Time grande tem que se posicionar




FOTO DE LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE FCr



De novo na zona de rebaixamento. Com a esperada vitória do Botafogo sobre o Avaí no Engenhão, voltamos pra área da degola e com uma tabela complicada pela frente. É apelar pra João de Deus como sempre. Mas a diretoria deve dar a sua contribuição também.

Uma das formas de ajudar é uma atuação mais proativa nos bastidores. Estamos no Brasil e aqui infelizmente é necessária uma articulação positiva e transparente junto ao comando do futebol nacional para que erros de arbitragem como os de domingo não aconteçam novamente.

Não falo aqui de barganhas ou acertos por baixo dos panos; definitivamente isso tem que acabar no país. Falo de cobrança pública e justa para que os juízes pensem duas vezes antes de prejudicarem o time. No final das contas, a balança ainda pesa favoravelmente para o lado de quem se posiciona e não tem medo de retaliações.

O segundo gol do Internacional no domingo foi uma aberração. A bola claramente tocou no braço direito do Víctor Cuesta antes da conclusão para as redes. Ainda assim, após cinco minutos consultando o VAR, a equipe de arbitragem não conseguiu perceber a irregularidade.

Contudo, até mais grave que o toque de mão, foi o fato de que o juiz apitou a falta antes mesmo da conclusão de William Pottker, o que interferiu diretamente na jogada, já que os jogadores do Fluminense pararam no lance após a sinalização da arbitragem.

Ao rever a jogada sob essa ótica, é possível notar que o Muriel parou por frações de segundos após o apito do juiz, sendo que os zagueiros tricolores também não deram o combate no jogador do Inter porque entenderam que o lance estava encerrado. 

Ainda que seja difícil perceber as reações dos atletas, é óbvio que houve interferência direta no lance quando o juiz soprou o apito. E todos sabemos que quem está atacando continua com o ímpeto de fazer o gol mesmo após apontada a irregularidade; já a parte defensiva tende a parar porque pensa que o embate pela bola é desnecessário.

E tudo isso pode e deve ser cobrado pela diretoria. A apatia ao usar a voz na defesa dos interesses do clube muitas vezes leva ao entendimento de que o time pode ser prejudicado sem que a equipe de arbitragem seja exposta. E isso está errado! Um clube do tamanho do Fluminense tem que atuar com a firmeza necessária quando tem um prejuízo do tamanho daquele que ocorreu no Beira Rio.

E nem adianta dizer que o clube sempre foi ameno nas críticas e isso está no DNA tricolor. Neste momento não tem histórico que justifique a omissão da diretoria em exigir da comissão de arbitragem, da CBF, ou seja lá de quem for o respeito às regras do jogo. 

Entrevista do presidente após a partida, apontando, de forma contundente, o erro cometido? Não. Pedido de divulgação do aúdio do VAR? Não. Pedido de divulgação das imagens utilizadas pelo árbitro de vídeo para validar o gol? Nem pensar. Assim fica difícil Mário!

No jogo contra o Athlético Paranaense pelo segundo turno do Brasileirão, o Grêmio se sentiu prejudicado pela não marcação de um pênalti e pediu acesso aos áudios do VAR.. A CBF atendeu e, mesmo não realizando a divulgação, autorizou que o clube fosse à sua sede e consultasse o que os juízes discutiram sobre o lance.

Na verdade, não há nem notícia de protesto formal contra o juiz e sequer uma manifestação de Mário Bittencourt nas redes sociais. Nada! Aliás, a última vez que o presidente usou o Twitter foi no último dia 26 de outubro. Está mal no quesito comunicação com a torcida! 

Sendo assim, com toda essa passividade, não tenho dúvidas que seremos prejudicados de novo. Deliberadamente? Talvez não. Mas certamente porque os juízes sabem que nos lances duvidosos podem apitar contra o Fluminense que a diretoria não vai reclamar. No máximo o Marcão vai falar alguma coisa nas entrevistas coletivas após as partidas. E isso, somado à incompetência ao longo do ano, pode resultar de vez no rebaixamento.

Time grande tem que se posicionar de maneira séria e transparente. Só assim consegue respeito fora de campo.

Ser Fluminense acima de tudo! 

Evandro Ventura



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