Entre a omissão da diretoria, erros táticos de Zubeldía e a lesão de Lucho Acosta, o Fluminense escapou de uma goleada e agora joga a vida na Libertadores.
(Por Lindinor Larangeira)
O Fluminense já entrou derrotado no clássico. Derrotado moralmente, institucionalmente e esportivamente. Antes mesmo de a bola rolar, o rival já havia vencido o Fla-Flu, graças à atitude inexplicável e profundamente prejudicial da diretoria tricolor, que atuou de forma clara contra os interesses do próprio clube.
A submissão institucional e o vídeo do presidente
Horas antes da partida, a torcida ainda foi “presenteada” com um vídeo constrangedor do presidente — muito justamente apelidado de “Mattheus Rubronegro” — tentando convencer o torcedor de que o adiamento do jogo teria sido benéfico para o Fluminense. Talvez para o time da Gávea.
Em pouco mais de seis minutos de gravação, exibindo uma expressão de derrota dificilmente disfarçável, o mandatário sequer mencionou as consequências dessa postura “gentil” diante do confronto decisivo de quarta-feira, pela Libertadores. O resultado prático foi evidente: um dia a menos de descanso e um treinamento que, na véspera do jogo contra o líder do Campeonato Argentino, deve se resumir a atividades regenerativas. Para completar o cenário, o clube ainda perdeu Lucho Acosta, principal referência técnica da equipe.
Elenco ignorado e a falta de juízo na gestão
Após o jogo, o capitão Samuel Xavier revelou que o elenco só foi comunicado da decisão depois que ela já havia sido tomada. Mais um elemento que reforça a responsabilidade direta da diretoria pela derrota no clássico.
Além de desconsiderar completamente o sentimento do torcedor, os dirigentes demonstraram uma postura pouco profissional na relação com os jogadores, que também são profissionais do clube. Prevaleceu uma mentalidade retrógrada, resumida na velha máxima autoritária: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Faltou exatamente isso — juízo — aos cartolas tricolores.

O milagre de Fábio e a fragilidade defensiva
Dentro de campo, a verdade é dura: o Fluminense escapou de uma goleada histórica. A equipe entrou em campo desligada, em marcha lenta, enquanto o adversário jogava a 120 por hora. Com apenas cinco minutos, Lucho Acosta se lesionou e deve também desfalcar o time no jogo decisivo de quarta-feira.
Na sequência, Fábio cometeu um erro bizarro e entregou o primeiro gol a Pedro. O goleiro, é verdade, se redimiu ao longo da partida e foi o principal responsável por evitar um placar ainda mais elástico, com pelo menos quatro defesas milagrosas. Chegar ao intervalo perdendo “apenas” por um gol foi um alívio.
Na segunda etapa, Pedro marcou novamente, em mais uma falha coletiva: Samuel Xavier permitiu o cruzamento e Freytes acompanhou apenas a bola, não o jogador.
O Fluminense só foi, de fato, entrar no jogo após os 25 minutos do segundo tempo, muito em função da qualidade técnica de Savarino e da presença de área de Castillo.
Zubeldía: Escolhas equivocadas e Savarino no banco
Se a diretoria protagonizou a derrota, o técnico Zubeldía teve papel relevante como coadjuvante. A escalação inicial foi equivocada — é simplesmente inadmissível que Savarino seja reserva neste time.
O treinador ainda teve a chance de corrigir o erro, mas agravou a escolha ao optar por Ganso, em vez do venezuelano. Com Martinelli e Hércules em atuações muito abaixo do esperado, o Fluminense não conseguiu produzir absolutamente nada no meio-campo, sem volume, sem criatividade e sem organização.
Coletivamente, a equipe apresentou um nível de desorganização que ainda não havia sido visto na temporada: ineficiente no ataque e extremamente frágil na defesa.
Zubeldía segue com crédito, é verdade, mas precisa “acordar para a vida”. Savarino não pode ser reserva — repito. Arana também não. O futebol limitado de Renê, eventualmente, pode até ser útil, mas não há justificativa para sua titularidade absoluta. Freytes precisa ir para o banco. E o treinador precisa ser mais ágil nas substituições. Após o gol de Savarino, por que não mexer nos laterais para dar novo fôlego ao time? Esperar até os 40 minutos beira o conformismo.

O ultimato de quarta-feira: É guerra na Libertadores
Ainda não é terra arrasada, mas o alerta está ligado. A estreia preguiçosa na Libertadores, somada à postura subserviente da diretoria, transformou a próxima quarta-feira no verdadeiro “jogo do ano”.
Para evitar uma crise — criada e gestada pela própria diretoria — só existe um resultado possível: vitória. Um empate já complica seriamente a campanha. Uma derrota significaria uma eliminação precoce e humilhante.
A torcida precisa fazer a sua parte, lotando o Maracanã e apoiando o time do início ao fim. Dos jogadores, espera-se a mesma vontade demonstrada nos minutos finais do clássico. Da diretoria, o mínimo: que não atrapalhe.
Resumindo: quarta-feira é guerra.
Notas rápidas
- Merecida alcunha: “Mattheus Rubronegro”.
- Oi, sumido: por que, mesmo com atuações irregulares dos laterais-direitos, o garoto Júlio Fidélis deixou de ser opção no banco, Zubeldía?
- Torcer e protestar: quarta-feira estarei de preto no Maracanã, incentivando o time. Ou talvez com uma fita adesiva preta no escudo.
⚠️ PLANTÃO: Últimas notícias do Fluminense [Clique aqui para ver o resumo de todas as movimentações de hoje]
Compartilhe o artigo em suas redes sociais!
Siga o Explosão Tricolor no WhatsApp, Facebook, Instagram e Rede X
E-mail para contato: explosao.tricolor@gmail.com
