Um amor chamado Fla x Flu




Hoje é véspera de mais um Fla x Flu. Que me perdoem os entendidos do futebol, mas acho este o clássico mais emblemático que há. Em primeiro lugar, porque estamos falando do Fluminense. Em segundo, porque ganhar dos mulambos é normal. Deixo registrado que, no ano passado, eles não viram a cor da bola com a gente. Obrigada, de nada.

Minha coluna de hoje não vai falar dos confrontos do ano passado nem do jogo de amanhã (que, vamos ressaltar, é de extrema importância para as pretensões do Flu no Campeonato Carioca). Vou falar do Fla x Flu que é a primeira lembrança viva que tenho de ter definitivamente me descoberto tricolor de coração: a final do Estadual em 1995, que completa 20 anos em 2015.

1995
O primeiro Fla x Flu que marcou a minha vida

Eu tinha 14 anos. Lembro de ter pedido para o meu pai me levar ao estádio, mas ele negou por ter medo de um clássico desse porte. Acho que, na época, não entendi. Hoje, até entendo. Mas, alguém conhece uma menina de 14 anos que se dá por satisfeita com qualquer coisa? Eu não conheço (e eu não fiquei satisfeita).

Engoli e fui levando a vidinha adolescente na mais perfeita normalidade/chatice. Na semana anterior ao jogo, tive consulta com a minha dentista. Ao falarmos sobre o jogo, ela fez o convite para mim e para o meu pai: “vão lá pra casa assistir ao jogo!”. “Vamos!”, me apressei em responder. Meu pai foi mais cauteloso. Disse que ia ver e falava com ela. Não entendi o porquê da pouca animação dele.

Depois de encher muito o saco dele (quando quero uma coisa, sou persistente – e chata – ao extremo), o convenci e fomos. Comecei a entender o porquê da pouca animação dele no momento do convite. Ela é tricolor, o marido é flamenguista e os outros convidados ficaram preocupados em separar os dois. A confusão estava instalada.

Enquanto ganhávamos por 2 x 0, estava tudo tranquilo. A mais perfeita tradução do paraíso. Quando os mulambos empataram, eu queria que um buraco tivesse se materializado na minha frente para eu sumir dali. O marido gritava, comemorava e eu pensando em como sumir dali. Ela, nervosa, se refugiou no quarto acompanhada apenas por um rádio de pilha. Meu pai, angustiado, foi pra varanda (um espaço pequeno que ele deve ter percorrido sabe-se lá quantas vezes). Eu, murcha, sentada no canto do sofá. Que horas aquele martírio iria acabar? Eu queria a minha casa!

De repente, jogada de Aírton pela direita. Drible para um lado, drible para o outro. Cruzamento. Renato Gaúcho. Gol de barriga. Gritei! Saltei do sofá. Meu pai pulou da varanda (se ele fosse um pouco mais alto, teria quebrado a lâmpada do teto). A anfitriã veio do quarto: abraçada a um travesseiro, roxa, tentando gritar qualquer coisa. O marido queria brigar com ela. Depois disso, eu parei de observar a cena e comemorei com todas as minhas forças.

Relembre este momento: https://www.youtube.com/watch?v=ZFUq9O-a0TQ

O fim daquele dia foi ainda mais maravilhoso: ao voltarmos pra casa, eu e meu pai, no nosso fusquinha bege, passamos em frente ao estádio do Maracanã. Lembro como se fosse hoje. Todos aqueles flamenguistas sentados no meio-fio, com as mãos apoiadas nos joelhos e virando a cabeça de um lado para o outro. Não houve sensação melhor!

Sempre conto essa história para os meus amigos. Foi um momento mágico. Não apenas pelo título estadual, mas por todos os sentimentos que o futebol me proporcionou: ansiedade, alegria, tranquilidade, tensão, medo, alívio, glória. Naquele momento, me viciei e nunca mais larguei o Fluminense!!!

Que amanhã o Fluzão dê mais um capítulo de puro futebol para todos os tricolores! E que eu possa recontá-lo daqui a 20 anos.

Pra cima deles!!

#RêBustamante

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