Time de emoticons




Buenas, Tricolada! 

Tenho notado que uma galera considerável vem rotulando esse nosso time atual de fraco, o pior da gloriosa história do Flu, mas eu prefiro ir na contramão dos fatos. Creio que o Fluminense hoje é uma equipe mediana, apenas, mas que não deve nada à maioria das demais deste Brasileirão 2017. Temos jogadores promissores, ainda em formação e que foram pinçados da base por conta da urgência. Compreendo também que dispomos de algumas peças no grupo que não jogariam no meu time de peladas, dos coroas com mais de 50 anos, carecas, fumantes e beberrões, mas qual a equipe que não conta com esse tipo de jogador, aqui no Brasil? Salvo uns 4 ou 5 grandes, que têm mesmo melhores onze e elenco, os demais são “Joões”, como dizia Mané Garrincha quando atuava na Seleção!

Penso ainda que muitas equipes menos qualificadas que a nossa, no decorrer desta temporada, apresentaram mais bola que o Tricolor das Laranjeiras, e este é o maior senão: o nosso time não joga futebol! Não é possível que, num final de temporada, mesmo com todas as lesões, cartões e eventuais saídas de atletas, o Abelão não tenha conseguido implantar um sistema de jogo consistente, não tenha alcançado um entrosamento entre as três linhas e um conceito que nos desse constância, jogo após jogo. O Flu atual é quadrado, previsível e modorrento. Não há triangulações, o velho 1-2, toques rápidos, penetrações dos homens de trás, jogadas de lado de campo, os laterais se retraem, e, além de tudo isso, nossa zaga sofre horrores no jogo aéreo dos adversários, não faz frequentemente as coberturas necessárias e os volantes não acompanham as infiltrações do ataque “inimigo”! Perdoem-me, mas isso não é ruindade de jogador, e sim falta de sintonia, de esquema tático, de treinamentos adequados e corretivos – caramba, os erros se repetem a cada partida!

Aí os puristas vêm me perguntar: – Pô, será que a culpa é só do técnico? E eu imediatamente respondo: – Claro que não! O Abel não tem culpa de nego errar passes de 10cm, de cruzar bolas no umbigo dos zagueiros adversários, de escolher sempre as piores opções de jogadas, de o Renato Chaves e o Nogueira furarem bolas fáceis, enfim, mas tenham a certeza de que se ele fizesse esse time andar, tornar o jogo fluente, estes erros seriam bem minimizados. O povo em campo não deixa de correr, não deixa de se doar, mas corre errado, se desloca mal, não abre espaços para a nossa meiuca criar, não dá alternativas, é um bando, e, na boa, isso chama-se DESENTROSAMENTO!

Sei que o nosso treinador é o grande para-raios da diretoria hoje, absorve problemas que não deveriam lhe caber, mas isso acontece porque ele permite, comprou a briga, mas tem escopo, conhecimento do clube, é vitorioso, tem um currículo que dispensa apresentações e é um baita tricolor de coração! Aliado a tudo, o homem e pai de família Abel Braga viveu recentemente uma tragédia familiar monstro, e todos estes argumentos devem ser considerados. Todavia, por conhecermos sua capacidade é que nós devemos exigir mais dele, já que foi o cara (bem) escolhido a dedo para representar o Fluminense Football Club, no início deste ano!

Portanto, galera, é tudo muito programado dentro das quatro linhas, num jogo do Fluzão, não há inventividade, não vemos a aproximação dos companheiros àqueles que detêm a posse de bola, e as reações de cada um no campo também são frias, independentemente de gols sofridos ou marcados… nossos jogadores lembram mais os artificiais emoticons que utilizamos nas redes sociais , reagindo a cada acontecimento em uma partida de forma robótica, sem emoção, sem zelo, sem coisa alguma, assim como são mecanicamente imprecisas as nossas próprias jogadas!

Não falta garra ao nosso time, como eu escrevi mais acima, e seria covardia afirmar isso, mas na situação em que nos encontramos, malandro tinha que estar dando carrinho em quero-quero! No mínimo, inflamariam a torcida, a trariam pro seu lado, mesmo com o Marcos Júnior fazendo bisonhices, mesmo com o Scarpa errando passes a rodo, mesmo com o Lucas mostrando cansaço aos 5 min. de jogo, mesmo com o Léo Pelé e o Nogueira entrando em campo e mesmo com os erros recorrentes de escalação e substituições do Abel! Às vezes, um semblante de bad boy na comemoração de um gol, por exemplo, contagia o entorno de uma partida, porque, na pior das hipóteses, demonstra incômodo, desfaz a aura perdedora e conformada, gera a vontade de partir pra dentro, e tentar de novo, e de novo, e de novo! Putz, o Flu é isso, sempre foi – não somos guerreiros à toa!

Chega de carinhas de internet nesse time, rapaziada, porque o riso e as lágrimas reais não podem ser reproduzidos virtualmente quando tratamos de Fluminense Football Club! E não traduzem aquilo que a arquibancada espera de vocês, porque a emoção é a nossa raiz, nossa vida, nossa esperança e o amor singelo que sentimos pelo objeto de paixão comum, o enorme Fluzão! Ahhh, e a propósito, Gustavo Scarpa, não me venha com mi-mi-mis e beicinhos novamente. Nós, torcedores, temos o direito inalienável de aplaudir, vaiar, xingar, debochar e o que mais nos vier à cabeça quando o assunto é o Flu! Você amanhã faz as suas malinhas e vai curtir a Europa, a Rússia, a China, o Oriente Médio, Gothan City, Marte, Nárnia, Atlântida, Lillyput, enfim, com os bolsos cheios de grana, e nós aqui é que ficaremos amargando as mazelas que você e seus outros companheiros nos deixarão de herança! Vai ser mimado assim na casa do cacete!

Saudações eternamente tricolores!

RICO TIMON

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  • Carlos Vinícius

    Sensacional o texto. Domingo me peguei assim no Maracanã. Vendo um time bastante do burocrático – ou sendo um projeto de um -, nada de novo e de contagiante. Se ao menos esses estilos de jogo estivesse nos garantindo vitórias como para alguns, mas, na verdade, não está. O time está devendo muito.