Em artigo de opinião, Lindinor Larangeira aponta a falta de pontaria e critica o esquema engessado de Luis Zubeldía após empate no clássico.
(por Lindinor Larangeira)
O primeiro jogo das oitavas da Copa do Brasil escancarou o maior problema do elenco do Fluminense Football Club no retorno da temporada: o time não consegue traduzir oportunidades criadas em gols. O dever de casa para comissão técnica e jogadores deve ser o exaustivo treinamento de finalizações.
No primeiro tempo do clássico, em que o limitado adversário não fez qualquer finalização, com 10 minutos, o tricolor chegou três vezes à área vascaína, mas faltou caprichar. Refino que, no minuto 33, que Canobbio não teve. Ao invés de servir o companheiro mais bem colocado, definiu o lance com um chute fraco, que não deu trabalho ao goleiro rival. Mas a melhor oportunidade esteve nos pés de John Kennedy, que não pode ser reserva desse time. Não fosse a intervenção do ótimo Leo Jardim, o Fluminense sairia em vantagem nos primeiros 90, desse jogo de 180 minutos.
Esquema engessado
A insistência de Zubeldía em um 4-3-3 engessado e sem profundidade, em que os pontas atuam mais como “secretários” dos laterais do que como atacantes, é irritante. Mais do que isso: insistir em algo que já demonstrou não dar certo, revela pouca inteligência.
Porque não povoar mais o meio-campo, com um 4-4-2? Nessa configuração, Hulk poderia jogar como segundo atacante ao lado de JK. A ideia é formar um losango, com Martinelli, Canobbio ou Hércules, Acosta e Savarino. O uruguaio, que gera muito volume de jogo pelo lado de campo, poderia ser testado com volante pela direita, com Hércules ficando como opção de banco. Nesse esquema, Savarino recuaria para a meia, dividindo a criação com Lucho, e Hulk não jogaria de costas para o gol, podendo encostar nos meias, explorar seu bom arremate de fora da área, ou mesmo trocar de posição com John Kennedy, para confundir as defesas rivais.
Pode não funcionar? É claro. Porém, já vimos que a mesmice atual não está trazendo resultados.
Coragem para mudar no intervalo, Professor
Outra coisa que tem deixado a torcida bastante incomodada é o conservadorismo do treinador. Mesmo com o time jogando mal, Zubeldía não aproveita a janela do intervalo para fazer alterações. E quando mexe, normalmente piora o rendimento da equipe. Termina a partida contra o Vasco com três volantes em campo, tendo Ganso no banco, no meu entender, foi uma atitude covarde. Como diz aquela velha máxima do futebol: “O medo de perder, tira a vontade de ganhar”.
Quarta-feira é decisão. Sendo assim, decisão não admite erros. Que o espírito de Flávio, Mickey, Doval, Gil, Rivellino, Ézio, Assis, dos Washingtons, e de Fred, ilumine os nossos atacantes. E se Cano entrar, que o espírito de 2023 esteja com ele.
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