A resistência de Luis Zubeldía em utilizar jogadores formados em Xerém entra em choque com a história, a identidade e as necessidades financeiras do Fluminense. Para um clube que sempre encontrou na base soluções esportivas e econômicas, ignorar seus jovens representa um grave erro de planejamento.
Por Leandro Alves
As críticas ao tratamento dado pelo técnico Luis Zubeldía aos jogadores formados nas categorias de base do Fluminense crescem a cada dia. Depois de refletir sobre o assunto, cheguei à conclusão de que o treinador argentino é incompatível com a identidade do clube.
Xerém sempre foi um dos pilares do Fluminense
Historicamente, o Fluminense sempre utilizou suas categorias de base como um dos principais pilares na formação do elenco. Xerém salvou o Time das Laranjeiras em diversos momentos, inclusive na história recente do clube.
A equipe campeã da Libertadores em 2023, por exemplo, contou com André, Alexsander, Martinelli e John Kennedy como peças fundamentais na campanha do título continental.
Em 2009, quando o Fluminense estava afundado na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, Cuca afastou alguns jogadores experientes e apostou nos Moleques de Xerém. A combinação dos jovens da base com nomes como Fred e Conca foi decisiva para a arrancada histórica que manteve o Tricolor na Série A.
Até mesmo no auge do investimento da Unimed, a base teve papel importante. O Fluminense campeão brasileiro de 2012 contava com Wellington Nem como uma das peças fundamentais da equipe.
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Zubeldía ignora uma característica histórica do clube
Hoje, mesmo sem condições financeiras para disputar contratações com clubes como Flamengo e Palmeiras, Zubeldía simplesmente descarta a utilização dos jovens de Xerém.
O pior é que o treinador faz questão de deixar claro, em suas entrevistas, que essa postura dificilmente mudará. Com o argentino à frente do Fluminense, a tendência é de que a base continue esquecida.
Essa maneira de trabalhar vai na contramão da história e das necessidades do clube. O Fluminense sempre precisou revelar jogadores, tanto para fortalecer o time profissional quanto para gerar receitas por meio de futuras negociações.
Diretoria também tem responsabilidade
A diretoria tricolor, porém, parece concordar com esse cenário. E essa postura não representa uma novidade.
Em 2023, a gestão comandada por Mário Bittencourt quase emprestou André ao Botafogo. Pouco tempo depois, o volante se tornou um dos principais jogadores do Fluminense na conquista da Libertadores.
Também chama atenção a saída recente de jogadores formados em Xerém sem que recebessem oportunidades no elenco profissional, como aconteceu com o zagueiro Davi Schuindt.
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Uso da base deve orientar a escolha dos treinadores
Inclusive, considero que a disposição para utilizar os jogadores formados em Xerém deveria funcionar como um critério eliminatório na escolha de qualquer treinador do Fluminense.
Se o profissional não acredita na base, não demonstra interesse em acompanhar os jovens ou não pretende oferecer oportunidades reais, então não deveria ser contratado pelo clube. Essa característica precisa fazer parte do perfil exigido pela diretoria, porque o aproveitamento de Xerém não representa apenas uma alternativa: trata-se de um dos pilares esportivos, financeiros e históricos do Fluminense.
Um verdadeiro tiro no pé
É triste observar um dos maiores patrimônios do Fluminense sendo tratado dessa maneira. Xerém não pode ser visto apenas como um detalhe dentro do planejamento esportivo do clube.
Ignorar a base representa um verdadeiro tiro no pé, especialmente para uma instituição que não possui o mesmo poder financeiro de seus principais concorrentes.
Aos torcedores, resta protestar, cobrar explicações e exigir uma mudança de postura. O Fluminense não pode abrir mão de uma de suas maiores identidades.
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