O empate sem gols com o Vasco voltou a expor a falta de eficiência ofensiva do Fluminense e trouxe novas preocupações para Luis Zubeldía. Apesar da evolução defensiva, o Tricolor ainda busca soluções para a criação de jogadas e para o baixo rendimento de seus atacantes.
Por Leandro Alves
O Fluminense ficou no 0 a 0 com o Vasco da Gama e chegou ao quinto empate consecutivo na temporada. É verdade que o Tricolor foi superior ao rival, mas o clássico voltou a expor problemas antigos e apresentou novas preocupações para a equipe comandada por Luis Zubeldía.
A dificuldade para transformar chances em gols
Começo pelos velhos problemas. O Fluminense apresenta uma enorme dificuldade para marcar gols. Assim como aconteceu no empate com o Bahia, o Tricolor criou oportunidades para abrir o placar, mas não conseguiu aproveitá-las.
Essa falta de eficiência passa diretamente pelo desempenho dos atacantes que atuam pelos lados do campo.
Canobbio mostrou mais uma vez que enfrenta sérias dificuldades nas finalizações. O uruguaio mantém a titularidade principalmente por sua aplicação tática, algo que, para mim, não faz muito sentido. Afinal, como atacante, sua principal função deveria ser marcar gols ou, pelo menos, criar situações claras para os companheiros.
Pelo lado esquerdo, Savarino teve outra atuação discreta. Na minha opinião, está cada vez mais evidente que o venezuelano rende melhor quando atua centralizado no meio-campo. Jogar como ponta não parece ser a sua principal característica, embora eventualmente consiga fazer boas partidas nessa função.
Dessa forma, John Kennedy acabou sendo a única arma ofensiva do Fluminense no clássico. O Urso jogou praticamente sozinho, o que representa um cenário preocupante. O centroavante precisa de companheiros capazes de ajudá-lo e dividir a responsabilidade no ataque. Hoje, o Tricolor não oferece esse suporte.
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A criação virou uma nova preocupação
O meio-campo, especialmente a criação de jogadas, transformou-se em um novo problema para o Fluminense. Lucho Acosta está completamente irreconhecível desde a retomada da temporada após a Copa do Mundo. O argentino parece desconcentrado, sem intensidade e não consegue exercer o papel de cérebro da equipe.
Talvez a investigação envolvendo uma possível manipulação de apostas esteja afetando o desempenho do armador. O fato é que, pelo futebol apresentado nas últimas partidas, Lucho Acosta merece perder a titularidade.
Uma alternativa seria utilizar Savarino como camisa 10, posição na qual o venezuelano costuma render mais. Além de tentar melhorar a criação, essa mudança poderia servir como um alerta para o argentino recuperar o seu melhor futebol.
Martinelli poderia participar mais da construção
Para piorar, os volantes também não conseguem contribuir de forma significativa na construção ofensiva.
Martinelli fica preso à função de primeiro volante e, por isso, participa pouco das articulações no campo de ataque. Pela qualidade técnica que possui, considero um desperdício não utilizá-lo como segundo homem do meio-campo.
Hércules tem como principal característica a chegada à área para finalizar. O passe e a organização das jogadas não são seus pontos mais fortes, embora ele ajude bastante nas movimentações do setor.
Martinelli demonstra uma capacidade mais evidente para articular o jogo. Zubeldía precisa encontrar uma maneira de aproveitar melhor essa qualidade.
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Defesa apresenta evolução no clássico
A boa notícia contra o Vasco foi o funcionamento do sistema defensivo. Ignácio e Igor Rabello formaram uma dupla de zaga consistente, enquanto os laterais também apresentaram segurança. O Fluminense praticamente não concedeu oportunidades claras ao adversário durante o clássico.
Para uma equipe que vinha sofrendo gols em quase todas as partidas, terminar o confronto sem ser vazada representa um motivo para comemorar.
Preocupação com o restante da temporada
Para concluir, sigo preocupado com o futuro do Fluminense na temporada. A impressão é de que será difícil para esta equipe brigar pelos principais títulos.
O elenco apresenta limitações, e Zubeldía ainda não demonstra capacidade para encontrar soluções. O treinador também poderia recorrer mais às categorias de base, mas continua oferecendo poucas oportunidades aos jovens formados em Xerém.
A defesa mostrou evolução contra o Vasco, mas o Fluminense continuará acumulando resultados frustrantes enquanto não resolver seus problemas de criação e finalização.
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