate. O Thaciano tinha tudo para balançar as redes, mas surgiu o Homem-Aranha, o Hulk, o Capitão América tricolor e impediu o revés. Quem foi o tal herói deste lance? São Muriel! E ele ainda realizou mais um milagre, no decorrer da segunda etapa.

O Time de Guerreiros estava visivelmente inseguro, e errava passes na saída de jogo em profusão. Nino, Yuri, Allan, Caio Henrique, em suma, antes dos 15 min. de duelo já havíamos entregado a rapadura inúmeras vezes. Torcedor cardíaco não resiste a esse tipo de provação, porra!

Para culminar, perdíamos todas as segundas bolas, na defesa e no ataque, o que deixava o tricolor do sul do país à vontade para ter maior domínio e posse da pelota.

Entretanto, assamos a chuleta gaúcha em fogo baixo e levamos o um a zero a favor pros vestiários, depois de 45 min. de muita entrega. Salvaram-se, neste primeiro período, o Daniel, o Nenê e o Yony.

No tempo derradeiro, repetimos o roteiro: na estocada inicial fizemos o segundo gol. O Jotapê, que vinha apagadinho (dizem as más línguas que ele vive na night), meteu boa bola na esquerda, logo após se livrar de um marcador, e serviu o Yony. Com um passe de calcanhar, o colombiano deixou de bandeja pro Caio Henrique, que fuzilou o Júlio César.

A partir daí, vimos um Fluminense mais solto, mais confiante, e até algumas trocas de passes defensivas, a la Diniz, foram executadas. Como sempre prego nos meus discursos, com a devida confiança nós chegaríamos à lua. A pé.

O jogo transformou-se em loteria, com os dois times atacando bastante. O PH Ganso recuou, exercendo o papel de segundo – ou terceiro – volante, e o Daniel passou a organizar muito bem as nossas investidas. Não entendo o porquê de o técnico anterior ter queimado o garoto! Ele teve umas poucas más apresentações, abaixo de sua média, mas, antes disso, vinha distribuindo bem o jogo e compondo a nossa meiúca, no setor defensivo. Jamais será craque, mas na conjuntura atual ele é muito útil.

O Yuri andou assustando os tricolores mais desconfiados, dentre eles este que vos escreve. Quase cometeu um pênalti idiota – se houvesse o rigor de outrora da arbitragem contra a gente, seríamos punidos com a tal penalidade. Prendeu desnecessariamente a bola lá atrás, rodou sobre seu eixo, escorregou, após ser acossado pelo André, e caiu com a mão sobre a redonda dentro da área. O VAR chamou o juiz de campo, pra nosso desespero, que mandou seguir o baile.

O Jotapê melhorou 1%, de um tempo de jogo pra outro. Foi o suficiente para sermos mais efetivos no ataque, e preponderante para o nosso autocontrole – e para o nosso próprio controle das ações. Caramba, o Flu abrir dois a zero de vantagem nesta temporada tem sido tão raro…

Devemos celebrar as belas atuações de Caio Henrique e Yony Gonzales no segundo tempo, porque eles vinham sendo alvos de críticas semanalmente!

O primeiro, depois de um começo titubeante, foi fundamental na transição. Na lateral e no meio – além de meter o segundo gol.

E o atacante voltou a se movimentar, buscar o jogo, tentar as finalizações, e foi um marcador importante das subidas gremistas pelo nosso lado esquerdo, além de dar duas assistências para os nossos tentos. E o cara quase deixou a sua marca, já no final da peleja, ocasião em que o Júlio César realizou ótima intervenção. Aliás, ele se houve bem nos mais de 90 min. de batalha, para ser mais justo.

O Marcão, a meu ver, cometeu apenas três erros neste confronto contra o Grêmio: o primeiro, ao escalar o Gilberto de titular.

O segundo, ao mantê-lo no time até o final. O camarada está visivelmente perdido, desmotivado, em má fase, a gente nota o esforço que ele faz pra jogar futebol, e sem o elán que o caracterizou na sua chegada, há pouco mais de um ano.

E o terceiro, na substituição do Daniel pelo Orinho. Talvez o franzino meia tenha sido o melhor em campo diante da gauchada, depois do Muriel e do Yony (e do segundo tempo do Caio). Ele não deveria ser sacado, e sim o Nenê, que já havia “morrido”.

Contudo, a ideia de aproveitar o Orinho (ou quaisquer outros) na lateral e o Caio Henrique na meiúca era pedido recorrente da maioria dos torcedores. Essa iniciativa eu aprovei muito.

Gilberto conseguiu entregar dois gols numa mesma jogada. Ainda bem que os malandros só aproveitaram um deles – e as regras do esporte somente determinam um revés de cada vez! Falhou num corte simples, numa bola esticada na esquerda, quando o adversário teve a baliza de Muriel à sua mercê após driblar o lateral facilmente; e depois do bate-rebate na nossa área, no mesmíssimo lance, quando recebeu a bola limpinha, resolveu sair jogando e entregou de mão beijada o tento gaúcho. Pressinto que a rapaziada teve vontade de invadir o campo – ou a TV – e cobri-lo de porrada! Confesso que eu tive tal anseio!

Pra variar, o FFC se autoflagelava ao apagar das luzes por conta de uma bisonhice de um dos seus jogadores! Foi assim também contra o Inter, no Maraca, lembram? E em tantas outras oportunidades ao longo de 2019.

Mas o tempo é de mudanças, de novos ares e de redenção, como sugere o título desta coluna. Hoje o Fluminense correu mais do que ultimamente, criou mais chances, impôs-se, em determinados momentos, finalizou melhor e porcentualmente com maior efetividade. Sintomático, né não?

Enfim, o Tricolor Carioca ainda busca os bons ventos que sopraram recentemente na nossa direção, naquele duelo ante o Corínthians, em Brasília. Se a maionese não desandar mais uma vez, decerto acharemos o equilíbrio.

A propósito, as responsabilidades pelos referidos bons ventos e pelas renovadas esperanças advêm de uma mera mudança de comando técnico… Muitos torcedores voltaram ao estádio. Sem o Osvaldo fica mais fácil, acreditem.

E também pelo fato de o Marcão ter assumido a barca. Falarei a respeito da contratação de treinadores numa outra coluna, no meio da semana que está chegando. Prometo. Até porque somente veremos o Flu de novo no próximo domingo, no clássico contra o Bota.

Agora é treinar, treinar e treinar, manter a secação nos adversários diretos, e torcer para o Fluminense se reinventar neste complicado Campeonato Brasileiro.

Dá para fugirmos da degola, mas isso depende das atitudes e medidas futuras da nossa diretoria. Espero que eles não caguem o pau novamente. De uns tempos pra cá, o que mais tememos são essas escorregadas propositais de que as gestões invariavelmente fazem uso, e as canetadas avulsas articuladas lá dentro dos gabinetes de Álvaro Chaves.

Mas o Fluminense Football Club mantém-se firme. E gigante. Queiram ou não os detratores.

Saudações eternamente tricolores!

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